O Rio de Janeiro é o espelho do Brasil. O que ocorre no Rio de Janeiro fatalmente se transmitirá em cadeia para os outros Estados da Federação. As questões de justiça criminal e ordem pública não fogem desta regra. Portanto, é estratégico manter a atenção, estudar o cenário, analisar as experiências e observar as políticas lá realizadas, ajudando no alcance dos objetivos. A solução desta guerra envolve leis duras e um Sistema de Justiça Criminal integrado, ágil, coativo e comprometido em garantir o direito da população à segurança pública.

domingo, 14 de outubro de 2012

PACIFICAÇÃO: POLICIAIS E FUZILEIROS OCUPAM MANGUINHOS E JACAREZINHO


Após ocupação, Cabral confirma UPPs em Manguinhos e Jacarezinho. Mais de 2 mil homens, entre policiais e fuzileiros navais, participaram da operação

Ana Claudia Costa
Athos Moura
Sérgio Ramalho
 O GLOBO 14/10/12 - 4h39



Bandeiras do Brasil e do governo do estado são hasteadas em Manguinhos Fabiano Rocha / Extra / O Globo


RIO — Cinco horas depois do início da ocupação do Complexo de Manguinhos e da Favela do Jacarezinho, o governador Sérgio Cabral disse que a primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP)da região será instalada até dezembro e irá beneficiar os moradores de Manguinhos, Varginha e Mandela. Já a Favela do Jacarezinho receberá UPP em janeiro. Enquanto isso, segundo o governador, a polícia continuará ocupando a região.

— Não é uma ação temporária, é uma ação de pacificação, que encurrala os criminosos e diminui a força do poder paralelo. A presença das forças de segurança em Manguinhos e no Jacarezinho é definitiva — afirmou.

Acompanhado do vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, Cabral anunciou ainda uma série de medidas que serão colocadas em prática a partir da ocupação das comunidades. Segundo ele, a região irá receber investimentos para a construção de 9 mil imóveis do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Além disso, o governador anunciou a desapropriação da Refinaria de Manguinhos, que irá passar por um processo de descontaminação do solo, para que a região seja utilizada para a população que mora nas comunidades. O investimento previsto é pode chegar a R$ 200 milhões.

— No passado, a região de Manguinhos era rica economicamente, porque concentrava muitas indústrias. Mas por causa da insegurança, muitas delas saíram de lá. Essa região, que é fantástica em termos de logística, vai renascer com a pacificação — disse Cabral, acrescentando que as favelas vão receber ainda esta semana um mutirão de serviços públicos da prefeitura do Rio.

Ainda de acordo com o governador, o governo já conseguiu um empréstimo de R$ 100 milhões do Banco do Brasil e esse recurso será utilizado para a melhoria da infraestrutura e desapropriações da região. Após a ocupação, o governo, com o apoio da Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop), vai investigar denúncias de que, dos quase 2 mil apartamentos entregues aos moradores das regiões, até 90 teriam sido ocupados por traficantes.

O Complexo de Manguinhos e a Favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, foram retomados pelas forças de segurança na manhã deste domingo. De acordo com a Secretaria de Segurança, as duas comunidades foram totalmente ocupadas em 20 minutos. A operação começou por volta de 5h. Seis blindados da Marinha e cinco da Polícia Militar auxiliaram os policiais na ocupação de Manguinhos. Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) entraram na comunidade dentro de tanques e foram seguidas por outros carros da polícia. Na chegada dos militares, alguns fogos de artifício foram lançados, mas não houve confronto. As equipes contam com retroescavadeiras para retirar barreiras colocadas por traficantes nos acessos da comunidade. Um blindado da Marinha chegou a passar por cima de uma delas, feita de concreto. Na Favela do Jacarezinho, ocupada pela Polícia Civil, cerca de seis tiros foram disparados na chegada dos agentes. Uma pessoa ficou ferida por estilhaços. O rapaz, ainda não identificado, foi atendido pela ambulância da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Segundo a polícia, ele colocava fogo em uma barricada em um dos acessos à comunidade. Ainda não há informações sobre o estado de saúde do suspeito. Os traficantes colocaram barreiras para impedir a entrada dos comboios.

Em Manguinhos, policiais do Bope tiveram que usar explosivos para destruir uma barreira na Rua Gil Gaffré. Há cerca de um mês, uma outra barreira já havia sido retirada do local pelos agentes. Desta vez, a estrutura foi colocada junto a uma residência. O Bope usa uma retroescavadeira para não prejudicar a casa. As forças das polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal continuam nos dois complexos em operações de buscas de criminosos e apreensões de armas, drogas, objetos roubados. Até o momento, segundo o comandante do Bope, coronel René Alonso, já foram apreendidos 10 kg de maconha perto de torres de transmissão de energia em Manguinhos. Policiais do Bope também apreenderam uma submetralhadora e 12 carregadores na comunidade. Policiais do Batalhão de Choque ainda encontraram, em um barraco abandonando, equipamentos hospitalares, como material cirúrgico, bombas de oxigênio e equipamentos para tratar feridos. Segundo os policiais, o local funcionava como uma enfermaria do tráfico. No Jacarezinho, a polícia apreendeu cerca de 10 kg de pasta base de cocaína.

Representantes de todas as forças de segurança que participaram da ocupação hastearam as bandeiras do governo do estado e do Brasil na localidade conhecida como Praça do Meio, em Manguinhos.O hasteamento das bandeiras simboliza a chegada da pacificação na região. Contêineres que servirão de base para a polícia já chegaram ao local.

Os policiais do Bope e fuzileiros navais deixaram, por volta de 4h50m, o Centro de Farmácia da Marinha, em Benfica, onde estavam concentrados, e seguiram para as favelas. A polícia ocupa as comunidades para dar início ao processo de pacificação da região. A Secretaria de Segurança informou que mais de 2 mil homens, entre policiais militares, civis e federais, além de fuzileiros navais, estão mobilizados na operação.

A PM informou que cerca de 1.300 homens foram deslocados: 900 policiais do Bope, do Batalhão de Choque (BPChq), do Batalhão de Ação com Cães (BAC) e do Grupamento Aéreo-Marítimo (GAM) estão em Manguinhos, enquanto 400 policiais atuam na Baixada Fluminense e nas zonas Norte e Oeste, no cerco e busca de armas, drogas e criminosos em várias ruas e comunidades.

Segundo a Secretaria de Segurança, a PM atua na incursão das favelas de Manguinhos, Mandela, Varginha, enquanto 165 agentes da Polícia Civil dão apoio na comunidade do Jacarezinho, vizinha ao Complexo de Manguinhos. Os policiais são da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de várias delegacias distritais e especializadas. Ele contam com o apoio de dois helicópteros. Outros 300 policiais civis também estão mobilizados na operação. Além da Core, as delegacias envolvidas na operação são: 18ª DP (Praça da Bandeira), 19ª DP (Tijuca), 21ª DP (Bonsucesso), 22ª DP (Penha), 23ª DP (Méier), 24ª DP (Piedade), 25ª DP (Engenho Novo), 26ª DP (Todos os Santos), 28ª DP (Campinho), 29ª DP (Madureira), 37ª DP (Ilha do Governador), 41ª DP (Tanque) e 44ª DP (Inhaúma), DDSD, DPCA, DELFAZ, DRF, DHBF, DPMA, DRFA, DAS, DCOD, DRCPIM, DDEF, DCAV, DPCA/Niterói e Polinter. Os presos e o material apreendido serão levados para a 21ª DP (Bonsucesso) e a 25ª DP (Engenho Novo).

Cerca de 100 agentes e um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal também participam da operação de no Complexo de Manguinhos e Jacarezinho. Agentes da Polícia Federal também apoiam a operação, com foco nas ações de inteligência. Há ainda a presença de ambulâncias do Corpo de Bombeiros, no atendimento pré-hospitalar.

Ao todo, 13 tanques da Marinha, de três modelos diferentes, e participam da operação. A Polícia Militar conta com 11 veículos blindados. De acordo com os fuzileiros navais, 177 militares estão no entorno das comunidades com os tanques. Eles dão apoio logístico aos policiais que participam da ação. Além dos veículos blindados, três helicópteros da PM são utilizados. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, chegou à base da Marinha por volta de 4h, para acompanhar o trabalho dos militares, mas não falou com os jornalistas. O secretário deve dar uma entrevista coletiva às 11h.

Ruas vazias e clima de tranquilidade

Poucas horas antes da ocupação das comunidades de Jacarezinho e Manguinhos, na Zona Norte, o clima no interior das favelas era de tranquilidade, apesar da apreensão e ansiedade em torno da operação policial. De acordo com moradores ouvidos pelo GLOBO, no início da madrugada deste domingo, as ruas estavam vazias e silenciosas, mas, com a ocupação das forças de segurança, as pessoas foram retomando sua rotina. Antes da entrada dos policiais, as cracolândias que funcionavam no interior e nos arredores das áreas que serão ocupadas pelas forças de segurança estavam sem nem um usuário sequer, e as bocas de fumo foram abandonadas. No entanto, durante a operação, a Secretaria municipal de Assistência Social recolheu, 104 usuários de crack no entorno das comunidades do Complexo de Manguinhos e da Favela do Jacarezinho. Entre os retirados das ruas, 15 são menores.

O Centro de Operações da prefeitura do Rio divulgou, na madrugada deste domingo, as ruas que ficarão interditadas para o trabalho dos militares. São elas: Av. Dom Helder Câmara, na altura da Av. Ademar Bebiano e, na altura da Av. Leopoldo Bulhões; Av. Leopoldo Bulhões, na altura da Linha Amarela; Largo de Benfica; Estrada Velha da Pavuna, na altura da Rua Francisco Medeiros; e Rua Danke de Matos, na altura da Rua Manoel Fontenele.

A operação para pacificar o Complexo de Manguinhos foi confirmada neste sábado pela Secretaria de Segurança. As ações fazem parte da preparação para a instalação da futura Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos, a 29ª do estado. Nas 28 UPPs do Rio, moram cerca de 400 mil pessoas. Segundo a secretaria, o Jacarezinho será apenas ocupado para apoiar o trabalho da PM em Manguinhos, e ainda não irá receber uma UPP.

A secretaria pede a colaboração dos moradores das comunidades, que devem apresentar seus documentos de identidade sempre que pedido, e afirma que é importante que a população ajude a polícia a localizar criminosos e esconderijos de drogas, armas e objetos roubados, ligando para o Disque Denúncia (2253-1177).

Região é uma das mais perigosas da cidade

A região é considerada um dos mais importantes redutos da maior facção criminosa do Rio. Foi dali que partiram os bandidos que, em 3 de julho deste ano, resgataram de dentro da 25ª DP (Engenho Novo) o traficante Diogo de Souza Feitosa, o DG. O criminoso é um dos chefes da venda de drogas na área. De acordo com o último Censo do IBGE, as duas comunidades têm cerca de 71 mil moradores: 36 mil em Manguinhos e 37 mil no Jacarezinho. A região fica perto de três importantes vias expressas da cidade: a Avenida Brasil e das linhas Vermelha e Amarela. Manguinhos também é conhecido por abrigar a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), um dos mais importantes polos científicos do país, e uma refinaria de petróleo.

Em 2007, a Favela do Jacarezinho ficou marcada pelo ataque a um trem onde estava uma comitiva com integrantes do governo federal e estadual. Dois ministros e um secretário estadual faziam o trajeto de inauguração das obras de revitalização do acesso ferroviário ao Porto do Rio, no Caju, Zona Norte, foram surpreendidos por tiros disparados por criminosos da comunidade. Os disparos levaram pânico aos passageiros. No trem estavam jornalistas e outros convidados, além dos ministros Pedro Brito, dos Portos, e Márcio Fortes, das Cidades. O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, também participava da viagem. O governador Sérgio Cabral participou da inauguração, mas não fez a viagem de trem.

O entorno das favelas do Complexo de Manguinhos e do Jacarezinho amanheceu já nesta sexta-feira tomado por policiais dos batalhões de Choque e de Operações Especiais. A ronda se limitou ao entorno das favelas. Motoristas, pedestres e veículos foram revistados, mas não houve prisões ou confronto. Foram apreendidas 13 máquinas caça-níqueis.

Segundo o serviço de inteligência das polícias, com a ocupação de Manguinhos e do Jacarezinho, o Parque União, na Maré, e as favelas do Lins de Vasconcelos devem se tornar refúgios dos traficantes da maior facção do Rio, que já tinha perdido o Complexo do Alemão.

Como estratégia para a ocupação das favelas do Jacarezinho e do Complexo de Manguinhos, região considerada um dos mais importantes redutos da maior facção criminosa do Rio, as polícias Militar e Civil realizaram, na semana passada, operações em diferentes comunidades – como Juramento, Chapadão e Antares – para inviabilizar possíveis rotas e locais de fuga dos traficantes da mesma facção que dominava os Complexos de Manguinhos e Jacarezinho. Ao todo, 40 pessoas foram presas.

Somente a Polícia Militar prendeu 33 suspeitos. Uma grande quantidade de armas foi apreendida, sendo três fuzis, 14 pistolas, dois revólveres, uma metralhadora, uma escopeta e cinco granadas. A polícia ainda apreendeu 2.545 pedras e 1.174 gramas de crack; 86 frascos de cheirinho da loló; 9.373 pedras, 720 sacolés, 7.866 cápsulas e 40 kg de cocaína; e 10.954 trouxinhas, 51 tabletes e 4 kg de maconha.

Já a Polícia Civil, em duas operações da DCOD no Jacarezinho, apreendeu 1 mil cápsulas e 30 kg de cocaína, além de 230 munições de 9 mm. Um suspeito foi detido e um menor apreendido. Também foram apreendidos 21 veículos e outros três recuperados.

Na Nova Holanda, os policiais civis também prenderam dois suspeitos e apreenderam quatro máquinas caça-níqueis, 27 placas de computador, 32 noteiros, uma pistola e carregadores. Outro suspeito foi preso em Cabo Frio e mais três no Rio, um deles o traficante conhecido como “Big Big”, irmão do DG.

Bope mata cinco em operação no Juramento

Uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) terminou com cinco suspeitos mortos no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na Zona Norte do Rio. A ação é parte da estratégia para evitar a fuga de bandidos do Complexo de Manguinhos e do Jacarezinho para favelas dominadas pela mesma facção criminosa.

Segundo a polícia, os suspeitos foram baleados em dois confrontos. Eles chegaram a ser levados para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiram aos ferimentos. A operação foi iniciada por volta das 5h e fez a apreensão de armas e drogas, que foram levadas à central de flagrantes, na 38ª DP (Irajá).

De acordo com o 38º BPM (Irajá), foram apreendidas 659 trouxinhas de maconha, 359 papelotes de cocaína e 407 de crack. Na ação, foram recolhidas também uma submetralhadora, três pistolas e três granadas de uso exclusivo das Forças Armadas.


PACIFICAÇÃO: FORÇAS DE SEGURANÇA OCUPAM MANGUINHOS E JACAREZINHO

14 de outubro de 2012 | 5h 31

Policiais ocupam as comunidades de Manguinhos e Jacarezinho no Rio. Operação ocorre em cinco favelas com o objetivo de inaugurar uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na região; foram ouvidas explosões, mas não há registros de confrontos


Marcelo Gomes - O Estado de S.Paulo - atualizado as 10h09 para acréscimo de informação

RIO - Dez minutos após o início da operação realizada no fim da madrugada deste domingo, 14, as forças de segurança já haviam ocupado completamente as cinco favelas do complexo de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro. Neste momento, os agentes estão vasculhando as favelas à procura de traficantes, drogas e armas. Não há registros de confrontos até o momento.



Marcos de Paula/AE
Seis veículos blindados foram usados na operação

Os veículos blindados da Marinha abriam caminho derrubando barreiras de concreto colocadas por traficantes nas principais vias de acesso às favelas de Manguinhos, do Jacarezinho, Mandela 1 e 2 e Varginha. Em seguida, os policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) ocuparam essas comunidades.

A Polícia Civil ocupou a favela do Jacarezinho. Por volta das 5h, traficantes do Jacarezinho atearam fogo a sofás, pedaços de pau e pneus na entrada da favela para tentar impedir a entrada da polícia. Eles também soltaram um lança rojão, que explodiu e assustou policiais e repórteres que acompanhavam a ocupação.

Enquanto cerca de 160 policiais civis davam início à ocupação na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio, agentes da Secretaria de Assistência Social da Prefeitura começaram a recolher dezenas de usuários de crack que se aglomeravam nas imediações da comunidade, que abriga uma das maiores cracolândias da cidade. Os assistentes sociais tiveram apoio de policiais civis da Delegacia de Combate às Drogas e de policiais militares do 3º Batalhão (Méier). Até às 9h deste domingo, foram recolhidos 79 adultos e 15 menores usuários de crack. Todos foram encaminhados a unidades de triagem da Prefeitura.

Na rua Gil Gafrée, um dos acessos à favela de Manguinhos, policiais militares do Bope explodiram uma barricada de concreto fincada na rua pelos traficantes. Após a explosão, uma retroescavadeira recolheu os destroços que foram colocados em um caminhão com caçamba da Polícia Militar.

Cerimônia. Está prevista para 10h a cerimônia de hasteamento da bandeira do Brasil em uma praça localizada no interior da favela de Manguinhos. O hasteamento simboliza a retomada do controle dos territórios dessas comunidades para as forças do Estado.

As principais vias da região, como as avenidas dos Democráticos, Dom Hélder Câmara e Leopoldo Bulhões permanecem interditadas ao tráfego de veículos por motivos de segurança. Apenas viaturas policiais e veículos de imprensa são autorizados a circular por essas vias. A previsão da Secretaria da Segurança do Estado do Rio é de que a UPP seja implantada até o fim deste ano. O governo promete inaugurar 40 UPPs no Rio e na Região Metropolitana até 2014.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

BOPE USA QUADRICICLO EM OPERAÇÃO


Policiais do Bope fazem operação com quadriciclo em Manguinhos . Durante a ação, três suspeitos foram detidos e barricadas destruídas com explosivos

Ana Cláudia Costa
O GLOBO 21/09/12 - 14h28


Novo quadriciclo do Bope é usado em operação policial na Favela de Manguinhos Thiago Lontra / Extra


RIO - Pela primeira vez, policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) utilizam um quadriciclo durante uma operação em uma favela. Os agentes estão, desde o início da manhã, na Favela de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, em busca de traficantes, drogas e armas.




Barricadas montadas por traficantes nas entradas da comunidade foram destruídas em oito vielas. Além de retroescavadeiras, os agentes utilizaram explosivos para desobstruir os acessos à favela, já que algumas das barreiras eram feitas de concreto. Uma das barricadas, erguida próximo à Escola municipal Albino de Souza,utilizava um portão para impedir a entrada de policiais.

Na ação, foram apreenderam pedras de crack, tabletes e trouxinhas de maconha, trouxinhas de haxixe, cápsulas de cocaína, pó branco, rádio transmissor, munições de calibre 556, anéis e cordões, material para embalar drogas, 10 motos, um veiculo, uma pistola 9 milímetros, carregadores de 9 milímetros, farta quantidade de material para endolar drogas. O material foi levado para a 21ª DP (Bonsucesso). Três suspeitos também foram detidos. Policiais do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar (COE) coordenam a operação, que ainda conta com agentes do Batalhão de Ações com Cães (BAC) e do Batalhão de Choque. Segundo a PM, a ação, que começou às 6h, não tem previsão para terminar.

Munidas de informações do serviço de inteligência da PM, as equipes buscam prender traficantes e apreender armas e drogas na região. Carros blindados e um helicóptero também auxiliam as equipes.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O LADO OBSCURO DO RIO

em 24/02/2012


Um documentário feito no Rio de Janeiro em repreensão ao tráfico com a policia mais bem preparada pra combate em favela do mundo, o BOPE. Mostra como é a vida dos moradores das favelas e mostra também todo potencial e preparo do BOPE para reprimir a ação de bandidos.

Esse documentário mostra como o Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro está virando sinônimo de polêmica e audiência. Dessa vez, um grupo de portugueses resolveram fazer um documentário sobre as operações do Bope e mostraram cenas inéditas da tropa de elite da PM invadindo as favelas. As cenas e os depoimentos são impressionantes:

"O Rio de Janeiro, sem sombra de dúvida, não é mais maravilhoso."

Essas palavras são de um carioca que não quis se identificar.


Explicação:

A vida nas favelas é regida pela pobreza, pelas drogas e pela violência! Com o seu típico Carnaval, e a convivência dos seus milhões de habitantes, o Rio de Janeiro é uma cidade que leva as pessoas a sonhar. Durante o Carnaval vêm pessoas de todo o mundo para assistir aos sambistas brasileiros que meneiam as ancas nos desfiles de carros. Contudo, por trás deste lado idílico existe outra realidade! No Rio de Janeiro, um de cada cinco habitantes vive nas favelas. A vida nas favelas é regida pela pobreza, pelas drogas e uma enorme violência. Com uma média diária de 107 pessoas mortas a tiro, o Brasil detém o recorde de vítimas abatidas por armas de fogo.

O BOPE é uma tropa da elite da polícia militar brasileira criada especialmente para limpar as favelas das drogas e dos tráfegos. E pela primeira vez, o BOPE foi seguido por uma equipede televisão durante uma das suas operações!

NOTA: matéria apontada por Jorge peixoto, membro do Grupo face "Ordem, Justiça e Liberdade"

FONTE: http://www.youtube.com/watch?v=eLItsRj2sJs&feature=share&noredirect=1
 URL: http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=eLItsRj2sJs


terça-feira, 18 de setembro de 2012

COLEGAS DE MÉDICA ASSASSINADA PEDEM MAIS SEGURANÇA

Colegas de pediatra morta cobram mais segurança no entorno do Hospital Getúlio Vargas. Segundo eles, mesmo com a pacificação dos complexos da Penha e do Alemão, violência continua na região

Rafael Galdo
17/09/12 - 21h59


Parentes acompanham o sepultamento do corpo da pediatra Sônia Maria Stender, no Cemitério São João Batista, em Botafogo Márcia Foletto / O Globo


RIO - Colegas de profissão da pediatra Sônia Maria Sant’Anna Stender, de 61 anos, morta com dois tiros na manhã de domingo, contaram que, com a pacificação dos complexos da Penha e do Alemão diminuiu um pouco, mas a violência continua no entorno do Hospital Getúlio Vargas. Eles cobraram mais segurança na unidade e em seu entorno:

— Com as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) diminuiu um pouco mas continua a violência na região. Já vi bandidos armados circulando dentro do hospital — disse uma funcionária que preferiu não se identificar, e que afirmou acreditar que Sônia possa ter sido vítima de algum tipo de vingança — Nunca ouvi que ela tenha sido ameaçada, mas isso já aconteceu no hospital, que precisa ter a segurança reforçada.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) lamentou a morte da pediatra e a falta de segurança na unidade. O conselho afirma ainda que em maio deste ano já havia solicitado à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Seseg) a instalação de câmeras de segurança nos hospitais e postos de atendimento.

"Outra sugestão importante seria a extensão do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis), que determinou a presença policiais de plantão nas escolas públicas, às emergências 24 horas. As solicitações foram entregues ao secretário José Mariano Beltrame em reunião após o registro de agressões e assaltos em unidades de saúde", diz trecho da nota.

Em resposta, a Seseg confirmou por meio de nota que recebeu ofícios do conselho em maio com sugestões de câmeras de segurança em unidades hospitalares. Informou que também recebeu documentos do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed), em março. De acordo com a secretaria, as solicitações foram encaminhadas para a Polícia Militar, que, segundo a mensagem, tomou as providências para reforçar o policiamento ostensivo nas adjacências das unidades citadas pelas duas entidades. A secretaria informou, ainda, que a segurança dentro das unidades, bem como a colocação de circuitos internos de câmeras de vigilância compete aos órgãos responsáveis pelas unidades.

O corpo da médica foi enterrado na tarde desta segunda-feira no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Dezenas de funcionários do hospital, amigos e familiares acompanharam o sepultamento.

Sônia Maria foi abordada por homens que ocupavam um Meriva Branco quando passava de carro pela esquina das ruas Conde de Agrolongo e Nicaraguá, próxima ao hospital. Segundo amigos, esse trajeto é rotineiramente usado por quem sai da unidade em direção a Tijuca e a Zona Sul.

— Os assaltos aconteciam frequentemente, mas a retomada do território das mãos de traficantes aumentou a segurança na região — disse Antônio de Oliveira e Silva, cirurgião dentista do HGV, durante o velório do corpo da médica no Cemitério São João Batista.

Sônia Maria foi abordada por criminosos quando deixava o plantão no hospital, por volta das 7h. Os tiros atingiram o lado direito do pescoço dela. A vítima foi abordada por homens armados quando dirigia um Space Fox na esquina das ruas Conde de Agrolongo e Nicarágua, ainda perto do hospital. Policiais da Divisão de Homicídios (DH) trabalham com a possibilidade de Sônia ter reagido a um assalto e acreditam que pelo menos três bandidos participaram do crime.

O Meriva branco ocupado pelos bandidos tinha sido roubado na madrugada de domingo em Vigário Geral. O veículo foi abandonado logo depois do crime num dos acessos à Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Segundo laudo do Instituto Médico-Legal (IML), uma bala acertou a coluna da médica e a outra alojou-se no pulmão. Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) vasculharam o carro da vítima e o veículo usado pelos criminosos em busca de digitais. Agentes também procuraram imagens do crime em câmeras de segurança instaladas no entorno do local da morte.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

BALA PERDIDA EM TIROTEIO MATA MENINA DE 10 ANOS

FOLHA.COM. 05/07/2012 - 16h34

Menina é vítima de bala perdida em tiroteio entre ladrões e PMs


 
ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO

Um tiroteio entre três ladrões de carro e dois policiais militares terminou com uma menina, de dez anos, vítima de bala perdida na noite de quarta-feira (4), no Jabaquara (zona sul de São Paulo).

A garota brincava no quintal da casa de um amigo de seu pai, na rua Magdeburgo, quando um Corsa que havia acabado de ser roubado de uma analista foi encurralado por dois PMs do 3ë Batalhão.

Ao perceber que não tinham mais como escapar do cerco dos policiais, os três ladrões começaram a atirar contra os policiais militares, segundo o que eles narraram à Polícia Civil e à Corregedoria da PM.
Os PMs também disparam, mas nenhum dos ladrões foi ferido. Os três criminosos fugiram a pé e o Corsa foi recuperado.

Logo após o fim do tiroteio, os moradores da rua Magdeburgo começaram a suspeitar que a bala que atingiu a menina no abdome partiu da arma de um dos dois policiais militares. Uma pistola.40 do soldado Eric de Almeida foi apreendida pela Polícia Civil para perícia. O soldado não foi localizado pela reportagem até o momento.

A menina está internada no Hospital Municipal Arthur Ribeiro de Saboya, onde foi operada. Seu estado é considerado grave.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

CRACOLÂNDIA E ARRASTÕES NA LAPA

Além de roubos, frequentadores da Lapa convivem com tráfico e uso de drogas a céu aberto . Semana passada, o grupo teatral Tá na Rua, do ator Amir Haddad, teve sua sede na Mem de Sá invadida e seu equipamento de som roubado

Thiago Jansen
O GLOBO 3/07/12 - 22h45



Movimento intenso numa rua da Lapa no fim de semana: a venda e o consumo de drogas acontecem a céu aberto, sem repressão da PM ou da Guarda Municipal Pedro Kirilos / O Globo


RIO - Eram cerca de 22h30m da última sexta-feira quando aproximadamente dez mil pessoas se reuniam na Praça Cardeal Câmara, em frente aos Arcos da Lapa, para acompanhar o show gratuito da cantora Daniela Mercury, seguido de um espetáculo de projeções sobre o símbolo maior da região. Próximo dali, jovens de diversas idades começavam a lotar a Travessa do Mosqueira, uma entre as tantas ruas do local com depósitos de bebida e bares. “Vai pó, vai maconha?”, perguntou um garoto, menor de idade, sem qualquer inibição, quando o repórter do GLOBO chegou à esquina da Rua Joaquim Silva, a um quarteirão de distância dos policiais militares e dos guardas municipais que patrulhavam a Avenida Mem de Sá.

A situação, corriqueira, de acordo com testemunhas, ilustra o atual estado da Lapa, berço da boemia e da malandragem cariocas, local de grande circulação de turistas e onde assaltos, venda e consumo de drogas ainda são frequentes, apesar do policiamento e das obras de revitalização na região, transformada oficialmente em bairro há quase dois meses.

Arrastões são outra preocupação

Semana passada, como noticiou a coluna de Ancelmo Gois no GLOBO, o grupo teatral Tá na Rua, do ator Amir Haddad, teve sua sede na Mem de Sá invadida e seu equipamento de som roubado. Foi a segunda vez em menos de dois meses — a aparelhagem tinha sido doada pela atriz Fernanda Montenegro, sensibilizada pelo primeiro roubo, em maio. “Esses dois assaltos nos deixaram estarrecidos, nos jogaram na realidade. Lamentamos viver assim”, disse Haddad, pouco depois do segundo caso, traduzindo a insatisfação de muitos que se estabeleceram na região.

— A segurança no bairro não tem melhorado em nada. Apesar de a Mem de Sá agora estar sendo fechada à noite durante os fins de semana, muitos pivetes se misturam às pessoas e praticam assaltos. Arrastões também são frequentes. Durante o dia, é comum ver turistas sendo roubados — afirma Patrícia Santos, gerente da Pizzaria Guanabara da região.

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), a 5ª DP (Gomes Freire), delegacia da região, registrou 140 roubos e 479 furtos em maio deste ano. Em abril, os números foram semelhantes: 131 e 466, respectivamente. Se comparados com os dados do ano passado, não há grandes mudanças nos índices: 149 roubos e 427 furtos em maio, contra 187 e 512 em abril. No entanto, o número de casos pode ser ainda maior, já que muitos ainda preferem não registrar ocorrência por acharem “natural” a situação.

— A Lapa tem um problema que é a naturalização da violência. Ou seja, boa parte das pessoas que são assaltadas não presta queixa e aquelas que assaltam não se intimidam — afirma o gerente de um bar próximo aos Arcos que preferiu não ser identificado. — A Lapa está longe de ser uma área segura. Já tive clientes assaltados após sair daqui e, num caso mais grave, uma menina foi estuprada, em outubro do ano passado.

Donos de estabelecimentos comerciais da área dizem acreditar que a situação do quarteirão da Rua Joaquim Silva é uma das mais problemáticas da região. De acordo com uma das sócias da casa de shows Semente, que também preferiu não se identificar, a atual estrutura de policiamento só chega a determinadas áreas do bairro:

— Todo esse quarteirão da Joaquim Silva, subindo a ladeirazinha, é terra de ninguém. Tem um povo muito estranho por aqui, um lugar que é ponto turístico, subida para Santa Teresa e que leva à escadaria da Lapa. Existe um comércio de drogas 24 horas por aqui. Às vezes, às 15h vem gente oferecer cocaína se você estiver passando. Já fui assaltada na esquina do Semente e, há uns três sábados, houve dois arrastões aqui em frente.

Responsável pela Fundição Progresso, Perfeito Fortuna afirma que o lado oposto ao da Ladeira Santa Teresa também anda perigoso, já que, com o fechamento do tráfego por ali, próximo à Praça Monsenhor Francisco Pinto, muitos moradores de rua e assaltantes estão vivendo na área, debaixo dos Arcos.

— Na passagem dos Arcos dos Lapa, o policiamento está ótimo, mas o pequeno morro próximo à Avenida Chile está sendo feito de moradia por muitos assaltantes. Está bastante perigoso — afirma Perfeito.

Na noite da última sexta-feira, um grupo com cerca de 30 menores moradores de rua estava no início da Ladeira Santa Teresa, embaixo dos Arcos, a menos de 500 metros de uma patrulha da Guarda Municipal, de um posto da Secretaria da Ordem Pública e de alguns veículos da Secretaria de Assistência Social. Ao virar a esquina da ladeira com a Joaquim Silva, era possível encontrar menores consumindo drogas e bebidas alcoólicas a céu aberto. Na escadaria da Lapa, o consumo de drogas era ainda maior. Não havia policiamento fixo na área e, ainda que uma patrulha da PM tenha passado ao menos uma vez pelo local, nenhuma ação foi tomada para coibir o tráfico.

Mesmo na Mem de Sá, onde o policiamento era ostensivo, assaltos ocorriam, como o que sofreu Euclydes Magalhães, de 25 anos. Frequentador assíduo da região nos fins de semana, ele estava com um grupo de amigos embaixo dos Arcos, por volta das 23h30m de sexta-feira, quando teve o cordão puxado de seu pescoço por dois jovens, que fugiram. Meia hora depois, quando estava mostrando o local do roubo a um amigo, presenciou uma tentativa de assalto e, junto com outras pessoas, conseguiu imobilizar o ladrão e levá-lo até PMs.

— A região está mais complicada de uns tempos para cá, porque os ladrões, que antes se concentravam em locais específicos, agora ficam espalhados pela região — afirmou Euclydes. — Agora só volto na Lapa daqui a um mês, porque acho que posso ter ficado marcado pelos meus assaltantes.

A Polícia Civil informou que sabe da venda e do consumo de drogas na área, acrescentando que tem feito operações para reprimir o tráfico. A PM, por sua vez, disse que atua na região com quatro viaturas de dia e 12 à noite, além do policiamento montado e de 20 policiais no patrulhamento a pé — nos fins de semana, ele é reforçado. Após saber, pela equipe de reportagem, da venda de drogas na Joaquim Silva, a corporação disse que passará a deixar uma patrulha na rua.

A Secretaria municipal de Assistência Social admitiu que há uma concentração de adultos e menores de rua na Lapa que fazem uso de drogas. O órgão informou que equipes atuam diariamente na abordagem dessa população, mas que muitas pessoas levadas aos centros de tratamento os deixam por causa do vício em álcool ou drogas.