O Rio de Janeiro é o espelho do Brasil. O que ocorre no Rio de Janeiro fatalmente se transmitirá em cadeia para os outros Estados da Federação. As questões de justiça criminal e ordem pública não fogem desta regra. Portanto, é estratégico manter a atenção, estudar o cenário, analisar as experiências e observar as políticas lá realizadas, ajudando no alcance dos objetivos. A solução desta guerra envolve leis duras e um Sistema de Justiça Criminal integrado, ágil, coativo e comprometido em garantir o direito da população à segurança pública.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

ADVOGADA E SEUS PAIS SÃO ASSASSINADOS NO RIO


Advogada e seus pais são assassinados no Rio

Bandidos foram à casa da família à procura da filha e mataram parentes a facadas, em Magé; depois a assassinaram a tiros quando ela se dirigia para o local

Adriano Barcelos - Agência Estado, 19/11/2013



Três pessoas de uma mesma família foram assassinadas na noite de segunda-feira, 18, em Magé, na Baixada Fluminense. De acordo com as investigações, até o momento a motivação mais provável para o triplo homicídio é vingança.

Os bandidos teriam ido até a casa da família no bairro Lagoa com a intenção de encontrar a advogada Lilian de Souza Serri Correia, de 35 anos. Em casa, estavam apenas os pais dela, Dornelles Serri e Cleid Alves de Souza Serri, ambos de 61 anos. Dornelles e Cleid foram mortos a facadas. Em seguida, os assassinos colocaram os corpos dos dois dentro do porta-malas do veículo da família. A 65ª Delegacia de Polícia, responsável pela investigação, ainda apura se o casal foi torturado antes de morrer - possivelmente para fornecer informações sobre o paradeiro de Lilian. Os agentes acreditam que a intenção inicial do grupo era levar os corpos dos pais da advogada para algum lugar afastado, já que os depositaram dentro do carro. Mas, por alguma razão, desistiram de transportá-los.


Já Lilian foi assassinada com vários tiros na rua Doutor Siqueira, também no bairro da Lagoa. Ela se dirigia para casa dos pais quando foi atingida. A advogada foi socorrida e levada ao Hospital Municipal de Magé, mas morreu no caminho.


Embora não descarte, a polícia não trata o caso como latrocínio, uma vez que nenhum pertence da casa da família foi levado durante o ataque.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

TRÁFICO FATURA R$ 10 MILHÕES POR MÊS NA FAVELA

EXTRA/GLOBO 10/11/13 07:00 A

Comandante da UPP da Rocinha diz que tráfico fatura R$ 10 milhões por mês na favela


Em abril de 2011, antes da ocupação da favela pela polícia, um levantamento da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) apontou que a quadrilha movimentava R$ 8 milhões Foto: Bruno Gonzalez / EXTRA


Rafael Soares


A presença de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) não foi capaz de diminuir os lucros do tráfico de drogas da Rocinha. Um ano e dois meses depois da implantação da UPP, traficantes movimentam R$ 10 milhões por mês na favela. A informação, levantada pelo setor de inteligência da unidade, foi revelada neste sábado pela comandante da UPP, major Pricilla Azevedo, em entrevista ao EXTRA. Em abril de 2011, antes da ocupação da favela pela polícia, um levantamento da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) apontou que a quadrilha movimentava R$ 8 milhões.

Segundo a major, uma ofensiva da polícia contra as bocas de fumo foi responsável pelos últimos tiroteios.

— A quadrilha fatura muito aqui e não quer perder esse montante. Informações do nosso setor de inteligência apontam para um faturamento de mais de R$ 10 milhões por mês, interno e externo — disse a oficial, que confirmou que bandidos armados de fuzis ainda circulam pela comunidade.

Pricilla também afirmou que a repercussão do caso Amarildo em meio aos moradores foi usada pelo tráfico para pôr em xeque a legitimidade da polícia. Segundo o Ministério Público, 25 PMs da UPP participaram da sessão de tortura seguida de morte de Amarildo.

— O marginal se aproveita de qualquer oportunidade para impor regras e mostrar para o morador que ainda tem poder. O que ampara as ações do tráfico é o medo que ele impõe e a consequência disso é o silêncio da comunidade. Isso pode ter diminuído o número de ações de repressão: a comunidade denunciou menos — afirmou.

Segundo o setor de inteligência da UPP, há bocas de fumo em todas as regiões da favela, inclusive no asfalto. A Via Ápia, rua mais movimentada da Rocinha, tem dois pontos de venda de droga em sua extensão.

TRÁFICO RETOMA ÁREA EM FAVELA COM UPP

EXTRA/GLOBO 10/11/13 11:07

Tráfico retoma pela primeira vez área em favela com UPP em comunidade de Copacabana


A comunidade do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana Foto: Custódio Coimbra


Carolina Heringer, Herculano Barreto Filho, Paolla Serra e Rafael Soares


Traficantes retomaram, pela primeira vez, uma área dentro de uma favela pacificada desde 2009. Há duas semanas, policiais da UPP do Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul, tentaram entrar na quinta e última estação do plano inclinado. Não conseguiram. Foram surpreendidos por oito homens com fuzis. Após 40 minutos de tiroteio, Thomas Rodrigues Martins, de 32 anos, apontado como traficante pela polícia, acabou morto. Ali é a fronteira entre o território dominado pelo Estado e a localidade conhecida como Vietnã. Segundo seis policiais ouvidos pelo EXTRA, com média de cinco anos na corporação e passagens por outras favelas pacificadas, a área — que equivale a 6% do terreno — voltou às mãos do tráfico. “O morro é deles”, reconheceu um policial, exagerando o poderio dos bandidos.

Por outro lado, o EXTRA constatou que 94% da favela contam com patrulhamento da PM. A Ladeira Saint Roman, que já foi conhecida como uma das maiores bocas de fumo da favela, tem viaturas em todos os seus acessos. Se há policiamento na parte baixa da comunidade, a equipe de reportagem foi orientada a retornar por um adolescente quando chegou à terceira estação do plano inclinado, por volta das 15h da última quarta-feira. O coronel Frederico Caldas, comandante das UPPs, diz desconhecer que haja um território dominado por criminosos na área.

Em seis dias, o EXTRA percorreu 14 comunidades pacificadas em todas as regiões da cidade, ouvindo 85 histórias contadas por policiais militares e 50 moradores. Nessas favelas, há outras 37 áreas mapeadas com histórico de confrontos com moradores ou policiais feridos e mortos neste ano. Se no Vietnã não há tiroteios entre policiais e bandidos porque os PMs nem chegam lá, nas demais áreas conflagradas a polícia ainda tenta evitar que criminosos delimitem seu território.

No Parque Proletário e Vila Cruzeiro, na Penha, há pelo menos três semanas bandidos estão, segundo PMs e moradores, tentando tomar de volta parte do território perdido com a pacificação. Há dez dias, houve dois confrontos num intervalo de 48 horas. No primeiro tiroteio, no dia 31 de outubro, policiais disseram ter sido surpreendidos por mais de 15 homens armados com fuzis na localidade da Vacaria, no Parque Proletário. Dois PMs ficaram feridos e um traficante morreu. Com ele, os policiais apreenderam um fuzil AK-47.

Dois dias depois, um policial morreu ao ser baleado num ataque organizado pelo tráfico na mesma área. De acordo com o relato dado por 20 PMs que atuam na região, não foi um caso isolado.

— Eles dão tiro de fuzil direto. A última coisa que isso aqui está é pacificado — disse um policial.

Na Macega, na Rocinha, a situação é semelhante. Segundo policiais, dia e noite, pelo menos dois traficantes com fuzis fazem a segurança da localidade, uma das maiores bocas de fumo da favela.

No Morro do São Carlos, os policiais dizem se sentir vigiados. Próximo a um contêiner da UPP, três jovens observavam os PMs.

— Meu irmão ganha R$ 150 para avisar quando os policiais estão por perto — admitiu uma moradora.

Localidade da Vacaria, onde policiais trocaram tiros com traficantes no Parque Proletário Foto: Herculano Barreto Filho



‘Vai embora, volta direto, não para’

Tarde da última quinta-feira. Encostados num barraco na região do Caratê, na Cidade de Deus, 15 homens conversam tranquilamente. Basta uma viatura da UPP chegar ao beco para o grupo sair correndo. A região mais humilde da favela é também a mais problemática: o tráfico se concentra ali, segundo os relatos de policiais e moradores.

Do outro da favela, nos Apartamentos, porém, há apenas pontos isolados de venda de drogas. Na Rua 1, quatro homens portavam radiotransmissor. Lá, frases de ódio aos militares estão pichadas num muro. Uma motorista de van orienta a equipe do EXTRA: “Vai embora, volta direto, não para para ninguém.”

Nas favelas de Manguinhos e Jacarezinho, os PMs dizem evitar pelo menos duas áreas: Coreia e Vasco Talibã. Nesses locais, contam, os criminosos circulam livremente e, a qualquer abordagem, moradores revidam, chegando a jogar garrafas nos policiais e viaturas.

No Morro dos Macacos, os policiais garantem que circulam por toda a favela. O risco maior é o ataque de traficantes na localidade da Rachadura.

— Não trocamos tiros. Recebemos — lamenta um soldado da UPP.

No vizinho São João, o Sampaio é apontado pela tropa como a pior área.

— Não é que a gente não possa entrar, mas não somos bem-vindos — ironiza o PM.

coronel Frederico Caldas, coordenador-geral das UPPs Foto: Bruno Gonzalez



‘Esses problemas são pontuais’

Entrevista com o coronel Frederico Caldas, coordenador-geral das UPPs

A política de proximidade fica comprometida com os últimos confrontos?

Isso é uma exceção. Não dá para generalizar e dizer que o processo de pacificação está sendo colocado à prova porque a gente está tendo problema no Alemão, Penha e Rocinha. Esses problemas são pontuais. Na maioria das UPPs, não temos um histórico de enfrentamento.

Os moradores do Parque Proletário contam que a UPP não foi mais à localidade da Vacaria após a morte de um policial. A pacificação está perdendo território lá?

A área passou a ser patrulhada pelo Bope. O policial foi morto porque ali havia policiais da UPP. Quanto maior a resistência (dos traficantes), maior a força (da ação policial). É o que está acontecendo na Vacaria, com a presença do Bope.

Há relatos de policiais dizendo que o fuzil engasgou nos confrontos no Parque Proletário.

Perguntei isso numa reunião com os comandantes das UPPs, na segunda-feira. Não temos qualquer relato assim. Mesmo assim, determinei que fosse feita vistoria nos fuzis.

QUADRILHA ARMADA DE FUZIL NÃO DEIXA A PM OCUPAR A PARTE ALTA DA FAVELA

EXTRA/GLOBO 12/11/13 10:34


Quadrilha com dez fuzis não deixa a PM entrar no Vietnã, parte alta do Pavão-Pavãozinho, pacificado há quatro anos


PMs do Choque na Av. Nossa Senhora de Copacabana, após o último confrointo entre bandidos e PMs no Pavão-Pavãozinho Foto: Fernando Quevedo / O Globo


Rafael Soares


No último dia 6 de julho, Adauto do Nascimento Gonçalves, de 33 anos, o Pitbull, deixou o Instituto Penal Edgard Costa após receber o benefício de Visita Periódica ao Lar. Não voltou mais para a cadeia. Depois, foi visto na Favela do Dique, em São João de Meriti, onde se juntou a um grupo de dez bandidos armados de fuzis. Há cerca de um mês, a quadrilha chegou na Zona Sul e fez de seu quartel general o Vietnã, parte mais alta da favela do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, onde, há quatro anos, uma UPP foi instalada. PMs da unidade e moradores contaram ao EXTRA que não conseguem mais circular pelo local.

Pitbull nasceu no Pavão-Pavãozinho e chefiava o tráfico no morro até 2008, quando foi preso. Ele chegou à favela para reassumir o cargo após a prisão de Anderson Camilo Fortunato, de 29 anos, o Batoré, que ocupava o posto mais alto na hierarquia da quadrilha, no último dia 10 de outubro, numa casa de shows na Barra da Tijuca. O bandido é o principal alvo do inquérito da 13ª DP (Ipanema) que, há cinco meses, investiga o tráfico na favela e, agora busca identificar os outros integrantes do grupo.

Desde a chegada da quadrilha, dois tiroteios entre bandidos e PMs aconteceram na quinta e última estação do plano inclinado — local determinado pelos traficantes como fronteira do território do tráfico. No último confronto, dia 24, um morador identificado como Thomas Rodrigues Martins, de 32 anos, apontado como traficante por PMs, morreu. Oito bandidos com fuzis atiraram contra a polícia na ocasião.

Uma semana antes, quando quatro policiais chegavam à quinta estação para checar uma denúncia anônima de som alto dentro de um barraco, um grupo de seis bandidos abriu fogo. Os PMs fugiram e não houve feridos. Segundo informações da 13ª DP, Pitbull porta um fuzil, participou de ambos os tiroteios e saiu ferido do segundo confronto.

Por esse motivo, desde então, ele e seu bando não saíram mais do Vietnã, onde o bandido se recupera. Até o dia 24, entretanto, ele saía regularmente do Pavão para ir até a Baixada.


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

TURISTA ALEMÃO BALEADO NA ROCINHA AO SER CONFUNDIDO COM PM INFILTRADO

EXTRA 04/11/13 07:00

Escutas telefônicas revelam que turista alemão baleado na Rocinha foi confundido com PM infiltrado


O turista alemão Daniel Benjamin Frank, alemão baleado na Rocinha, na época em que estava internado no Miguel Couto Foto: Marcelo Carnaval / O Globo

Carolina Heringer e Rafael Soares


O turista alemão Daniel Benjamin Frank, de 25 anos, não era o alvo do tiro disparado no dia 31 de maio, durante uma visita à Rocinha, na Zona Sul do Rio. Segundo escutas telefônicas que fazem parte do relatório da operação Paz Armada, obtidas pelo EXTRA, o objetivo dos traficantes era atingir um PM do serviço reservado (P2) da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) que, na ocasião, estava infiltrado no grupo de turistas. A prática da PM de colocar agentes para acompanhar os visitantes na comunidade foi instituída pelo ex-comandante da unidade, major Edson Santos, um dos 13 policiais presos sob a acusação de torturar e matar o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, em julho.

Num diálogo gravado no dia do disparo contra o turista, Luiz Carlos Jesus da Silva, o Djalma, gerente do tráfico na parte alta da Rocinha, diz a Rodrigo de Macedo Avelar da Silva - PM que atuou infiltrado na quadrilha durante a operação Paz Armada - que policiais à paisana estavam em meio ao grupo de turistas: “Os moleques atiraram no P2 (serviço reservado), mas ‘acabou’ acertando o gringo”.

Em seguida, Djalma afirma que o disparo foi uma demonstração de força dos traficantes, que consideraram uma “afronta” a presença de policiais na região. “Se quisessem ter tirado a vida deles, poderiam ter feito ali mesmo. Eles (os traficantes) queriam mostrar que o local não está abandonado, que, se vier, vai ficar”, continuou o bandido.

As escutas revelam ainda que os dois PMs do serviço reservado que acompanhavam os turistas - “um fortinho e outro que usa aparelho”, conforme descrição do traficante - foram identificados e ficaram em poder dos bandidos por algumas horas.

O turista alemão foi baleado na barriga por volta das 13h. Pouco mais de uma hora depois, Avelar faz algumas ligações para Djalma, perguntando se o traficante sabia que os PMs haviam sido pegos e pedindo que fossem libertados. O policial, inclusive, tentou negociar com o bandido a entrega do autor do disparo. Em troca, a polícia não divulgaria fotos do traficante. O pedido do PM foi atendido. Numa ligação, Djalma diz a Avelar que os policiais sequestrados já haviam sido liberados.

Major Edson Santos: preso acusado da morte de morador da Rocinha Foto: Nina Lima / Extra


Socorrido pelos bandidos

A Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), que investiga o episódio no qual o turista foi baleado na Rocinha, vai pedir acesso às provas que surgiram durante a operação Paz Armada.

Ainda nas escutas telefônicas obtidas durante a investigação do caso, Djalma relata que os próprios bandidos socorreram o turista, ao perceberem que ele tinha sido baleado por engano. O traficante afirma, ainda, que o fato aconteceu quando o alemão estava passando, com um grupo, por um local da favela conhecido como Visual — região que abriga uma das bocas de fumo da comunidade. Os criminosos o teriam levado à Estrada da Gávea, segundo Djalma. Na época, a polícia divulgou que um morador teria socorrido o alemão, levando-o à UPP da Rocinha, na Rua 2. De lá, ele teria sido encaminhado para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea.

Um mês depois, um menor se entregou à Deat, dizendo ser o autor do disparo. Num dos relatórios da Paz Armada, o delegado Ruchester Marreiros afirma que o garoto foi obrigado por Djalma a se entregar, para que a polícia deixasse de fazer operações.

Em depoimento à polícia, o turista alemão contou que viu bandidos armados num beco da favela. Por isso, teria se assustado e corrido. Acompanhado de um amigo, ele havia visitado o Cristo Redentor naquele dia e resolveu conhecer a favela de São Conrado.

Operação

A Paz Armada investigou o tráfico na comunidade. No dia 13 de julho, a Polícia Civil deflagrou a operação, em conjunto com a UPP da Rocinha, na qual 29 pessoas foram presas. No dia seguinte à ação, o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza teria sido torturado e morto. De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP), os policiais da UPP da Rocinha foram responsáveis pelo crime. Eles queriam, de acordo com o MP, que a vítima entregasse um paiol de armas. Durante a operação, nenhum armamento foi apreendido. Vinte e cinco policiais militares da UPP da Rocinha foram denunciados pelo MP, acusados de participação na morte de Amarildo. Treze deles, entre eles o major Edson Santos, tiveram as prisões decretadas e estão atrás das grades.



Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/escutas-telefonicas-revelam-que-turista-alemao-baleado-na-rocinha-foi-confundido-com-pm-infiltrado-10674749.html#ixzz2jgvzpnZU

TRAFICANTE ALVO DE RESGATE CHORA EM DEPOIMENTO

EXTRA 04/11/13 06:00

Traficante Piolho, principal alvo de resgate no Fórum de Bangu, chora ao prestar depoimento à polícia


O traficante Piolho: choro durante depoimento à polícia Foto: Reprodução

Carolina Heringer


O traficante Alexandre Bandeira de Melo, o Piolho, principal alvo da tentativa frustrada de resgate no Fórum de Bangu, foi às lágrimas, no último sábado, em depoimento a policiais da Divisão de Homicídios (DH) no Complexo de Gericinó. O bandido chorou ao ver imagens da ação dos criminosos, na última quinta-feira, que terminou com a morte de um policial militar e uma criança de oito anos.

Piolho confessou que planejou o seu resgate do fórum, mas alegou que a ação não foi executada pelo seu bando, pois o combinado com os comparsas era entrar no prédio mais tarde do que ocorreu e pela garagem, e não pela porta principal, como aconteceu. Para o traficante, os criminosos que foram até o Fórum na quinta-feira queriam que ele, além de outros dois importantes integrantes da facção - Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, e Vanderlan Ramos da Silva, o Chocolate - fossem responsabilizados pelo episódio, como está acontecendo. De acordo com Piolho, a intenção dos criminosos, que pertencem à mesma facção, era dar um golpe de estado, já que os três serão levados para presídios federais fora do estado do Rio. O traficante diz ainda acreditar que os criminosos pretendiam matar o juiz Alexandre Abrahão, da 1ª Vara Criminal de Bangu, ou um dos seguranças do magistrado.

Celsinho, ao ser preso, em 2002 Foto: Domingos Peixoto / O Globo


De acordo com a Divisão de Homicídios, na tentativa de resgate de quinta-feira, Piolho era o principal alvo. Chocolate, que também estava no Fórum, e Celsinho são investigados para saber se participaram do plano. Os três foram levados para o presídio de segurança máxima Bangu1, em Gericinó, até que sejam levados para unidades federais. Celsinho e Chocolate, também ouvidos pela Divisão de Homicídios, negaram envolvimento com a fuga.

Segurança fraca

Em depoimento na última sexta-feira, dentro da sindicância interna que foi aberta pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), Piolho contou que teve a ideia do plano de fuga após ir três vezes ao Fórum de Bangu e constatar que a segurança do prédio, no final do dia, era fraca. Ele contou que o combinado com os comparsas era retirá-lo da carceragem pela garagem do Fórum entre as 19h e 19h30m, momento em que, de acordo com o bandido, há menos policiais no prédio. Ele relatou que pretendia libertar todos os presos que estavam no local para que não ficasse caracterizado que era o alvo do resgate. Piolho não soube explicar porque os três bandidos entraram pela porta principal do fórum e antes do horário previsto.

Marcas de sangue no chão do fórum 
Foto: / Reprodução


Piolho e Chocolate foram até o fórum após serem chamados pela advogada Adriana Godoy dos Santos Prado para serem testemunhas num processo de tráfico de drogas na Vila Vintém, no qual o juiz Alexandre Abrahão atua. Na hora em que eles seriam ouvidos, no entanto, Adriana desistiu de seus depoimentos. A advogada será chamada pela DH para prestar depoimento.



Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/traficante-piolho-principal-alvo-de-resgate-no-forum-de-bangu-chora-ao-prestar-depoimento-policia-10674319.html#ixzz2jgvJ1fZM

COMANDANTE DAS UPPS ADMITE QUE TRÁFICO ATUA EM ÁREAS PACIFICADAS

EXTRA 03/11/13 22:54

Após confrontos no Complexo da Penha, comandante das UPPs admite que tráfico tem fuzil nas áreas pacificadas

Policiais da UPP enfrentaram traficantes na noite de sábado 
Foto: Marcelo Carnaval / O Globo


Herculano Barreto Filho


O coronel Frederico Caldas, comandante-geral das UPPs, admitiu, neste domingo, a existência de fuzis nas mãos de traficantes em áreas pacificadas. A declaração foi dada após os confrontos que deixaram um policial militar morto, outros dois feridos e quatro moradores baleados, num intervalo de 48 horas, entre quinta-feira e anteontem, na Vila Cruzeiro e no Parque Proletário, no Complexo da Penha. Ele ainda anunciou que o efetivo das unidades deverá ser reforçado nos próximos dias.

Frederico Caldas , Comandante Geral das UPPs, esteve no enterro do soldado 
Foto: Fabiano Rocha / Extra

- Claro que é uma preocupação (fuzis com traficantes em áreas com UPPs), embora não tenhamos histórico de apreensão de fuzis em áreas pacificadas. É preciso que seja feita uma investigação para confirmar onde efetivamente os traficantes estão portando fuzis - afirmou.

O coronel esteve no enterro do policial militar Melquizedeque Basílio dos Santos, de 29 anos, sepultado ontem à tarde no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste. Mais de cem pessoas, entre amigos, parentes e policiais de UPPs, compareceram ao sepultamento. O PM foi atingido por um tiro de fuzil nas costas, no sábado à noite, na localidade conhecida como Vacaria, no Parque Proletário.

O soldado foi enterrado no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap 
oto: Fabiano Rocha / Extra



Na noite de quinta-feira, no mesmo local, o traficante Fernando César Batista Filho, o Alemão, morreu num confronto que deixou dois policiais da UPP Parque Proletário feridos - um deles foi atingido por um tiro no peito e continua internado em estado grave, no Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Após o tiroteio, a PM apreendeu, perto do corpo do traficante, um fuzil AK-47, 145 cápsulas do calibre 7.62 e quatro carregadores.

Um policial acabou morrendo após o ataque dos criminosos 
Foto: Marcelo Carnaval / O Globo



Segundo a UPP, a localidade conhecida como Vacaria - que tem uma extensa área de mata - estaria sendo ocupada por traficantes armados nos últimos dias.

Sob o domínio de traficantes

A Vila Cruzeiro e o Parque Proletário, no Complexo da Penha, têm pelo menos quatro pontos com a presença de traficantes armados, segundo os policiais das duas UPPs. A principal delas é a localidade da Vacaria, onde ocorreram os últimos confrontos.

O soldado Melquisedeque Basílio dos Santos , 29 anos, foi enterrado neste domingo 
Foto: Fabiano Rocha / Extra



A área, próxima à Pedreira, é a mesma onde traficantes armados foram filmados em fuga para o Complexo do Alemão, em meio à ocupação policial que deu início ao processo de pacificação, em novembro de 2010.

Segundo policiais, também há registros de bandidos armados escondidos nos becos do bairro Treze, em frente ao contêiner da Vila Cruzeiro, na Rua José Rucas. Na área, houve um confronto entre agentes da UPP e traficantes, na quinta-feira à tarde, que deixou um morador ferido. A ação ocorreu horas antes do tiroteio que resultou na morte de um traficante, na Vacaria. Na ocasião, dois PMs ficaram feridos.

O tiroteio da noite de sábado deixou marcas no complexo 
Foto: Fabiano Rocha / Extra



De acordo com a polícia, também há concentração de bandidos armados nas ruas 10, 12 e 14, divisas entre o Parque Proletário, a Vila Cruzeiro e a localidade conhecida como Esquina do Pecado. Ainda segundo PMs, Fabiano Atanázio da Silva, o FB, chefão da Vila Cruzeiro preso no interior de São Paulo, em janeiro do ano passado, morava na Rua 12. A localidade ainda seria reduto do tráfico.


Feridos em combate

Os confrontos que deixaram um policial militar morto e outros dois feridos num intervalo de apenas 48 horas na localidade da Vacaria, no Parque Proletário, não foram atos isolados na região. Somente neste ano, pelo menos 11 policiais foram baleados em tiroteios ocorridos em áreas pacificadas dos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte. Em 21 de fevereiro, dois policiais foram baleados na Vila Cruzeiro, na Penha. Em 18 de maio, um PM se feriu no Morro da Fé, também na Penha. Em 20 de agosto, três policiais da UPP Nova Brasília, no Alemão, foram atingidos durante um ataque no Largo do Coqueiro. Em 18 de outubro, dois agentes foram baleados num tiroteio no Largo da Vivi (Alemão).



Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/apos-confrontos-no-complexo-da-penha-comandante-das-upps-admite-que-trafico-tem-fuzil-nas-areas-pacificadas-10674530.html#ixzz2jgtbW85q