O Rio de Janeiro é o espelho do Brasil. O que ocorre no Rio de Janeiro fatalmente se transmitirá em cadeia para os outros Estados da Federação. As questões de justiça criminal e ordem pública não fogem desta regra. Portanto, é estratégico manter a atenção, estudar o cenário, analisar as experiências e observar as políticas lá realizadas, ajudando no alcance dos objetivos. A solução desta guerra envolve leis duras e um Sistema de Justiça Criminal integrado, ágil, coativo e comprometido em garantir o direito da população à segurança pública.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

FERIADO DE SOL, PRAIAS LOTADAS E ARRASTÕES

JORNAL DO BRASIL 20/11 às 19h24



Os cariocas tiverem neste feriado um cenário ideal para o lazer: muito sol e calor. As praias ficaram lotadas, mas vários 'arrastões' atrapalharam a tranquilidade dos banhistas.

Pelo menos três momentos de tensão, com muito corre-corre nas areias, foram, registrados nesta quarta-feira na praia do Leblon. Cerca de 12 pessoas foram presas, incluindo alguns menores.

Apesar das imagens gravadas por uma equipe de televisão, registrando o corre-corre, policiais do 23º Batalhão e a Polícia Civil negam que tenha havido arrastão e informam que 12 pessoas foram detidas até as 17h, a maioria delas por furto na orla.


JORNAL DO BRASIL 21/11/2013

Após série de 'arrastões', orla do Rio terá delegacia móvel


O governo do Rio de Janeiro promete instalar uma delegacia móvel na orla da Zona Sul, após os 'arrastões' ocorridos nos últimos feriados. Segundo o Bom Dia Rio, uma reunião no Comando da Polícia Militar ainda vai reavaliar a quantidade de policiais envolvidos na patrulha da região que envolve as praias do Leblon, Ipanema e Copacabana.

Segundo o Bom Dia Rio, a Guarda Municipal confirmou um aumento no número de agentes na orla carioca. O número vai subir para 400 agentes em toda a cidade, sendo 140 nas três praias da Zona Sul que registraram o maior número de ataques.

Uma reunião com os policiais que patrulhavam a praia nesta quarta-feira terá como objetivo identificar os pontos mais críticos da região. Pelo menos 15 pessoas foram detidas e levadas para a delegacia no feriado desta quarta, sendo que oito foram autuados por roubo, tentativa por roubo e desacato à autoridade.

O local da nova delegacia móvel ainda não foi definido pela Polícia Civil.

ARRASTÃO NAS PRAIAS DO RIO APESAR DO POLICIAMENTO


JORNAL DO BRASIL, 21/11/2013

Rio assiste perplexo e assustado ao retorno da violência. Cabral e Paes jogam a cidade de volta à década de 90


As cenas de violência que todos os cariocas achavam que tinham ficado no passado, voltaram com força total durante o feriado de quarta-feira (20/11). Retrato do desgoverno, da falta de ação de Cabral e Paes que jogaram a cidade num túnel do tempo e conseguiram resgatar os arrastões da década de 90, quando o Rio estava entregue ao crime. Os arrastões nas praias, dessa vez, não respeitaram nem a presença de policiais que tentavam inutilmente conter a onde de assaltos cometidos por vários grupos de deliquentes,muitos deles menores de idade. Polícia prende assaltantes na praia de Ipanema


Em resposta, as autoridades insinuaram a possibilidade dessas ações serem orquestradas por grupos de oposição ao governo. Se for, cabe a pergunta: onde estava a segurança da população? Onde estava o policiamento? Se realmente foi orquestrado, serviu de teste e o estado e a prefeitura foram reprovados. O que se viu nesta quarta foi também a continuidade de uma política de segurança que vem demonstrando seu esgotamento, que recentemente matou o pedreiro Amarildo, que vem sendo responsável pelo aumento da criminalidade em todos os bairros da cidade.

ARRASTÕES EM 1992 LEVAVAM PÂNICO ÀS PRAIAS DO RIOReprodução de matéria do Jornal do Brasil publicada em 19/10/1992

A política de segurança pública implantada por Cabral, com a criação das UPPs, seguiu no rumo fácil, correu para a mídia e o que se viu foram apenas belas imagens de hasteamento de bandeiras nos morros e favelas ocupados. Essas ações, mais pirotécnicas do que efetivamente de conquistas das áreas que antes estavam sob domínio do tráfico, trouxeram prestígio ao governador,mas não se sustentavam. Não houve um trabalho de desenvolvimento social, capacitação dos moradores, estímulo ao empreendedorismo, entre tantas outras ações.

A política de segurança falhou também por não capacitar os novos policiais militares que foram lotados nas UPPs e nem investir nas atividades de inteligência da PM, fundamental para combater o crime organizado. Como resultado, moradores das favelas insatisfeitos com a intervenção da polícia em suas rotinas e total incapacidade desses policiais para lidar com o crime, que não foi eliminado definitivamente nessas áreas. Da política de segurança restou apenas a esperança de se ter um Rio melhor, sonho que a cada dia que passa vai se esvaindo.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

PM DE FOLGA REAGE ASSALTO E MATA IDOSA


PM reage a assalto e mata idosa que estava dentro de igreja no Rio. Bandidos tentaram roubar carro do policial, que estava de folga, e houve tiroteio em Bonsucesso, zona norte

11 de novembro de 2013 | 10h 06

Adriano Barcelos - O Estado de S. Paulo



RIO - Um policial militar reagiu a um assalto na noite de domingo, 10, e acabou matando uma idosa que estava em uma igreja em Bonsucesso, zona norte do Rio.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Militar, o soldado Jorge André Felix de Santos, lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Turano, na zona norte, estava de folga na noite de domingo quando foi abordado por homens armados que anunciaram o roubou do automóvel.

O policial reagiu e houve tiroteio, ferindo a idosa que estava na igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso. Maria Aldemir das Chagas Silva, de 77 anos, ainda foi socorrida e encaminhada ao Hospital Federal de Bonsucesso, mas não resistiu. A ocorrência foi encaminhada para a 21ª Delegacia de Polícia, mas a investigação deve ficar a cargo da Delegacia de Homicídios.

O TRÁFICO SENTIU O GOLPE E BUSCA ALTERNATIVAS


Secretário admite 'alguma migração' de criminosos por causa das 34 UPPs no Rio
17 de novembro de 2013 | 2h 03

MARCELO BERABA, WILSON TOSTA, RIO - O Estado de S.Paulo



Os últimos seis meses foram difíceis para o gaúcho José Mariano Benincá Beltrame, de 56 anos, secretário de Segurança do Rio desde 1.º de janeiro de 2007 e chefe de um dos projetos-chave do governo Sérgio Cabral Filho (PMDB), o das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).




Wiltonm Junior/Estadão
Beltrame diz que pode ficar no governo caso Pezão vença as eleições em 2014



Desde junho, o setor que o delegado da Polícia Federal comanda foi duramente submetido à prova por uma sucessão de problemas, crises e pressões. As manifestações de rua, marcadas pela violência, se estenderam até outubro, com acusações à Polícia Militar que variaram da omissão ao abuso. Na Rocinha, o desaparecimento do auxiliar de pedreiro Amarildo de Souza após ser preso virou um sombrio caso de sequestro e morte sob tortura perpetrado por PMs.

Recentemente, os índices de criminalidade voltaram a crescer depois de longo período de declínio: em agosto de 2013, os homicídios subiram 38% sobre o mesmo mês do ano passado. Apesar das dificuldades e de se dizer cansado, Beltrame, pela primeira vez, admite que, se for convidado, pode permanecer no cargo.

Nos últimos meses, Beltrame também precisou resistir a pressões para transferir o título eleitoral de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para o Rio, para tentar um cargo eletivo pelo PMDB no Estado.

Outra modificação importante foi a admissão pelo secretário de que "alguma migração" de criminosos da capital, por causa das 34 UPPs em comunidades pobres, pode ter causado aumento da criminalidade em cidades vizinhas. Beltrame afirma ainda que as passeatas representaram um fato totalmente novo para as polícias, até mesmo pelo uso, por manifestantes, de coquetéis molotov e outras armas, e questiona a ideia de que possam ser enfrentadas por meio de procedimentos "manualizados". "Eu já disse, até mesmo eu gostaria de estar na manifestação, com umas plaquinhas", brinca, sem revelar o que escreveria.

Depois de meses de queda, a criminalidade voltou a subir com força no Rio. O que está havendo? Tivemos, sem dúvida nenhuma, uma ação forte (da polícia) na capital. Tivemos uma opção pela UPP e também pelo controle de metas. Tínhamos de atacar essas duas frentes. Agora, o crime também, em uma cidade grande, pode buscar novas formas, outras alternativas. (Houve) Um pouco de migração (da criminalidade), pode ter também aí falha policial, falha na investigação, pode ter falha na supervisão, pode ter uma série de outros problemas. Mas o tráfico sentiu o golpe e pode estar procurando alguma outra maneira de suprir isso.

De que maneira essa reação do crime está impactando o programa de UPPs? Provoca algum tipo de mudança na estratégia? Não necessariamente. Em primeiro lugar, é dizer que o Estado entrou, não vai sair. Eu digo, isso que está acontecendo nas UPPs é a tirania procurando alguma coisa. Não viram uma entrevista em que o cara disse que o tráfico está perdendo dinheiro, que o tráfico está acuado, que isso é um desaforo? E isso não vai parar. Esses caras não vão entregar isso para nós de mão beijada. O que tem de fazer nesses casos é identificar as pessoas, ir lá e tirar. Mas nunca iludi ninguém de que isso seria uma solução. Acho que as pessoas precisam entender que temos hoje 9 mil policiais nesse programa, em torno de 230 comunidades ocupadas, que perfazem 34 UPPs. Isso em cinco anos. E esses 9 mil policiais não estão patrulhando a Nossa Senhora de Copacabana.

Procede a avaliação de que com as UPPs na capital houve uma grande migração de criminosos para municípios próximos, ao mesmo tempo em que tirou policiais dessas regiões? O quadro não é bem assim. Houve migração? Houve. Qual é o nosso calcanhar de Aquiles? É medir o tamanho dessa migração. As pessoas falam em migração e parece que chegaram cinco ônibus de bandidos em um lugar e tomaram conta. Só para ter uma ideia: em Niterói, tivemos, de janeiro a julho, em torno de trezentos e poucos presos... Trinta e poucos eram do Rio.

Em função dessa reação do crime nos últimos meses, pode acontecer alguma modificação no programa das UPPs? Todo planejamento é dinâmico. A gente, em 31 de dezembro, promete um monte de coisa: parar de fumar, parar de beber, emagrecer, e não consegue. Então, o planejamento tem uma margem que muda, mas não temos a intenção de mudar, vamos, até o fim do ano que vem, entregar as 40 UPPs e tem mais um número de UPPs planejadas. Agora, se tiver de fazer ajuste, a gente faz.

Houve um momento em que se juntaram números de aumento de criminalidade, problemas nas UPPs e manifestações de rua, que geraram muitas críticas à PM. Como o senhor avalia isso? A polícia tem de procurar o meio-termo. Se ela não faz, prevarica; e, às vezes, se faz, está sujeita a abuso de poder. Então, o meio disso aí é a solução. E como você chega ao meio, em um movimento totalmente caótico, em um movimento que não tem pessoas para você fazer interlocução e em um movimento totalmente novo? Nunca tivemos aqui pessoas mascaradas, coquetel molotov, estilingue incendiário, muito menos pessoas com rosto coberto. Então, teve aquele primeiro dia, em que 102 cidades do Brasil amanheceram quebradas. E acho que ali a polícia poderia ter agido melhor. Em contrapartida, tenho certeza que ela também evitou muita coisa. A polícia do Rio, de Choque, é uma das mais treinadas do País. O problema é que é uma situação totalmente diferente. Eu já disse, até mesmo eu gostaria de estar na manifestação, com umas plaquinhas, lá...

Com que placa? Não posso dizer agora, né?

Como o senhor analisa as acusações de que a Polícia Militar tem feito, nas manifestações, prisões sem prova, que levam à liberação dos acusados? Por que isso? Porque a legislação quer que tenha autoria e materialidade. Em uma situação caótica, você pode ver, em São Paulo, em outros Estados, é muito difícil. Teve um delegado que enquadrou com Lei de Segurança Nacional. Quando conseguimos pegar as pessoas com porrete com prego na ponta, com bombas, essas pessoas foram presas.

Quando manifestantes presos no Rio foram enquadrados na Lei de Organizações Criminosas, houve muitas críticas, dizendo que essa lei seria adequada para tratar de quadrilhas internacionais, envolvidas em tráfico transnacional de drogas, armas, pessoas. Houve exagero? O que vejo é (a necessidade de) uma adequação. O que estamos vendo são ações muito maiores do que o simples dano, e essas pessoas hoje estão sendo enquadradas no dano. É muito mais do que dano e menos do que organização criminosa, talvez. Mas, uma vez enquadrada, e a polícia trabalhando, nada impede que no transcorrer de uma investigação cheguemos a uma organização criminosa, ou a uma infiltração, ou à participação de outros atores.

Procedem as informações sobre a ação de ativistas ligados a partidos nas manifestações? Aí vai te falar um cara que tem 30 anos de inteligência: eu, sobre inteligência, não falo. Uma coisa é você ter a informação, outra coisa é você divulgar essa informação. Quem tem a informação é responsável pela salvaguarda dela.

Essa divulgação foi precipitada? Claro que foi.

E está prejudicando a investigação? Sem dúvida. Não é nada contra a imprensa, acho que a imprensa está no papel dela.

Um dos fatos que ajudaram a incendiar as manifestações foi o caso do Amarildo de Souza, ajudante de pedreiro desaparecido depois de preso pela PM na Rocinha. Como o senhor viu esse episódio? Muito ruim, muito triste, em especial para a família. Sem dúvida nenhuma chocou a todos nós.

Atingiu a imagem da UPP e da política de segurança? Na minha percepção, não. Porque teve ali um episódio isolado, teve uma ação da polícia representando o Estado, que apresentou os autores à sociedade, estão entregues à sociedade para responder por isso. E a gente mostrou que não tem corporativismo, tem oficiais presos, tem uma turma grande que foi apresentada à Justiça. E hoje (a Rocinha) é um lugar onde se investiga como em qualquer lugar.

Tudo indica que a morte de Amarildo foi resultado de uma sessão em que foi torturado. Por que a polícia do Rio não consegue se livrar do estigma da tortura? Acho que, em primeiro lugar, não dá para generalizar. Temos aí muitas prisões muito bem feitas. Acho que temos diariamente vidas que são salvas (pela polícia), anonimamente, ou pelo menos vocês não estão sabendo. Mas temos, sem dúvida nenhuma, uma história um pouco negativa nesse aspecto, que alguns policiais insistem, por vezes, nessa questão de abuso.

Vão achar o corpo de Amarildo? Como vou te responder isso? Tenho esperança que na Justiça, onde vamos ter o enquadramento da participação de cada um (dos PMs), tenhamos algum tipo de resultado.

O senhor até há pouco tempo dizia que seu sonho era, encerrado o atual governo, ir para a iniciativa privada. O senhor mantém essa disposição ou poderia aceitar continuar, se o vice-governador Luiz Fernando Pezão ganhar a eleição para governador no ano que vem? Se o Pezão ganhar, a gente pode continuar.

Esse 'pode continuar' é eleitoral ou é vontade? Não, não é nada eleitoral. Você tem horizontes aqui para a segurança pública que não terminam mais. Tem toda uma questão de educação, qualificação, preparo nas academias, tecnologia. A gente vê uma série de outras coisas que ainda faltam. O Rio tem uma história de violência. E talvez a gente perca uma geração para mudar esse patamar.

Passados sete anos, o senhor não está cansado? Cansado eu estou. Não tenha dúvidas de que cansado eu estou. Mas quem sabe, se eu ficar, o Pezão não vai me dar férias?

Foi difícil esse período que juntou Amarildo, manifestações, aumento da criminalidade e pressão grande sobre o senhor se candidatar? Difícil, não tenha dúvida. Muito difícil.

Na sua gestão, o senhor acha que o mais importante foi a UPP? O mais importante para mim, de tudo, foi a despolitização da secretaria.

Essa despolitização significa que o senhor não vai para a televisão pedir votos para o Pezão? Não estou pensando nisso, não estou pensando absolutamente em fazer campanha, não é comigo.

ADVOGADA E SEUS PAIS SÃO ASSASSINADOS NO RIO


Advogada e seus pais são assassinados no Rio

Bandidos foram à casa da família à procura da filha e mataram parentes a facadas, em Magé; depois a assassinaram a tiros quando ela se dirigia para o local

Adriano Barcelos - Agência Estado, 19/11/2013



Três pessoas de uma mesma família foram assassinadas na noite de segunda-feira, 18, em Magé, na Baixada Fluminense. De acordo com as investigações, até o momento a motivação mais provável para o triplo homicídio é vingança.

Os bandidos teriam ido até a casa da família no bairro Lagoa com a intenção de encontrar a advogada Lilian de Souza Serri Correia, de 35 anos. Em casa, estavam apenas os pais dela, Dornelles Serri e Cleid Alves de Souza Serri, ambos de 61 anos. Dornelles e Cleid foram mortos a facadas. Em seguida, os assassinos colocaram os corpos dos dois dentro do porta-malas do veículo da família. A 65ª Delegacia de Polícia, responsável pela investigação, ainda apura se o casal foi torturado antes de morrer - possivelmente para fornecer informações sobre o paradeiro de Lilian. Os agentes acreditam que a intenção inicial do grupo era levar os corpos dos pais da advogada para algum lugar afastado, já que os depositaram dentro do carro. Mas, por alguma razão, desistiram de transportá-los.


Já Lilian foi assassinada com vários tiros na rua Doutor Siqueira, também no bairro da Lagoa. Ela se dirigia para casa dos pais quando foi atingida. A advogada foi socorrida e levada ao Hospital Municipal de Magé, mas morreu no caminho.


Embora não descarte, a polícia não trata o caso como latrocínio, uma vez que nenhum pertence da casa da família foi levado durante o ataque.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

TRÁFICO FATURA R$ 10 MILHÕES POR MÊS NA FAVELA

EXTRA/GLOBO 10/11/13 07:00 A

Comandante da UPP da Rocinha diz que tráfico fatura R$ 10 milhões por mês na favela


Em abril de 2011, antes da ocupação da favela pela polícia, um levantamento da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) apontou que a quadrilha movimentava R$ 8 milhões Foto: Bruno Gonzalez / EXTRA


Rafael Soares


A presença de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) não foi capaz de diminuir os lucros do tráfico de drogas da Rocinha. Um ano e dois meses depois da implantação da UPP, traficantes movimentam R$ 10 milhões por mês na favela. A informação, levantada pelo setor de inteligência da unidade, foi revelada neste sábado pela comandante da UPP, major Pricilla Azevedo, em entrevista ao EXTRA. Em abril de 2011, antes da ocupação da favela pela polícia, um levantamento da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) apontou que a quadrilha movimentava R$ 8 milhões.

Segundo a major, uma ofensiva da polícia contra as bocas de fumo foi responsável pelos últimos tiroteios.

— A quadrilha fatura muito aqui e não quer perder esse montante. Informações do nosso setor de inteligência apontam para um faturamento de mais de R$ 10 milhões por mês, interno e externo — disse a oficial, que confirmou que bandidos armados de fuzis ainda circulam pela comunidade.

Pricilla também afirmou que a repercussão do caso Amarildo em meio aos moradores foi usada pelo tráfico para pôr em xeque a legitimidade da polícia. Segundo o Ministério Público, 25 PMs da UPP participaram da sessão de tortura seguida de morte de Amarildo.

— O marginal se aproveita de qualquer oportunidade para impor regras e mostrar para o morador que ainda tem poder. O que ampara as ações do tráfico é o medo que ele impõe e a consequência disso é o silêncio da comunidade. Isso pode ter diminuído o número de ações de repressão: a comunidade denunciou menos — afirmou.

Segundo o setor de inteligência da UPP, há bocas de fumo em todas as regiões da favela, inclusive no asfalto. A Via Ápia, rua mais movimentada da Rocinha, tem dois pontos de venda de droga em sua extensão.

TRÁFICO RETOMA ÁREA EM FAVELA COM UPP

EXTRA/GLOBO 10/11/13 11:07

Tráfico retoma pela primeira vez área em favela com UPP em comunidade de Copacabana


A comunidade do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana Foto: Custódio Coimbra


Carolina Heringer, Herculano Barreto Filho, Paolla Serra e Rafael Soares


Traficantes retomaram, pela primeira vez, uma área dentro de uma favela pacificada desde 2009. Há duas semanas, policiais da UPP do Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul, tentaram entrar na quinta e última estação do plano inclinado. Não conseguiram. Foram surpreendidos por oito homens com fuzis. Após 40 minutos de tiroteio, Thomas Rodrigues Martins, de 32 anos, apontado como traficante pela polícia, acabou morto. Ali é a fronteira entre o território dominado pelo Estado e a localidade conhecida como Vietnã. Segundo seis policiais ouvidos pelo EXTRA, com média de cinco anos na corporação e passagens por outras favelas pacificadas, a área — que equivale a 6% do terreno — voltou às mãos do tráfico. “O morro é deles”, reconheceu um policial, exagerando o poderio dos bandidos.

Por outro lado, o EXTRA constatou que 94% da favela contam com patrulhamento da PM. A Ladeira Saint Roman, que já foi conhecida como uma das maiores bocas de fumo da favela, tem viaturas em todos os seus acessos. Se há policiamento na parte baixa da comunidade, a equipe de reportagem foi orientada a retornar por um adolescente quando chegou à terceira estação do plano inclinado, por volta das 15h da última quarta-feira. O coronel Frederico Caldas, comandante das UPPs, diz desconhecer que haja um território dominado por criminosos na área.

Em seis dias, o EXTRA percorreu 14 comunidades pacificadas em todas as regiões da cidade, ouvindo 85 histórias contadas por policiais militares e 50 moradores. Nessas favelas, há outras 37 áreas mapeadas com histórico de confrontos com moradores ou policiais feridos e mortos neste ano. Se no Vietnã não há tiroteios entre policiais e bandidos porque os PMs nem chegam lá, nas demais áreas conflagradas a polícia ainda tenta evitar que criminosos delimitem seu território.

No Parque Proletário e Vila Cruzeiro, na Penha, há pelo menos três semanas bandidos estão, segundo PMs e moradores, tentando tomar de volta parte do território perdido com a pacificação. Há dez dias, houve dois confrontos num intervalo de 48 horas. No primeiro tiroteio, no dia 31 de outubro, policiais disseram ter sido surpreendidos por mais de 15 homens armados com fuzis na localidade da Vacaria, no Parque Proletário. Dois PMs ficaram feridos e um traficante morreu. Com ele, os policiais apreenderam um fuzil AK-47.

Dois dias depois, um policial morreu ao ser baleado num ataque organizado pelo tráfico na mesma área. De acordo com o relato dado por 20 PMs que atuam na região, não foi um caso isolado.

— Eles dão tiro de fuzil direto. A última coisa que isso aqui está é pacificado — disse um policial.

Na Macega, na Rocinha, a situação é semelhante. Segundo policiais, dia e noite, pelo menos dois traficantes com fuzis fazem a segurança da localidade, uma das maiores bocas de fumo da favela.

No Morro do São Carlos, os policiais dizem se sentir vigiados. Próximo a um contêiner da UPP, três jovens observavam os PMs.

— Meu irmão ganha R$ 150 para avisar quando os policiais estão por perto — admitiu uma moradora.

Localidade da Vacaria, onde policiais trocaram tiros com traficantes no Parque Proletário Foto: Herculano Barreto Filho



‘Vai embora, volta direto, não para’

Tarde da última quinta-feira. Encostados num barraco na região do Caratê, na Cidade de Deus, 15 homens conversam tranquilamente. Basta uma viatura da UPP chegar ao beco para o grupo sair correndo. A região mais humilde da favela é também a mais problemática: o tráfico se concentra ali, segundo os relatos de policiais e moradores.

Do outro da favela, nos Apartamentos, porém, há apenas pontos isolados de venda de drogas. Na Rua 1, quatro homens portavam radiotransmissor. Lá, frases de ódio aos militares estão pichadas num muro. Uma motorista de van orienta a equipe do EXTRA: “Vai embora, volta direto, não para para ninguém.”

Nas favelas de Manguinhos e Jacarezinho, os PMs dizem evitar pelo menos duas áreas: Coreia e Vasco Talibã. Nesses locais, contam, os criminosos circulam livremente e, a qualquer abordagem, moradores revidam, chegando a jogar garrafas nos policiais e viaturas.

No Morro dos Macacos, os policiais garantem que circulam por toda a favela. O risco maior é o ataque de traficantes na localidade da Rachadura.

— Não trocamos tiros. Recebemos — lamenta um soldado da UPP.

No vizinho São João, o Sampaio é apontado pela tropa como a pior área.

— Não é que a gente não possa entrar, mas não somos bem-vindos — ironiza o PM.

coronel Frederico Caldas, coordenador-geral das UPPs Foto: Bruno Gonzalez



‘Esses problemas são pontuais’

Entrevista com o coronel Frederico Caldas, coordenador-geral das UPPs

A política de proximidade fica comprometida com os últimos confrontos?

Isso é uma exceção. Não dá para generalizar e dizer que o processo de pacificação está sendo colocado à prova porque a gente está tendo problema no Alemão, Penha e Rocinha. Esses problemas são pontuais. Na maioria das UPPs, não temos um histórico de enfrentamento.

Os moradores do Parque Proletário contam que a UPP não foi mais à localidade da Vacaria após a morte de um policial. A pacificação está perdendo território lá?

A área passou a ser patrulhada pelo Bope. O policial foi morto porque ali havia policiais da UPP. Quanto maior a resistência (dos traficantes), maior a força (da ação policial). É o que está acontecendo na Vacaria, com a presença do Bope.

Há relatos de policiais dizendo que o fuzil engasgou nos confrontos no Parque Proletário.

Perguntei isso numa reunião com os comandantes das UPPs, na segunda-feira. Não temos qualquer relato assim. Mesmo assim, determinei que fosse feita vistoria nos fuzis.