O Rio de Janeiro é o espelho do Brasil. O que ocorre no Rio de Janeiro fatalmente se transmitirá em cadeia para os outros Estados da Federação. As questões de justiça criminal e ordem pública não fogem desta regra. Portanto, é estratégico manter a atenção, estudar o cenário, analisar as experiências e observar as políticas lá realizadas, ajudando no alcance dos objetivos. A solução desta guerra envolve leis duras e um Sistema de Justiça Criminal integrado, ágil, coativo e comprometido em garantir o direito da população à segurança pública.

sábado, 30 de novembro de 2013

MADRUGADA DE TIROTEIO APÓS PM SER FERIDO POR TRAFICANTES


Rocinha: madrugada de tiroteio após policial ser ferido por traficantes. Confronto entre PMs e bandidos ocorreu até as 3h. Militar atingido por estilhaços no rosto e na mão estava em patrulhamento. Na quarta-feira também houve troca de tiros na comunidade pacificada

O GLOBO, COM EXTRA 

Atualizado:30/11/13 - 11h14


RIO - A madrugada de sábado foi de tensão na favela da Rocinha, devido a confronto entre traficantes e agentes do Batalhão de Policiamento de Choque (BPChq) que realizavam operação na comunidade. Os policiais foram surpreendidos por bandidos armados. Segundo a coordenadoria da Polícia Pacificadora, apesar da troca de tiros, não houve regisro de feridos. O confronto durou até as 3h.

No fim da noite de sexta-feira, um policial militar da UPP da Rocinha foi ferido por estilhaços no rosto e na mão, por bandidos da favela. O soldado Jaderson dos Anjos, do Grupo Tático de Polícia de Proximidade (GTPP), foi surpreendido por traficantes armados de fuzis por volta da meia-noite, durante patrulhamento no Beco do Máscara, na Rua 3, parte alta da favela. O PM, levado ao Hospital Miguel Couto, já foi liberado e passa bem. Ninguém foi preso, e o policiamento foi intensificado na comunidade. O caso foi registrado na 15ª DP.

Um PM que ajudou no resgate do soldado, segundo o jornal Extra, afirmou que mais de 80 tiros foram disparados contra os policiais. Segundo ele, o reforço no policiamento feito pelo Batalhão de Choque na favela não intimida os bandidos, pois esses policiais ficariam no entorno da comunidade. Na manhã desta sexta-feira, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais estiveram na comunidade, mas não trocaram tiros com bandidos.

Na noite anterior, dia da final da Copa do Brasil, vencida pelo Flamengo, moradores relataram que várias pessoas estavam na rua assistindo à final entre Flamengo e Atlético-PR quando tiros começaram a ser disparados na localidade conhecida como Roupa Suja. De acordo com informações de moradores, o confronto foi entre bandidos, que circulam armados de pistolas, fuzis, metralhadoras e granadas na parte alta da Rocinha, sem que haja intervenção de policiais da UPP. A assessoria de imprensa das unidades pacificadoras informou que a comandante da UPP da Rocinha, major Pricilla Azevedo, negou ter havido confronto no local envolvendo policiais na madrugada de quinta-feira.

Homem é obrigado a fugir da favela

Um homem foi obrigado a fugir da Rocinha na noite da última quarta-feira, por uma ordem do gerente do tráfico na parte alta da favela, Luiz Carlos Jesus da Silva, o Djalma. Na 15ª DP (Gávea), ele revelou que foi ameaçado porque “teve um relacionamento com uma menor, que seria uma das mulheres de Djalma”.

Ele registrou que fugiu a pé da parte alta da Rocinha até a passarela, na Autoestrada Lagoa-Barra, onde foi resgatado por PMs da UPP. Ele afirmou que “caiu numa ribanceira, andou em mata fechada, pulou muros e rolou escadas e ladeiras”. Por conta das escoriações, foi encaminhado ao Hospital Miguel Couto, de onde foi liberado. Agentes da 15ª vão identificar a namorada e convocá-la para depor.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

PM DA UPP É BALEADO POR BANDIDOS

O GLOBO 29/11/2013 - 13:20

Na segunda noite de tiroteio na Rocinha, PM da UPP é baleado por bandidos

Extra



Na segunda noite de tiroteios na Rocinha, Zona Sul do Rio, um PM da UPP foi baleado no rosto e na mão por bandidos. O Grupo Tático de Polícia de Proximidade (GTPP) do qual fazia parte so soldado Jaderson dos Anjos foi surpreendido por traficantes armados de fuzis por volta da meia-noite quando fazia patrulhamento no Beco do Máscara, na Rua 3, parte alta da favela. O PM foi atingido por estilhaços no rosto e nas mãos, mas passa bem.

Um PM que ajudou no resgate ao soldado fez contato com o EXTRA via WhatsApp (996441263) e afirmou que mais de 80 tiros foram disparados contra os policiais. Segundo ele, o reforço no policiamento do Batalhão de Choque na favela, não intimida os bandidos, porque os policiais ficariam no entorno da comunidade. Ontem de manhã, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais estiveram na comunidade, mas não trocaram tiros com bandidos.

Na noite anterior, dia da final da Copa do Brasil, vencida pelo Flamengo, moradores relataram que várias pessoas estavam na rua assistindo à final entre Flamengo e Atlético-PR quando tiros começaram a ser disparados na localidade conhecida como Roupa Suja. De acordo com as informações de moradores, o confronto foi entre bandidos.

— Havia muita gente na rua. Todo mundo se deitou no chão com medo. Os becos ficaram vazios. Depois de cerca de meia hora, parou. Mas o medo continuou — contou um deles.

Segundo o morador — que teme se identificar por medo de represálias, os bandidos circulam armados de pistolas, fuzis, metralhadoras e granadas na parte alta da Rocinha, sem que haja intervenção de policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP):

— A polícia mal sobe (o morro). Já faz tempo que isso acontece e ninguém faz nada. A Rocinha está uma terra sem lei, um terror.

A assessoria de imprensa das UPPs informou que a comandante da unidade da Rocinha, major Pricilla Azevedo, nega ter havido confronto no local envolvendo policiais na madrugada de quinta-feira.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

ARRASTÕES NAS PRAIAS DO RIO ASSUSTAM BANHISTAS


Batalhão de Choque e policiais da Core atuarão na segurança da orla. Medida foi tomada após arrastões que assustaram banhistas. Agentes atuarão em Copacabana, Ipanema, Leblon e Arpoador

CÉLIA COSTA
FÁBIO TEIXEIRA 
O GLOBO
Atualizado:21/11/13 - 20h40

Confusão e correria voltaram a assustar banhistas na Zona Sul nesta quarta-feiraMarcelo Carnaval / Agência O Globo


RIO - Policiais do Batalhão de Choque (BPChq) vão reforçar o patrulhamento na orla da Zona Sul nos fins de semana. Os agentes atuarão nas praias de Copacabana, Ipanema, Leblon e Arpoador. A medida, que já vale a partir de sábado, foi tomada depois de uma onda de arrastões assustar banhistas nos feriados da Consciência Negra e da Proclamação da República. Já a Polícia Civil anunciou que, além de atuar com uma delegacia móvel no Arpoador, homens da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) serão deslocados para Copacabana. Eles circularão em carros, reprimindo ações criminosas nos locais de maior incidência.

Outra medida anunciada pela Polícia Civil é a solicitação ao Conselho Tutelar da identidade dos responsáveis pelos menores apreendidos. Segundo a polícia, eles poderão responder criminalmente por abandono material. A Polícia Militar também vai solicitar a participação dos conselhos tutelares nas operações de revistas dos ônibus que têm como destino as praias do Rio.

Em nota, a Secretaria de Segurança informou que as decisões foram tomadas após um acordo entre o governador Sérgio Cabral, o Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o comandante da Polícia Militar, Luís Castro, a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, o comandante da Guarda Municipal, Leandro Matielli, o secretário municipal de Ordem Pública, Alex Costa, e o subsecretário de Assistência Social, Rodrigo Abel.

Nesta quinta-feira, uma reunião no 23º BPM (Leblon) avaliou a operação realizada nesta quarta-feira nas praias de Ipanema e do Leblon, na Zona Sul do Rio. Para o tenente-coronel Luiz Octávio Lopes, comandante do batalhão, o efetivo deslocado para a orla no feriado da Consciência Negra foi ideal:

— Foram 150 policiais distribuídos na orla, sendo que alguns à paisana na areia. Na primeira avaliação, vi que a atuação dos policiais foi de pronto atendimento nas ocorrências. Na hora da saída da praia, ainda tivemos o reforço de mais 30 agentes.

Segundo o tenente-coronel, o trabalho preventivo é um dos pontos da atuação da PM. No Arpoador, por exemplo, onde ocorreram vários saltos, os policiais distribuídos na areia tinham a função de identificar e perceber o comportamento dos grupos e antecipar a abordagem. O patrulhamento na orla da Zona Sul neste feriado do Dia da Consciência Negra foi reforçado por conta da onda de assaltos registrada no Dia da Proclamação da República, na sexta-feira.

Nesta quarta-feira, a Polícia Civil explicou que o objetivo da delegacia móvel, que funcionará em um ônibus, é facilitar o registro de ocorrências, já que muitas vítimas acabam deixando de fazer a queixa. Será montado também um trailer do Instituto Félix Pacheco (IFP) para identificação dos suspeitos. A medida já havia sido antecipada na coluna de Ancelmo Gois desta quarta-feira.

Nesta quarta-feira, uma série de roubos deixou cariocas e banhistas assustados e gerou corre-corre. Grupos agiam com violência para roubar cordões, bolsas e celulares de quem estava na areia. As ações ocorreram principalmente no Arpoador e no Leblon, na altura do Posto 11. Durante a tarde, duas turistas da Argentina foram atacadas por criminosos. Pela manhã, a vítima foi uma colombiana. Segundo o comandante do 23º BPM (Leblon), tenente-coronel Luiz Octávio, 15 pessoas foram detidas, a maioria por assalto na orla. Entre elas estão dois homens que haviam roubado o celular da turista da Colômbia. A PM, no entanto, nega arrastão.

Até as 20h desta quarta-feira, dois homens foram autuados por furto qualificado na 14ª DP (Leblon). Além disso, três menores foram apreendidos por furto e um por roubo. Duas crianças de 10 anos foram entregues ao Conselho Tutelar, após furtarem duas pessoas. Todas as ocorrências registradas estão sendo investigadas para identificação dos responsáveis pelos delitos.

FERIADO DE SOL, PRAIAS LOTADAS E ARRASTÕES

JORNAL DO BRASIL 20/11 às 19h24



Os cariocas tiverem neste feriado um cenário ideal para o lazer: muito sol e calor. As praias ficaram lotadas, mas vários 'arrastões' atrapalharam a tranquilidade dos banhistas.

Pelo menos três momentos de tensão, com muito corre-corre nas areias, foram, registrados nesta quarta-feira na praia do Leblon. Cerca de 12 pessoas foram presas, incluindo alguns menores.

Apesar das imagens gravadas por uma equipe de televisão, registrando o corre-corre, policiais do 23º Batalhão e a Polícia Civil negam que tenha havido arrastão e informam que 12 pessoas foram detidas até as 17h, a maioria delas por furto na orla.


JORNAL DO BRASIL 21/11/2013

Após série de 'arrastões', orla do Rio terá delegacia móvel


O governo do Rio de Janeiro promete instalar uma delegacia móvel na orla da Zona Sul, após os 'arrastões' ocorridos nos últimos feriados. Segundo o Bom Dia Rio, uma reunião no Comando da Polícia Militar ainda vai reavaliar a quantidade de policiais envolvidos na patrulha da região que envolve as praias do Leblon, Ipanema e Copacabana.

Segundo o Bom Dia Rio, a Guarda Municipal confirmou um aumento no número de agentes na orla carioca. O número vai subir para 400 agentes em toda a cidade, sendo 140 nas três praias da Zona Sul que registraram o maior número de ataques.

Uma reunião com os policiais que patrulhavam a praia nesta quarta-feira terá como objetivo identificar os pontos mais críticos da região. Pelo menos 15 pessoas foram detidas e levadas para a delegacia no feriado desta quarta, sendo que oito foram autuados por roubo, tentativa por roubo e desacato à autoridade.

O local da nova delegacia móvel ainda não foi definido pela Polícia Civil.

ARRASTÃO NAS PRAIAS DO RIO APESAR DO POLICIAMENTO


JORNAL DO BRASIL, 21/11/2013

Rio assiste perplexo e assustado ao retorno da violência. Cabral e Paes jogam a cidade de volta à década de 90


As cenas de violência que todos os cariocas achavam que tinham ficado no passado, voltaram com força total durante o feriado de quarta-feira (20/11). Retrato do desgoverno, da falta de ação de Cabral e Paes que jogaram a cidade num túnel do tempo e conseguiram resgatar os arrastões da década de 90, quando o Rio estava entregue ao crime. Os arrastões nas praias, dessa vez, não respeitaram nem a presença de policiais que tentavam inutilmente conter a onde de assaltos cometidos por vários grupos de deliquentes,muitos deles menores de idade. Polícia prende assaltantes na praia de Ipanema


Em resposta, as autoridades insinuaram a possibilidade dessas ações serem orquestradas por grupos de oposição ao governo. Se for, cabe a pergunta: onde estava a segurança da população? Onde estava o policiamento? Se realmente foi orquestrado, serviu de teste e o estado e a prefeitura foram reprovados. O que se viu nesta quarta foi também a continuidade de uma política de segurança que vem demonstrando seu esgotamento, que recentemente matou o pedreiro Amarildo, que vem sendo responsável pelo aumento da criminalidade em todos os bairros da cidade.

ARRASTÕES EM 1992 LEVAVAM PÂNICO ÀS PRAIAS DO RIOReprodução de matéria do Jornal do Brasil publicada em 19/10/1992

A política de segurança pública implantada por Cabral, com a criação das UPPs, seguiu no rumo fácil, correu para a mídia e o que se viu foram apenas belas imagens de hasteamento de bandeiras nos morros e favelas ocupados. Essas ações, mais pirotécnicas do que efetivamente de conquistas das áreas que antes estavam sob domínio do tráfico, trouxeram prestígio ao governador,mas não se sustentavam. Não houve um trabalho de desenvolvimento social, capacitação dos moradores, estímulo ao empreendedorismo, entre tantas outras ações.

A política de segurança falhou também por não capacitar os novos policiais militares que foram lotados nas UPPs e nem investir nas atividades de inteligência da PM, fundamental para combater o crime organizado. Como resultado, moradores das favelas insatisfeitos com a intervenção da polícia em suas rotinas e total incapacidade desses policiais para lidar com o crime, que não foi eliminado definitivamente nessas áreas. Da política de segurança restou apenas a esperança de se ter um Rio melhor, sonho que a cada dia que passa vai se esvaindo.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

PM DE FOLGA REAGE ASSALTO E MATA IDOSA


PM reage a assalto e mata idosa que estava dentro de igreja no Rio. Bandidos tentaram roubar carro do policial, que estava de folga, e houve tiroteio em Bonsucesso, zona norte

11 de novembro de 2013 | 10h 06

Adriano Barcelos - O Estado de S. Paulo



RIO - Um policial militar reagiu a um assalto na noite de domingo, 10, e acabou matando uma idosa que estava em uma igreja em Bonsucesso, zona norte do Rio.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Militar, o soldado Jorge André Felix de Santos, lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Turano, na zona norte, estava de folga na noite de domingo quando foi abordado por homens armados que anunciaram o roubou do automóvel.

O policial reagiu e houve tiroteio, ferindo a idosa que estava na igreja de Nossa Senhora de Bonsucesso. Maria Aldemir das Chagas Silva, de 77 anos, ainda foi socorrida e encaminhada ao Hospital Federal de Bonsucesso, mas não resistiu. A ocorrência foi encaminhada para a 21ª Delegacia de Polícia, mas a investigação deve ficar a cargo da Delegacia de Homicídios.

O TRÁFICO SENTIU O GOLPE E BUSCA ALTERNATIVAS


Secretário admite 'alguma migração' de criminosos por causa das 34 UPPs no Rio
17 de novembro de 2013 | 2h 03

MARCELO BERABA, WILSON TOSTA, RIO - O Estado de S.Paulo



Os últimos seis meses foram difíceis para o gaúcho José Mariano Benincá Beltrame, de 56 anos, secretário de Segurança do Rio desde 1.º de janeiro de 2007 e chefe de um dos projetos-chave do governo Sérgio Cabral Filho (PMDB), o das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).




Wiltonm Junior/Estadão
Beltrame diz que pode ficar no governo caso Pezão vença as eleições em 2014



Desde junho, o setor que o delegado da Polícia Federal comanda foi duramente submetido à prova por uma sucessão de problemas, crises e pressões. As manifestações de rua, marcadas pela violência, se estenderam até outubro, com acusações à Polícia Militar que variaram da omissão ao abuso. Na Rocinha, o desaparecimento do auxiliar de pedreiro Amarildo de Souza após ser preso virou um sombrio caso de sequestro e morte sob tortura perpetrado por PMs.

Recentemente, os índices de criminalidade voltaram a crescer depois de longo período de declínio: em agosto de 2013, os homicídios subiram 38% sobre o mesmo mês do ano passado. Apesar das dificuldades e de se dizer cansado, Beltrame, pela primeira vez, admite que, se for convidado, pode permanecer no cargo.

Nos últimos meses, Beltrame também precisou resistir a pressões para transferir o título eleitoral de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para o Rio, para tentar um cargo eletivo pelo PMDB no Estado.

Outra modificação importante foi a admissão pelo secretário de que "alguma migração" de criminosos da capital, por causa das 34 UPPs em comunidades pobres, pode ter causado aumento da criminalidade em cidades vizinhas. Beltrame afirma ainda que as passeatas representaram um fato totalmente novo para as polícias, até mesmo pelo uso, por manifestantes, de coquetéis molotov e outras armas, e questiona a ideia de que possam ser enfrentadas por meio de procedimentos "manualizados". "Eu já disse, até mesmo eu gostaria de estar na manifestação, com umas plaquinhas", brinca, sem revelar o que escreveria.

Depois de meses de queda, a criminalidade voltou a subir com força no Rio. O que está havendo? Tivemos, sem dúvida nenhuma, uma ação forte (da polícia) na capital. Tivemos uma opção pela UPP e também pelo controle de metas. Tínhamos de atacar essas duas frentes. Agora, o crime também, em uma cidade grande, pode buscar novas formas, outras alternativas. (Houve) Um pouco de migração (da criminalidade), pode ter também aí falha policial, falha na investigação, pode ter falha na supervisão, pode ter uma série de outros problemas. Mas o tráfico sentiu o golpe e pode estar procurando alguma outra maneira de suprir isso.

De que maneira essa reação do crime está impactando o programa de UPPs? Provoca algum tipo de mudança na estratégia? Não necessariamente. Em primeiro lugar, é dizer que o Estado entrou, não vai sair. Eu digo, isso que está acontecendo nas UPPs é a tirania procurando alguma coisa. Não viram uma entrevista em que o cara disse que o tráfico está perdendo dinheiro, que o tráfico está acuado, que isso é um desaforo? E isso não vai parar. Esses caras não vão entregar isso para nós de mão beijada. O que tem de fazer nesses casos é identificar as pessoas, ir lá e tirar. Mas nunca iludi ninguém de que isso seria uma solução. Acho que as pessoas precisam entender que temos hoje 9 mil policiais nesse programa, em torno de 230 comunidades ocupadas, que perfazem 34 UPPs. Isso em cinco anos. E esses 9 mil policiais não estão patrulhando a Nossa Senhora de Copacabana.

Procede a avaliação de que com as UPPs na capital houve uma grande migração de criminosos para municípios próximos, ao mesmo tempo em que tirou policiais dessas regiões? O quadro não é bem assim. Houve migração? Houve. Qual é o nosso calcanhar de Aquiles? É medir o tamanho dessa migração. As pessoas falam em migração e parece que chegaram cinco ônibus de bandidos em um lugar e tomaram conta. Só para ter uma ideia: em Niterói, tivemos, de janeiro a julho, em torno de trezentos e poucos presos... Trinta e poucos eram do Rio.

Em função dessa reação do crime nos últimos meses, pode acontecer alguma modificação no programa das UPPs? Todo planejamento é dinâmico. A gente, em 31 de dezembro, promete um monte de coisa: parar de fumar, parar de beber, emagrecer, e não consegue. Então, o planejamento tem uma margem que muda, mas não temos a intenção de mudar, vamos, até o fim do ano que vem, entregar as 40 UPPs e tem mais um número de UPPs planejadas. Agora, se tiver de fazer ajuste, a gente faz.

Houve um momento em que se juntaram números de aumento de criminalidade, problemas nas UPPs e manifestações de rua, que geraram muitas críticas à PM. Como o senhor avalia isso? A polícia tem de procurar o meio-termo. Se ela não faz, prevarica; e, às vezes, se faz, está sujeita a abuso de poder. Então, o meio disso aí é a solução. E como você chega ao meio, em um movimento totalmente caótico, em um movimento que não tem pessoas para você fazer interlocução e em um movimento totalmente novo? Nunca tivemos aqui pessoas mascaradas, coquetel molotov, estilingue incendiário, muito menos pessoas com rosto coberto. Então, teve aquele primeiro dia, em que 102 cidades do Brasil amanheceram quebradas. E acho que ali a polícia poderia ter agido melhor. Em contrapartida, tenho certeza que ela também evitou muita coisa. A polícia do Rio, de Choque, é uma das mais treinadas do País. O problema é que é uma situação totalmente diferente. Eu já disse, até mesmo eu gostaria de estar na manifestação, com umas plaquinhas, lá...

Com que placa? Não posso dizer agora, né?

Como o senhor analisa as acusações de que a Polícia Militar tem feito, nas manifestações, prisões sem prova, que levam à liberação dos acusados? Por que isso? Porque a legislação quer que tenha autoria e materialidade. Em uma situação caótica, você pode ver, em São Paulo, em outros Estados, é muito difícil. Teve um delegado que enquadrou com Lei de Segurança Nacional. Quando conseguimos pegar as pessoas com porrete com prego na ponta, com bombas, essas pessoas foram presas.

Quando manifestantes presos no Rio foram enquadrados na Lei de Organizações Criminosas, houve muitas críticas, dizendo que essa lei seria adequada para tratar de quadrilhas internacionais, envolvidas em tráfico transnacional de drogas, armas, pessoas. Houve exagero? O que vejo é (a necessidade de) uma adequação. O que estamos vendo são ações muito maiores do que o simples dano, e essas pessoas hoje estão sendo enquadradas no dano. É muito mais do que dano e menos do que organização criminosa, talvez. Mas, uma vez enquadrada, e a polícia trabalhando, nada impede que no transcorrer de uma investigação cheguemos a uma organização criminosa, ou a uma infiltração, ou à participação de outros atores.

Procedem as informações sobre a ação de ativistas ligados a partidos nas manifestações? Aí vai te falar um cara que tem 30 anos de inteligência: eu, sobre inteligência, não falo. Uma coisa é você ter a informação, outra coisa é você divulgar essa informação. Quem tem a informação é responsável pela salvaguarda dela.

Essa divulgação foi precipitada? Claro que foi.

E está prejudicando a investigação? Sem dúvida. Não é nada contra a imprensa, acho que a imprensa está no papel dela.

Um dos fatos que ajudaram a incendiar as manifestações foi o caso do Amarildo de Souza, ajudante de pedreiro desaparecido depois de preso pela PM na Rocinha. Como o senhor viu esse episódio? Muito ruim, muito triste, em especial para a família. Sem dúvida nenhuma chocou a todos nós.

Atingiu a imagem da UPP e da política de segurança? Na minha percepção, não. Porque teve ali um episódio isolado, teve uma ação da polícia representando o Estado, que apresentou os autores à sociedade, estão entregues à sociedade para responder por isso. E a gente mostrou que não tem corporativismo, tem oficiais presos, tem uma turma grande que foi apresentada à Justiça. E hoje (a Rocinha) é um lugar onde se investiga como em qualquer lugar.

Tudo indica que a morte de Amarildo foi resultado de uma sessão em que foi torturado. Por que a polícia do Rio não consegue se livrar do estigma da tortura? Acho que, em primeiro lugar, não dá para generalizar. Temos aí muitas prisões muito bem feitas. Acho que temos diariamente vidas que são salvas (pela polícia), anonimamente, ou pelo menos vocês não estão sabendo. Mas temos, sem dúvida nenhuma, uma história um pouco negativa nesse aspecto, que alguns policiais insistem, por vezes, nessa questão de abuso.

Vão achar o corpo de Amarildo? Como vou te responder isso? Tenho esperança que na Justiça, onde vamos ter o enquadramento da participação de cada um (dos PMs), tenhamos algum tipo de resultado.

O senhor até há pouco tempo dizia que seu sonho era, encerrado o atual governo, ir para a iniciativa privada. O senhor mantém essa disposição ou poderia aceitar continuar, se o vice-governador Luiz Fernando Pezão ganhar a eleição para governador no ano que vem? Se o Pezão ganhar, a gente pode continuar.

Esse 'pode continuar' é eleitoral ou é vontade? Não, não é nada eleitoral. Você tem horizontes aqui para a segurança pública que não terminam mais. Tem toda uma questão de educação, qualificação, preparo nas academias, tecnologia. A gente vê uma série de outras coisas que ainda faltam. O Rio tem uma história de violência. E talvez a gente perca uma geração para mudar esse patamar.

Passados sete anos, o senhor não está cansado? Cansado eu estou. Não tenha dúvidas de que cansado eu estou. Mas quem sabe, se eu ficar, o Pezão não vai me dar férias?

Foi difícil esse período que juntou Amarildo, manifestações, aumento da criminalidade e pressão grande sobre o senhor se candidatar? Difícil, não tenha dúvida. Muito difícil.

Na sua gestão, o senhor acha que o mais importante foi a UPP? O mais importante para mim, de tudo, foi a despolitização da secretaria.

Essa despolitização significa que o senhor não vai para a televisão pedir votos para o Pezão? Não estou pensando nisso, não estou pensando absolutamente em fazer campanha, não é comigo.