O Rio de Janeiro é o espelho do Brasil. O que ocorre no Rio de Janeiro fatalmente se transmitirá em cadeia para os outros Estados da Federação. As questões de justiça criminal e ordem pública não fogem desta regra. Portanto, é estratégico manter a atenção, estudar o cenário, analisar as experiências e observar as políticas lá realizadas, ajudando no alcance dos objetivos. A solução desta guerra envolve leis duras e um Sistema de Justiça Criminal integrado, ágil, coativo e comprometido em garantir o direito da população à segurança pública.

quarta-feira, 12 de março de 2014

AÇÃO ORQUESTRADA NO ATAQUE A CARRO DA PM


Ataque a carro da PM na Rocinha parece ação orquestrada pelo tráfico, diz comandante. Ataque foi flagrado no dia 25 de dezembro do ano passado

ANA CLÁUDIA COSTA 
O GLOBO
Atualizado:12/03/14 - 11h41


O momento em que o carro da PM foi cercado por moradores na Rocinha, que logo depois depredaram o veículo e atacaram policiais Marcelo Carnaval / Reprodução / TV Globo


RIO - O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Luís Castro, disse após analisar o vídeo feito na Rocinha, onde populares depredam uma da PM e agridem policiais, que as imagens mostram que parece ser uma atitude orquestrada pelo tráfico para dificultar a atuação dos policiais. O coronel aproveitou para parabenizar e elogiar a atitude dos policiais da UPP, que não reagiram às agressões e provocações em uma rua da Rocinha.

O ataque foi no último dia 25 de dezembro. O grupo de homens, que seriam “prestadores de serviço” do tráfico, atacou um carro da UPP. Cerca de 15 pessoas, todas sem fuzis ou pistolas, encurralaram um carro da PM numa via da favela, à luz do dia, e passaram a depredar o veículo: elas jogaram tijolos e quebraram os vidros laterais e traseiros do automóvel. Quatro dos manifestantes agrediram os policiais, que não reagiram. As cenas de agressão foram mostradas nesta terça-feira no “Jornal Nacional”, da Rede Globo. De acordo com a reportagem exibida, ações como essa seriam realizadas, a mando dos traficantes, para atrapalhar o trabalho da Unidade de Polícia Pacificadora no local.

As imagens foram gravadas pelas câmeras da UPP e do próprio carro da PM. A confusão teria começado depois da apreensão de uma mochila, com armas e drogas, pela equipe da Polícia Militar cercada. Depois de muita discussão, é possível ver um homem jogar dois tijolos no carro da unidade. Em seguida, ele empurrou e chutou um policial. O PM tentou prendê-lo, mas foi contido por uma outra pessoa. O vídeo mostra um rapaz de camisa verde-escura atingir o carro com uma pá. Foram oito golpes, que quebraram os vidros. Um outro jovem bateu no veículo com um cabo de vassoura, e mais tijolos acertaram o automóvel.

Quatro suspeitos identificados

A polícia já conseguiu identificar quatro suspeitos que, segundo o delegado, participaram do quebra-quebra. São eles: Alex Duarte Monteiro, de 21 anos; Clayton Vieira Alves, de 25, que teria jogado os tijolos no veículo e agredido um dos PMs; Jony Moreira de Lima, de 21 anos, que seria o rapaz que usou uma pá; e Leandro Oliveira Coelho, de 31, que teria, no início do tumulto, tentado conter os ânimos, mas, depois, participado do ataque.

O delegado informou que todos têm passagens pela polícia e que vai pedir a prisão deles por sete crimes.

APÓS ANÚNCIO DE OCUPAÇÃO, BAIRRO VIVE DIA DE ANSIEDADE E BARRICADAS


Vila Kennedy vive dia de ansiedade antes de chegada da UPP. Após anúncio de ocupação, moradores estão desconfiados com movimentação de pessoas estranhas. Há barricadas nos acessos aos pontos de venda de drogas

GUSTAVO GOULART
SÉRGIO RAMALHO
O GLOBO
Atualizado:12/03/14 - 12h28


Vila Kennedy vai receber a 38ª UPP do Rio - Alexandre Cassiano / Agência O Globo


RIO - O clima é de muita expectativa na Vila Kennedy após o anúncio de que o Bope e o Batalhão de Choque (BPChoque) vão ocupar a vila nesta quinta-feira para implantar a 38ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio. Barricadas podiam ser vistas nos acessos aos pontos de venda de drogas. Ao percorrer as ruas da Vila Kennedy, de carro e a pé, uma equipe do GLOBO viu pessoas ansiosas, desconfiadas de pessoas estranhas. A apreensão é grande entre moradores, temor explicado pelo vaivém de jovens em motos, que intimidam moradores e jornalistas.

Numa das ruas na Metral, comunidade do bairro, a equipe de reportagem foi abordada por dois homens enquanto fotografava um barreira improvisada com pedaços de concreto para impedindo o acesso de veículos. As barreiras se multiplicam num trecho da Vila Kennedy quase às margens da Avenida Brasil. Uma delas, feita com pedaços de madeira, ardia em chamas. Apesar de uma certa falta de tranquilidade, homens da Comlurb trabalhavam na limpeza de ruas, algumas com grande concentração de jovens circulando a pé ou em motos. Um comerciante, que pediu para não ser identificado, disse que desde o fim de semana traficantes estão impondo toque de recolher, sobretudo, na Metral.

Na noite anterior, a comunidade chegou a ficar sem luz. Durante a madrugada, traficantes que usavam motocicletas circularam armados pelas ruas da comunidade, deram tiros para o alto. Eles intimidaram comerciantes e moradores com ameças para aqueles que vierem a apoiar a pacificação.

Nesta quarta-feira, grupos de traficantes se preparavam para fugir em várias motocicletas. Eles se reuniram no seu quartel-general, na Rua Congo, para organizar a saída da comunidade. Sem se identificarem, alguns moradores falaram sobre suas expectativas.

— O nosso maior medo é das consequências de um tiroteio. O que as pessoas devem fazer? Era preciso haver uma orientação. Ficar em casa? Sair mais cedo para o trabalho? — perguntou um morador.

Uma disputa de traficantes por território tem amedrontado os cerca de 100 mil moradores da Vila Kennedy, um conjunto habitacional inaugurado há 50 anos na Zona Oeste, para onde foram levados moradores removidos de favelas de Botafogo e do Maracanã. A comunidade é atravessada pela Avenida Brasil. O bairro ainda tem característica de zona rural, com plantações de banana e aipim dividindo espaço com trechos de mata em morros, onde traficantes buscam refúgio. É nessa área, segundo moradores, que os criminosos ocultam armas, drogas e mantém acampamentos para escapar da ação policial.

Em fevereiro, houve diversos tiroteios na região. No último dia 23, três ônibus foram incendiados em uma manifestação de moradores, que chegou a interditar a Avenida Brasil e deixar mais de dois mil alunos sem aulas.

A disputa por território entre quadrilhas de traficantes tem com pano de fundo uma briga entre Aldair Marlon Duarte, o Aldair da Mangueira, nascido em Manguinhos, e Fábio Augusto de Souza, o Fabinho Noronha. Aldair decretou a morte de Fabinho por causa de uma desavença envolvendo a mulher do primeiro. Isso apenas reforçou o desejo de Fabinho de deixar sua facção, por se sentir desprestigiado na favela. Ele era visto com frequência conversando, na Vila Aliança, com o então rival Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, antes de sua morte, há nove meses. Em fevereiro, Marcelo Santos das Dores, o Menor P, sucessor de Matemático, teria dado apoio para Fabinho mudar de quadrilha.

Em meados de fevereiro, Fabinho, Felipe da Silva Caetano Costa, o Zebrião — atual “gerente-geral” da Vila Aliança —, e mais de 40 criminosos saíram da Aliança rumo à Vila Kennedy com roupas pretas e boinas. PMs informaram que eles ficaram dois dias na mata, junto à Vila Kennedy. Depois, conseguiram chegar até a Praça da Vila Kennedy, dando início a um tiroteio que durou todo o dia e incluiu PMs que já ocupavam o lugar.

Chefes já teriam fugido

Pouco antes da ocupação da Vila Kennedy, os gerentes do tráfico não estão mais no local, de acordo com o EXTRA. Segundo investigações da Polícia Civil, os membros mais altos da hierarquia do tráfico fugiram para a favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, Zona Norte da cidade. Um deles, já identificado pela polícia, é Max André Lopes Santos, de 29 anos, o Naya, que aparece numa imagem chefiando um bando de sete homens, armados com quatro fuzis e duas pistolas.

O antecessor de Naya à frente do tráfico na região também não está mais na Vila Kennedy. Fabinho Noronha foi expulso há cerca de duas semanas e se refugiou em Acari.

Iniciativa americana

A construção do conjunto habitacional teve origem num programa chamado Aliança Para o Progresso, criado pelo presidente americano John Kennedy para financiar projetos sociais na América Latina, a fim de combater o comunismo. O Brasil então assinou um acordo com os EUA e passou a integrar a lista dos países latino-americanos beneficiados. Vila Esperança seria o nome do novo bairro, mas foi mudado para homenagear o presidente dos Estados Unidos após a sua morte, em Dallas.

O governo resolveu aplicar os recursos vindos da União na construção de bairros proletários para pôr fim à favelização na Zona Sul da cidade. Havia uma área de 964.207 metros quadrados, entre o Distrito Industrial de Bangu e a Zona Rural de Campo Grande. Dona Rita lembra as dificuldades do momento. A Praça Miami, de acordo com Alex Belchior, foi batizada com esse nome em razão da visita do então prefeito da cidade americana à Vila Kennedy. Ele foi entregar entregar uma carta da viúva de John Kennedy, Jaqueline Kennedy, agradecendo a homenagem feita a seu marido.

terça-feira, 11 de março de 2014

EXÉRCITO PARA REOCUPAR O ALEMÃO


O Estado de S. Paulo, 10 de março de 2014 | 17h 33

Beltrame não descarta usar Exército para reocupar Complexo do Alemão. Nesta segunda-feira, uma operação foi realizada no local para cumprir 14 mandados de prisão contra suspeitos de ataques a policiais

Marcelo Gomes



RIO - Diante do recrudescimento da violência do tráfico nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, o secretário de Segurança do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, disse que não descarta a possibilidade de pedir ajuda ao Exército para reocupar o território. A Força de Pacificação do Exército permaneceu nos dois conjuntos de favelas até meados de 2012, quando foram inauguradas oito Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) na região.

Considerado o quartel-general do Comando Vermelho, os complexos do Alemão e da Penha foram invadidos pelas forças de segurança em novembro de 2010, após uma onda de ataques a ônibus e postos policiais que levou pânico à cidade. Nesta segunda-feira, 10, uma operação da Polícia Civil prendeu oito suspeitos de participação nos ataques à UPP Nova Brasília, à 45ª Delegacia de Polícia (em janeiro) e ao policial Rodrigo Paes Leme, de 33 anos, que foi morto na semana passada.

Enquanto as Forças Armadas atuaram no local, eram raros os episódios de violência e tiroteios com traficantes. No entanto, dois incidentes envolvendo militares que participavam da Força de Pacificação causaram desconforto nas autoridades: o sumiço de um fuzil do Exército, e o furto de uma chopeira e dos aparelhos de ar-condicionado das casas de dois moradores da favela.

No primeiro caso, o Inquérito Policial Militar (IPM) aberto pelo Exército para apurar o caso foi arquivado pela Justiça Militar em junho do ano passado, atendendo parecer do Ministério Público Militar (MPM). E no segundo episódio, conforme o Estado noticiou em julho de 2012, o primeiro-tenente Luiz Octávio de Goes Freitas foi o único acusado do crime. Ao Estado, o advogado do oficial disse que os objetos foram achados, e não furtados. O processo tramita na 4ª Auditoria da Justiça Militar no Rio. O militar responde em liberdade. A próxima audiência está marcada para 13 de maio, quando será ouvida uma testemunha da acusação.

Operação no Alemão. O objetivo da incursão desta segunda-feira, 10, era cumprir 14 mandados de prisão temporária contra suspeitos dos atentados à UPP Nova Brasília e à 45ª DP, ocorridos entre a noite de 28 de janeiro e a madrugada seguinte, e do ataque que resultou na morte do soldado Paes Leme na última quinta-feira, 6. Desde o início do programa de pacificação, em dezembro de 2008, dez PMs foram mortos em serviço em favelas com UPPs.

Entre os presos, está o segurança de uma estação do teleférico do Complexo do Alemão. Morador da comunidade, Marcondes Gomes de Oliveira era funcionário de uma empresa terceirizada que presta serviço à SuperVia, concessionária que opera o teleférico. Ele seria "olheiro" do tráfico, isto é, repassava aos criminosos informações sobre a movimentação da polícia na favela. Com ele, foi encontrado um celular com várias mensagens de traficantes fazendo perguntas sobre a operação desta segunda-feira no local.

Também foram presos Paulo Philipp Alves da Silva, o Filipinho, "gerente" da venda de drogas na localidade conhecida como Praça do Terço; Kleyton da Rocha Afonso, "gerente" da localidade Chuveirinho; Halan Marcilio Gonçalves, Cesar Silva Lima, o Cesinha; e Vinicius Cruz Macedo. Além dos adultos, dois menores foram apreendidos.

Entre os foragidos está Eduardo Fernandes de Oliveira, conhecido como 2D, que seria o atual chefe das bocas de fumo no Alemão.

"A operação desta segunda-feira, 10, foi um desdobramento da realizada no dia 12 de fevereiro, quando prendemos 16 pessoas nos complexos do Alemão e da Penha suspeitas de envolvimento nos ataques. A investigação vai continuar e em breve serão realizadas novas incursões para prendermos traficantes", afirmou o delegado Felipe Curi, da 45ª DP.

Mortes de PMs. O delegado Rivaldo Barbosa, da Divisão de Homicídios, declarou que o autor dos disparos que mataram o soldado Rodrigo Paes Leme na Favela Nova Brasília já foi identificado. Igor Cristiano Santos de Freitas, o Salgadinho, de 26 anos, não foi localizado nesta segunda-feira, 10, e é considerado foragido.

Barbosa disse ainda que o assassinato da soldado Alda Rafael Castilho, de 26 anos, lotada na UPP Parque Proletário, no Complexo da Penha, também já foi elucidado. O crime ocorreu no dia 2 de fevereiro. "Os três envolvidos neste crime já estão identificados e com a prisão decretada. São dois adultos e um menor. Vamos continuar as operações para prendê-los", prometeu.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

ESPECIALISTAS DEFENDEM MUDANÇAS NAS UPPS


Especialistas defendem mudanças nas UPPs após ataques

09 de dezembro de 2013 | 19h 33

MARCELO GOMES - Agência Estado



Após um fim de semana marcado por episódios de violência em três favelas pacificadas (Rocinha, Cidade de Deus e Lins), especialistas em segurança pública avaliam que é chegada da hora de ajustes no programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Os recentes ataques resultaram em pelo menos seis pessoas baleadas, sendo três policiais militares. Segundo os estudiosos, o principal é melhorar a interlocução com os moradores das comunidades, a fim de resgatar a confiança na polícia. Também é preciso convencer as pessoas que a política de pacificação será permanente.

"As UPPs nunca conseguiram ser vistas como polícia comunitária, que está ali para garantir a segurança dos moradores. Os policiais continuam a agir como uma força externa que foi colocada ali. Talvez o tráfico começou a sentir que há espaço para reagir, e esses episódios de violência cada vez mais comuns podem ser um sinal. Além disso, os moradores têm dúvida se o programa de pacificação vai continuar depois dos grandes eventos. Afinal, o Estado não tem recursos para ocupar todas as favelas da Região Metropolitana dominadas por traficantes ou milicianos", ressaltou o doutor em Sociologia Michel Misse e diretor do Núcleo de Estudos em Cidadania, Conflito e Violência Urbana (NECVU) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Na opinião do doutor em Sociologia Ignacio Cano, o programa de pacificação está passando por um momento conjuntural de crise. "Na medida em que as UPPs vão se expandindo, aumenta a possibilidade de algo sair do controle. Além disso houve a recente mudança na cúpula da PM por conta das manifestações e também o impacto do caso Amarildo, na Rocinha. Mas no longo prazo, o balanço ainda é positivo: a base do projeto, que é a redução da letalidade e a retomada do controle dos territórios dessas comunidades, continuam. As UPPs precisam ganhar a legitimidade da população. Na maioria das favelas, a relação com as pessoas ainda é tensa. Isso precisa melhorar", disse Misse, que é coordenador do Laboratório de Análise da Violência (LAV) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Desde o início do projeto de pacificação, em dezembro de 2008, sete policiais militares de UPPs foram mortos em serviço. Os primeiros quatro episódios ocorreram em 2012. Este ano, houve três mortes, todas no segundo semestre.

Para a Secretaria Estadual de Segurança, os três ataques no fim de semana não é uma estratégia orquestrada do tráfico, e sim casos isolados. Em nota, o órgão disse que nunca teve a ilusão de que não haveria reação ao longo do processo. "Os bandidos não vão entregar seu ''império'' de mão beijada. Mas o mais importante é que as Unidades de Polícia Pacificadora estão devolvendo os territórios aos seus verdadeiros donos, que são os moradores. Ainda temos desafios pela frente, mas uma coisa é certa: o Estado entrou para ficar e não vai sair mais", garantiu.

Ataques

No fim da noite de domingo, traficantes atiraram contra policiais que patrulhavam o Morro do Gambá, no Complexo do Lins, zona norte. Durante o confronto, um projétil atravessou o colete à prova de balas e feriu um policial no peito. Os criminosos fugiram. A UPP foi inaugurada no último dia 2. Na manhã do mesmo dia, um morador da Cidade de Deus, na zona oeste, foi baleado na cabeça durante uma confusão entre PMs da UPP e moradores. Os policiais foram checar a reclamação de uma festa com música alta, feita por um morador, quando foram recebidos a tiros por um homem armado. Ele foi perseguido e capturado. Revoltados, moradores atiraram diversas pedras na direção dos policiais. E em meio ao tumulto, uma pessoa foi baleada.

Na Rocinha, dois moradores e dois PMs foram baleados num intervalo de cerca de 12 horas entre a noite de sexta-feira, 06, e a manhã de sábado, 07. Pelas redes sociais, moradores relataram a ocorrência de diversos confrontos ao longo do fim de semana. Ninguém foi preso.

TIROTEIOS EM FAVELA COM UPP VOLTAM A ASSUSTAR O RIO


Tiroteios em favelas com UPP voltam a assustar zona sul do Rio. Aumento da violência coincide com saída da prisão de traficantes do Comando Vermelho

28 de janeiro de 2014 | 10h 29



Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo


RIO - Pacificados em dezembro de 2009, os Morros do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na zona sul do Rio, voltaram a registrar tiroteios constantes nos últimos seis meses. O recrudescimento da violência nessas comunidades, que têm cerca de 10 mil habitantes, ocorreu simultaneamente à libertação de traficantes do Comando Vermelho. Os confrontos já deixaram pelo menos dois suspeitos mortos e um policial militar baleado. Moradores e comerciantes de Ipanema e Copacabana estão aterrorizados: além do medo de balas perdidas, lojas nos dois bairros voltaram a ser obrigadas pelo tráfico a baixar as portas.

Os bandidos, que até então evitavam ostentar armas em público, voltaram a usar granadas e armamento de grosso calibre. O último tiroteio ocorreu na noite de sexta-feira, 24, quando policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) foram atacados na parte alta do Pavão-Pavãozinho, que voltou a abrigar uma boca de fumo. Um PM foi ferido de raspão no braço. A UPP pediu reforço do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Após varredura, foram presos dois homens, reconhecidos como envolvidos na troca de tiros. A dupla foi autuada por tentativa de homicídio.

A polícia já sabe que o chefe da venda de drogas na favela, Adauto do Nascimento Gonçalves, o Pitbull, de 33 anos, participou do confronto e conseguiu escapar. Nascido no Pavão-Pavãozinho, foi preso em 2008, quando apresentou aos policiais crachá de vigia das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na comunidade. Está foragido desde julho, quando passou para o regime semiaberto e não retornou à cadeia. "O efetivo da UPP foi dobrado. Agora estamos com 70 policiais nas comunidades em cada turno de 12 horas. Esperamos que os confrontos cessem. Desde sábado, 25, não tivemos nenhum problema", afirmou o coronel Claudio Lima Freire, subcomandante geral das UPPs.

Em outra troca de tiros na mesma localidade do morro, na madrugada de 17 de janeiro, morreu Patrick Costa dos Santos, o Cachorrão, de 25 anos. PMs disseram que ele estava com uma pistola. Santos tinha duas condenações por tráfico e obteve livramento condicional em outubro de 2012. Na manhã seguinte, grande parte do comércio não abriu as portas por causa do luto imposto pelo tráfico.

A outra morte ocorreu em outubro. Apontado como "gerente" da venda de drogas no morro, Thomas Rodrigues Martins, de 32 anos, foi baleado num confronto com PMs que durou cerca de 40 minutos. Preso em 2008, foi condenado por tráfico, mas acabou solto depois que o Tribunal de Justiça reformou a sentença e declarou extinta a punibilidade. Revoltados, moradores puseram o corpo de Martins numa maca e o colocaram no meio da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, uma das principais do bairro.

A 13ª DP (Ipanema) abriu inquérito para investigar o retorno do tráfico ao local. Oito pessoas envolvidas nos últimos confrontos foram identificadas e tiveram pedido de prisão feito à Justiça. É um retrocesso muito triste. "Estamos inseguros, apreensivos e com medo. Se o Estado não transformar aquelas comunidades em bairros integrados à cidade formal, com serviços e regularização fundiária, a UPP vai sair do controle. Não adianta só ocupar militarmente", disse Ignez Barreto, do Projeto de Segurança de Ipanema. Presidente da Sociedade de Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães concorda: "A segurança tem de estar presente. Mas é inquestionável que os serviços públicos precisam entrar nas comunidades".

Mais um caso. Na Rocinha, outra comunidade da zona sul protegida por UPP, um tiroteio assustou moradores e chegou a causar a interdição da Auto Estrada Lagoa-Barra, que contorna um trecho da favela, às 17h30 desta segunda, 27. Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, policiais foram recebidos a tiros quando faziam patrulha por uma área conhecida como Passarela. Eles revidaram e um suspeito foi baleado no peito. Encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto, o rapaz não corre risco de morte. Segundo policiais, com ele foi apreendido um carregador de pistola.

DOIS COMANDANTES DE UPP SÃO FERIDOS DURANTE CONFRONTO NA ROCINHA


O Estado de S. Paulo - Atualizado às 16 de fevereiro de 2014 | 13h 41


Dois comandantes de UPPs do Rio ficam feridos durante confronto na Rocinha. Moradores e policias dizem que dupla foi atingida por estilhaços de granada



SÃO PAULO - O comandante das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio, coronel Frederico Caldas, e a comandante da UPP local, major Priscila de Oliveira, ficaram feridos durante tiroteio ocorrido no fim da manhã deste domingo, 16, na Favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul. Moradores da favela e até mesmo policiais que participavam da operação relatam que Caldas foi atingido por estilhaços de uma granada durante o confronto ocorrido no fim da manhã. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora nega a informação, sustentando que o coronel "sofreu uma queda e teve escoriações leves" na cabeça quando tentava se abrigar. A princípio, o ferimento da major Pricilla tinha sido negado oficialmente, mas já foi divulgado que ela sofreu escoriação no pulso esquerdo.



Fábio Motta/Estadão
Marca de tiro em freezer de mercado após confrontos


Caldas foi encaminhado para o Hospital Central da Polícia Militar, onde foi medicado e segue em observação. O jornal comunitário Rocinha Notícias publicou no Facebook que os oficiais foram "atingidos por estilhaços de uma granada atirada em suas direções, quando se preparavam para dar uma entrevista no interior da favela". O policiamento na Rocinha foi reforçado com tropas de outras UPPs e dos batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope).

Policiais dos batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope) fazem incursões no morro em busca de traficantes. Em tiroteio ocorrido na madrugada, pelo menos dois homens ainda não identificados ficaram feridos e um suspeito foi preso. Bases da UPP foram atacadas. Um carro da PM também foi metralhado.

Barricadas. O Túnel Zuzu Angel, que liga os bairros de São Conrado e Gávea, na zona sul, foi fechado com barricadas de pneus em chamas. Assustados, moradores eram obrigados a voltar pela contramão. Um carro da PM foi atingido por tiros e sedes da UPP foram atacadas. Acionado, o Bope da PM chegou à Rocinha por volta das 5h.


O Estado de S. Paulo 16 de fevereiro de 2014 | 12h 31

Rocinha tem madrugada de tiroteios e falta de luz. Traficantes rivais entraram em confronto entre si e com a PM, atacando sedes de UPP; transformadores de energia foram atingidos e túnel foi fechado com barricadas


RIO - Moradores da Favela da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio, vivenciaram mais uma madrugada de medo e tensão neste domingo, 16. De acordo com a Polícia Militar, traficantes rivais entraram em confronto por volta de 3h30. Em seguida, houve tiroteio entre criminosos e policias da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da favela. Dois homens ainda não identificados foram baleados.

O Túnel Zuzu Angel, que liga os bairros de São Conrado e Gávea, na zona sul, foi fechado com barricadas de pneus em chamas. Assustados, moradores eram obrigados a voltar pela contramão. Um carro da PM foi atingido por tiros e sedes da UPP foram atacadas. Acionado, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM chegou à Rocinha por volta das 5h.

Transformadores de energia foram atacados durante o confronto e trechos da favela continuavam sem luz até o fim da manhã. A UPP da Rocinha foi inaugurada em 20 de setembro de 2012, mas os confrontos entre PMs e traficantes têm sido cada vez mais frequentes. Em julho do ano passado, o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza foi morto sob tortura por policiais da UPP após ser detido "para averiguação", apontou investigação da Polícia Civil. O corpo do morador nunca apareceu.



ZERO HORA 16/02/2014 | 14h24

Comandante de UPP se fere em novo tiroteio na Rocinha, no Rio de Janeiro. Corporação afirma que o coronel "se feriu por conta da queda, e não por estilhaço ou por disparo de arma de fogo"



O comandante das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio, coronel Frederico Caldas, ficou ferido durante novo tiroteio ocorrido no fim da manhã deste domingo, 16, na Favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul.

De acordo com o comando das UPPs, Caldas "caiu e bateu a cabeça quando tentava se abrigar". A corporação afirma que o coronel "se feriu por conta da queda, e não por estilhaço ou por disparo de arma de fogo".

Um jornal comunitário da Rocinha chegou a divulgar no Facebook, por volta de 12h40, que Caldas e a comandante da UPP local, major Priscila de Oliveira, tinham sido baleados quando se preparavam para dar uma entrevista. A Assessoria de Imprensa das UPPs negou a informação.

Caldas foi levado para o Hospital Central da Polícia Militar e ainda não há informações sobre o estado de saúde do coronel. Priscila não está ferida, segundo a PM.

Policiais dos batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope) fazem incursões no morro em busca de traficantes. Em tiroteio ocorrido na madrugada, pelo menos dois homens ainda não identificados ficaram feridos e um suspeito foi preso. Bases da UPP foram atacadas. Um carro da PM também foi metralhado.


AGÊNCIA ESTADO



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA
- A Guerra do Rio, uma guerra que nunca acaba...É a guerra mais longa do Brasil, não reconhecida oficialmente e nem resolvida pelos Poderes que existem para garantir a paz social no país.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

OPERAÇÃO NO MORRO DO JURAMENTO

Operação policial no Morro do Juramento deixa 6 mortos

TV Estadão | 04.02.2014



Ação foi planejada segunda-feira( 03.02), depois que uma denúncia anônima apontou que estava escondido naquela favela o veiculo usado pelos traficantes que atacaram a UPP Parque Proletário, no domingo (02.02)



FONTE

http://tv.estadao.com.br/videos,OPERACAO-POLICIAL-NO-MORRO-DO-JURAMENTO-DEIXA-6-MORTOS,225068,0,0.htm

CÓDIGO

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