O Rio de Janeiro é o espelho do Brasil. O que ocorre no Rio de Janeiro fatalmente se transmitirá em cadeia para os outros Estados da Federação. As questões de justiça criminal e ordem pública não fogem desta regra. Portanto, é estratégico manter a atenção, estudar o cenário, analisar as experiências e observar as políticas lá realizadas, ajudando no alcance dos objetivos. A solução desta guerra envolve leis duras e um Sistema de Justiça Criminal integrado, ágil, coativo e comprometido em garantir o direito da população à segurança pública.

terça-feira, 8 de abril de 2014

MILITARES SÃO ATACADOS EM QUATRO PONTOS. MOTOTAXISTA FOI BALEADO



O Estado de S. Paulo 08 de abril de 2014 | 7h 36

Marcelo Gomes

Militares são atacados em quatro pontos do Complexo da Maré. Um mototaxista foi baleado; em protesto, colegas interditaram a Avenida Brasil



RIO - Tropas das Forças Armadas foram atacadas por criminosos em pelo menos quatro pontos no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, entre a noite desta segunda-feira, 7, e a madrugada desta terça, 8.

Ocupantes de um Corolla preto efetuaram diversos disparos contra militares na Rua C4, na Vila dos Pinheiros, e também na Avenida do Canal 2, nas imediações da Avenida Brasil, na entrada do Conjunto Esperança. Nestes dois locais, os bandidos também atiraram contra pontos de mototáxis.

No segundo ataque, o mototaxista identificado Fabio da Silva Barros, de 28 anos, foi baleado. A tropa acionou uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que levou o ferido para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. A vítima está internada no Hospital Souza Aguiar (centro) e deverá ser submetida nesta terça a uma cirurgia. Revoltados, um grupo de mototaxistas chegou a interditar duas faixas da pista sentido zona oeste da Avenida Brasil, na altura da Maré.

Os militares também foram atacados a tiros por traficantes em dois pontos da Maré: na Baixa do Sapateiro e no Morro Timbau.

Em nota, o Comando da Força de Pacificação informou que "embora tenha ocorrida a pronta resposta pela tropa em todos os eventos citados, não foi possível realizar a detenção de nenhum integrante das organizações criminosas, tendo em vista que os mesmos realizavam os disparos e imediatamente se evadiam do local." De acordo com o Comando, o patrulhamento no complexo foi reforçado a partir dos ataques e do protesto.

Nesta segunda, na favela Vila dos Pinheiros, uma das comunidades atacadas, uma equipe de reportagem do Estado foi abordada por três traficantes, que determinaram que não fossem tiradas fotografias do local em que estavam.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

TRÁFICO SE MANTÉM NA MARÉ


ZERO HORA 07 de abril de 2014 | N° 17756



DEPOIS DE OCUPAÇÃO



Alvo de uma operação de segurança que hoje completa oito dias, o complexo de favelas da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, ainda abriga traficantes. O próprio comandante da Força de Pacificação, general de brigada Roberto Escoto, reconhece a presença do tráfico no local. Desde sábado, a ação envolve 2,7 mil agentes entre militares e policiais.

– Alguns bandidos abandonaram a Maré, mas outros continuam aqui – disse o general.

Segundo ele, os criminosos que permanecem na Maré estão sendo procurados tanto pelos militares que fazem policiamento ostensivo nas 15 favelas do complexo como por agentes do setor de inteligência, que têm tentado monitorar suspeitos.

O primeiro episódio de violência entre facções rivais após a ocupação dos militares aconteceu na manhã de ontem. Claudio de Brum dos Reis, 22 anos, foi espancado e jogado em uma vala. Chamados por moradores, os militares chamaram uma ambulância para prestar socorro ao rapaz. Nesse momento, integrantes de facções rivais se reuniram e houve uma tentativa de confronto, segundo o Exército.

Para evitar a briga e dispersar as pessoas, os militares dispararam tiros para o alto e usaram gás de pimenta. Ninguém foi preso.

Fora esse episódio, a presença dos agentes de segurança nos dois primeiros dias de ocupação dos militares praticamente não alterou a rotina das favelas. Com território de 10 quilômetros quadrados dividido entre duas facções criminosas (Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro) e uma milícia, o conjunto de favelas da Maré reúne 130 mil moradores.

domingo, 6 de abril de 2014

JOVEM É ESPANCADO E MORADORES ACUSAM EXÉRCITO DE OMISSÃO

FOLHA.COM, 06/04/2014 13h57


Jovem é espancado na Maré, e moradores acusam Exército de omissão


BRUNA FANTTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO



Na manhã deste domingo (6), um jovem da comunidade Nova Holanda foi espancado e arremessado em um valão por um grupo de adolescentes, moradores da favela Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré, na zona norte do Rio.

As duas comunidades são divididas por um valão de esgoto e dominadas por traficantes de facções distintas. De acordo com parentes de Cláudio Brum dos Reis, de 22 anos, o estudante pediu a militares do Exército para assistir a um jogo de futebol na área rival.

Após chegar ao local do jogo, foi abordado por adolescentes e agredido. Desde ontem, os militares do Exército ocupam o Complexo da Maré, através da Força de Pacificação.

"Era início da manhã, os soldados permitiram que ele fosse ao jogo e não fizeram nada quando ele foi espancado. Ele levou vários pisões na cabeça, deram muitos socos, só porque ele é morador daqui [Nova Holanda]. Tinha crianças na rua, pessoal andando de bicicleta, comércio aberto e eles não fizeram nada. Perguntei isso a um soldado e ele disse que não poderia se meter em briga de facção. Mas foram os próprios soldados que falaram para ele ir assistir ao jogo, que era seguro", afirmou a prima da vítima, Cássia Brum.


Forças de pacificação que ocupam as favelas da Maré, no total 2500 homens entre exercito e marinha

Ainda de acordo com as testemunhas, Cláudio, que é deficiente físico, foi arrastado e jogado dentro do valão que divide as comunidades. Ao tentar prestar socorro a Cláudio, os moradores foram impedidos pelos militares que solicitaram o serviço dos bombeiros.

"Nesse momento, como eles não deixavam a gente socorrer e já tinha passado quase meia hora que a ambulância não chegava, começou outra confusão, a gente se revoltou. Nisso, os militares deram três tiros para o alto e jogaram gás de pimenta na gente. Que segurança é essa que só serve para revistar? Quando a gente precisa de ajuda falam que não podem se meter.", desabafou outra prima de Cláudio, Jaqueline Oliveira.

A secretaria Municipal de Saúde ainda não informou o boletim médico de Cláudio, mas o adolescente está na sala vermelha do Hospital Municipal Souza Aguiar, onde ficam internados os pacientes em estado grave.

Segundo o major Alberto Horita, chefe da comunicação social da brigada paraquedista que está no Complexo da Maré, o caso será apurado. "Não existe ordem para não intervir em alguma briga. Pelo contrário, estamos aqui para garantir a lei e a ordem e prover a segurança. Vamos avaliar o que ocorreu nesse caso e as circunstâncias".

DESCONFIANÇA


O episódio da agressão e suposta omissão do Exército fez com que parte dos moradores da Nova Holanda criassem desconfiança no trabalho dos militares.

"Desde criança sei que não posso atravessar a rua do valão. Tive que tirar meu filho da Vila Olímpica pois ela fica na região da Baixa do Sapateiro. Pensei que algo fosse mudar, mas não. As brigas continuam. Na semana passada a PM entrou e um adolescente daqui morreu. Hoje, o Exército entra e meu primo é espancado. Só mudou uma coisa: antes as brigas eram de fuzil e, com a presença dos militares, eles brigam de facas e pedras", relatou Cássia.

Outro adolescente, que já participou de brigas e não quis se identificar, afirmou que não irá respeitar os militares. "Pensei que pudesse fazer uma diferença, pois eles são do Exército, e iria respeitar, esconder meu baseado, por exemplo. Mas agora, não. Vou fumar meu baseado aqui mesmo e se eles vierem falar comigo vou partir para cima, arrebentar na porrada. E te digo outra: não vão para o hospital, não. Será para o cemitério".

No último domingo (30), Vinícius Guimarães, de 15 anos, morreu após ser atingido por um tiro, durante uma briga entre adolescentes das duas comunidades.



TRÁFICO AMEAÇA QUEM COLABORAR COM AS FORÇAS MILITARES


Comandante da Força de Pacificação reconhece que ainda há bandidos na Maré. General diz que centro de inteligência tenta identificar os traficantes. Clima é tenso no primeiro domingo de ocupação das Forças Armadas. Militares tiveram que conter tumulto entre moradores de duas comunidades

ANA CLAUDIA COSTA 
O GLOBO
Atualizado:6/04/14 - 14h13


Veículos com militares do Exército percorrem ruas do Complexo da Maré Eduardo Naddar / O Globo


RIO - Militares da Força de Pacificação estão reunidos, desde o início da manhã deste domingo, distribuindo panfletos e pedindo a colaboração dos moradores do Complexo da Maré. Um carro de som circula na comunidade anunciando a chegada da Força de Pacificação, pedindo a atenção da população. No entanto, o clima é tenso. Sem se identificar e com discrição, moradores alegam que estão sendo ameaçados pelo tráfico e , por isso, não podem se aproximar da imprensa e dos soldados do Exército. O comandante da Força de Pacificação, general de brigada Roberto Escoto, reconheceu que ainda há bandidos escondidos na Maré.

— Sabemos que alguns bandidos abandonaram a Maré, mas ainda há presença de outros aqui. Além de atuar dentro da comunidade, nós temos um centro de inteligência com especialistas que vão trabalhar para identificá-los — afirmou Escoto.

Os militares tiveram que conter um confronto entre moradores da Nova Holanda e da Baixa do Sapateiro, antes dominadas por facções rivais. O tumulto começou quando o jovem Cláudio Brum dos Reis, de 22 anos, foi retirado ferido de um valão. Segundo parentes, ele é morador da Nova Holanda e saiu da cadeia há dois meses. Eles acreditam que o espancamento foi motivado pela rivalidade entre facções. Para controlar a confusão, soldados do Exército fizeram disparos para o alto e usaram gás de pimenta. O comércio está aberto, e são realizadas partidas de futebol na Vila Olímpica.

Patrulhamento está sendo feito 24 horas por dia

O comandante Escoto disse que o fato de o conjunto de favelas abrigar três facções criminosas exige uma mudança na tática de patrulhamento. A patrulha ostensiva será feita 24 horas por dia, a pé e em veículos - um total de 260, entre blindados, caminhões e motocicletas. O general acrescentou que vai utilizar uma tática chamada saturação de operação de patrulhamento, em que todas as ruas e vielas são vigiadas.

As tropas serão divididas em três bases, chamadas pontos fortes. Elas não serão fixas, mudarão de lugar frequentemente para evitar que a ronda fique estática. Escoto acompanhou o hasteamento da Bandeira Nacional na Praça do Dezoito, na Baixa do Sapateiro, atrás da Vila Olímpica.


Visita do prefeito na segunda

O prefeito Eduardo Paes adiantou que pretende fazer uma visita à comunidade ainda esta semana para conversar com os moradores. Ele contou ainda que pretende levar o programa Bairro Maravilha, além de construir nove escolas e duas clínicas. Mas frisou que já existem intervenções municipais na região.

— A prefeitura está presente na Maré há muito tempo, mesmo antes da minha gestão. O que faltava lá era a polícia — disse.

Ocupação por forças federais neste sábado

Neste sábado, ainda estava escuro quando os primeiros homens, empunhando fuzis e vestindo uniformes camuflados, se posicionaram nos principais acessos do complexo. Com o apoio de 20 veículos blindados, 2.750 militares de Exército, Marinha e PM levaram pouco mais de quatro horas para substituir os 300 homens da PM na região. Seis dias depois do início das ações de pacificação, as comunidades onde vivem 130 mil pessoas, cortadas por importantes vias expressas — como a Linha Vermelha, que liga o Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim ao Centro da cidade — tiveram o patrulhamento reforçado.

O planejamento traçado há quase duas semanas pelo Centro de Comando de Operações do Comando Militar do Leste (CML) foi seguido à risca. Não houve registros de disparo de tiros, mas bandidos chegaram a colocar carros roubados atravessados em ruas de acesso às favelas, para dificultar a entrada dos veículos blindados.

Preparados para situações extremas, fuzileiros navais e paraquedistas não tiveram dificuldades na ocupação. Os homens das Forças Armadas foram recebidos com frieza por moradores. A cautela pautou o discurso da maioria, que pedia anonimato. Na Rua Teixeira Ribeiro, um dos acessos à Favela Nova Holanda, onde aos sábados é montada uma feira livre, os comerciantes demoraram a levantar as barracas. Robertinho de Belém, vendedor de eletrônicos, estimou que o público da feira tenha caído 40%, ontem. Ele chega a faturar R$ 800 a cada dia de trabalho.

— Bem cedo eu liguei para os amigos para saber se teria mesmo a feira. O pessoal fica com medo, né? Mas está tudo na paz — disse ele.

A princípio, as Forças Armadas permanecerão na Maré até 31 de julho. O governador Luiz Fernando Pezão disse que os policiais que assumirão a 39ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), na Maré, ainda serão selecionados. E acrescentou que até a próxima sexta-feira haverá a formatura de 800 PMs e que o estado está abrindo concurso para contratar mais seis mil PMs. Pezão, o ministro da Defesa, Celso Amorim; o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; o comandante do CML, Francisco Modesto, e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, assinaram um termo de compromisso para a criação da Força de Pacificação — de apoio para a instalação da UPP no Complexo da Maré.

A movimentação dos militares na Maré começou às 3h30m de ontem. Na Nova Holanda, soldados do Exército revistaram carros e pedestres. Na mesma comunidade, na Rua Sargento Silva Nunes, e em vias do Parque União, moradores tentavam manter a rotina. A tradicional feirinha de sábado da Vila do João reuniu menos gente do que de costume. Bem cedo, os moradores que saíram para trabalhar já prenunciavam uma ação pacífica.

— Pode tirar o colete (à prova de balas), não vai ter tiroteio, não — disse um morador da Nova Holanda a um repórter do GLOBO.

Pinheiros: base da Marinha


Para a passagem do comboio das Forças Armadas em direção à Maré, a pista lateral da Avenida Brasil, sentido Zona Oeste, e as saídas 9B e 9C da Linha Amarela, sentido Fundão, ficaram bloqueadas das 3h30m às 6h30m.

O motorista de um pequeno caminhão de frete teve paciência: ao tentar chegar em casa, deparou-se com um comboio de fuzileiros navais vasculhando ruas da Nova Holanda. Ao lado de um muro grafitado com as inscrições da facção criminosa que dominava o local, o motorista disse preferir esperar para avaliar os efeitos da ocupação:

— Acho que as coisas vão melhorar, sim. Mas só o tempo vai dizer.

sábado, 5 de abril de 2014

APREENDIDO ARSENAL QUE IRIA ARMAR RESISTÊNCIA À PACIFICAÇÃO


PF apreende arsenal que iria armar resistência à pacificação no Rio. Material, escondido em caminhão frigorífico, seguia para a Maré e Manguinhos. Traficante Ilan Nogueira de Sales, o Capoeira, foi preso na operação

ANTÔNIO WERNECK 
O GLOBO
Atualizado:5/04/14 - 0h07



RIO - Numa das maiores apreensões de armas, munição e drogas feitas este ano no Rio, policiais federais conseguiram prender o traficante Illan Nogueira de Sales, o Capoeira, da mesma facção criminosa que comandou o tráfico de drogas nos complexos do Alemão e da Penha. O material estava escondido dentro de um caminhão frigorífico que transportava frango congelado do Paraná para o Rio. Capoeira foi capturado no momento em que recebia o veículo num posto de combustível da Rodovia Presidente Dutra, em Nova Iguaçu. A PF tem informações de que o arsenal reforçaria o poderio bélico da facção criminosa acusada de estar por trás dos ataques às UPPs e que resiste à pacificação nos complexos da Maré e de Manguinhos e na Favela do Jacarezinho.

A carga apreendida continha sete kit´s rajada de pistola glock (carregadores acoplados à pistola qe a transformam numa submetralhadora com 90 tiros). Além disso, a Polícia Federal apreendeu seis fuzis; 38 pistolas; 300 caixas de munições de pistolas; 80 caixas de munições de fuzil calibre 556; uma caixa de munição de fuzil calibre 762; 7.000 ( sete mil) frascos de lança perfume; 27 carregadores de fuzil; 91 carregadores de pistola; oito carregadores tipo "lata de goiabada"; e cinco quilos de haxixe.

Os federais também apreenderam, pela primeira vez no estado, uma novidade no material usado pelo crime organizado: adaptadores para transformar pistolas Gloks em submetralhadoras, multiplicando o potencial ofensivo da arma; além de equipamentos como mira de alta precisão para equipar fuzis.

Capoeira não estava só. Ele foi preso com Alan Faustino Duarte e Eliseu Pereira dos Santos, supostamente traficantes que faziam sua escolta. O caminhão era dirigido por Marcelo Muller. Com ele foram encontrados cerca de R$ 10 mil em dinheiro. Esse valor teria sido pago por Capoeira ao motorista. A munição ainda nas caixas e as armas recolhidas no caminhão teriam, segundo a PF, sido postas no caminhão no Paraná.

No momento da prisão, Capoeira usava documentos falsos, em nome de Michel Garcia de Souza. Mesmo artifício usado por Alan, que tentou esconder sua identidade com documento em nome de Anthony dos Santos. O caminhoneiro mora em Cascavel, no Paraná. A participação de Eliseu está sendo investigada. Ele mora num prédio de classe média na Rua Alberto de Campos, em Ipanema. Todos foram autuados em crimes de tráfico de drogas e armas.

Segundo investigações da PF, Illan chegou a comandar os morros do Sereno, da Fé e da Caixa D’Água, que ficam no Complexo da Penha, e já pacificados. Capoeira era procurado pelos policiais do estado desde 2012, quando foi apontado como chefe da ação de resgate do traficante Diogo de Souza Feitoza, o DG, que estava preso na 25ª DP (Engenho Novo). A operação aconteceu em 4 de julho daquele ano.

Capoeira, diz a PF, seria o braço direito do traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB, preso em 2011. Ele teria participado do grupo que, em agosto de 2008, sequestrou três chineses e um diplomata vietnamita nas Paineiras. Capoeira, ainda de acordo a polícia, participou,em 2009, da morte sargento Joaquim Chaves, na Praça da Cruz Vermelha, e esteve na tentativa de invasão ao Morro dos Macacos, quando traficantes derrubaram um helicóptero da polícia.

FORÇAS ARMADAS OCUPAM COMPLEXO DA MARÉ


Pacificação: Forças Armadas ocupam o Complexo da Maré. São 2.750 homens do Exército, da Marinha e da Polícia Militar. Casas estão sendo revistadas em Nova Holanda. Clima é de tranquilidade. A previsão é que as tropas federais fiquem no local até 31 de julho

ANA CLÁUDIA COSTA (EMAIL·FACEBOOK·TWITTER)
LEONARDO BARROS (EMAIL·FACEBOOK·TWITTER)
EMANUEL ALENCAR (EMAIL·FACEBOOK·TWITTER)
VERA ARAÚJO (EMAIL)
CAROLINA RIBEIRO(EMAIL)
O GLOBO
Atualizado:5/04/14 - 14h24

Tropas do Exército patrulham as ruas do Complexo da Mare / Ivo Gonzalez / O Globo


RIO - Os 2.750 homens das Forças Armadas e da Polícia Militar ocupam o Complexo da Maré. São 2.050 militares da Brigada Paraquedista, 500 fuzileiros navais e 200 policiais militares, que entraram neste sábado, seguindo um planejamento elaborado há quase duas semanas pelo Centro de Comando de Operações do Comando Militar do Leste (CML) do Exército. Os militares vieram em blindados preparados para situações extremas, caso os traficantes quisessem entrar em confronto com a Força de Pacificação. Eles substituíram, por volta das 8h, os 300 policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque que entraram na Maré semana passada.

— Estamos selando uma nova ação de apoio à seguranca do estado do Rio. É uma missão de apoio, temporária, como naturalmente devem ser as participações das Forças Armadas em questões de segurança pública, mas que será desempenhada com todo empenho e dedicação, como já ocorreu no passado, na ocupação do Complexo do Alemão — disse o ministro da Defesa, Celso Amorim, que com o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, assinou o documento oficial para a criação da Força de Pacificação do Complexo da Maré.

Além de Amorim e Pezão, participaram da cerimônia o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e o comandante militar do Leste, Francisco Modesto. Há cerca de duas semanas, o governo estadual e o Ministério da Defesa já haviam firmado acordo para a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na região, com a finalidade de iniciar o processo de pacificação do conjunto de 16 favelas na área.

A movimentação começou por volta de 3h30m. Caminhões e jipes do Exército passaram pela Avenida Brasil e Linha Vermelha e, em seguida, pararam nas principais vias. Não há registro de confrontos e o clima é de tranquilidade. Todos os veículos que passam pelas vias estão sendo revistados.

Na Rua Teixeira Ribeiro, um dos acessos à comunidade Nova Holanda, onde aos sábados é montada uma feira de alimentos e de produtos de construção, os comerciantes demoraram a levantar as barracas. Robertinho de Belém, vendedor de eletrônicos, estima que o público da feira tenha caído 40%. Ele chega a faturar R$ 800 por sábado.

— Cheguei a ligar para os amigos para saber se teria feira. O pessoal fica com medo, né? Mas está tudo na paz — disse.

Também na Nova Holanda, militares do Exército revistam as casas. Na Rua Sargento Silva Nunes, na comunidade, e em outras vias do Parque União, moradores mantêm a rotina. Bem cedo, eles saíram para trabalhar e disseram que não haveria confronto.

— Pode tirar o colete (à prova de balas), não vai ter tiroteio, não — disse um morador ao repórter do GLOBO.

Apesar da tranquilidade, os moradores ainda não sabem se a ocupação surtirá o efeito esperado.

— Acho que as coisas vão melhorar, sim. Mas só o tempo vai dizer — afirmou outro, que também preferiu não se identificar.

De uma maneira geral, os moradores estão com medo de comentar o assunto.

— Você acha mesmo que eles (os traficantes) foram embora? — indagou uma moradora.

Uma companhia da PM ficará a serviço das Forças Armadas. A Marinha instalará uma base na Vila dos Pinheiros. A previsão é que as tropas fiquem no local pelo menos até o dia 31 de julho. Ainda hoje será divulgado um número de telefone para que os moradores façam denúncias anônimas.

Favelas divididas por facções

Os militares assumiram as operações de busca a criminosos, drogas e armas. Equipes do Exército e da Marinha se dividiram nas favelas de acordo com o território ocupado anteriormente pelos bandidos. A Brigada de Paraquedistas do Exército está na Nova Holanda e no Parque União. Os fuzileiros navais e uma parte do Exército ficaram na Vila dos Pinheiros, Vila do João, Salsa e Merengue, cujo chefe do tráfico era o bandido Menor P, já preso. Na Roquete Pinto e na Praia de Ramos, estão também tropas do Exército. Tanques dão suporte às tropas.

Na sexta-feira, o clima nas favelas era de tensão e medo. Um morador disse que o tráfico permanece no local:

— Traficantes armados circulam pela Salsa e Merengue.

Denúncias anônimas de moradores estão ajudando a polícia a encontrar esconderijos de armas e drogas. São bilhetes e sinais passados discretamente porque a população das comunidades ainda convive com traficantes armados. Nesta sexta-feira, um policial contou que, à noite, a movimentação de bandidos, na região conhecida como Divisa, é grande:

— A situação não está sob controle.

Para a passagem do comboio das Forças Armadas em direção à Maré, a pista lateral da Avenida Brasil, sentido Zona Oeste, e as saídas 9B e 9C da Linha Amarela, sentido Fundão, ficaram bloqueadas das 3h30m às 6h30m.

Anfíbios da Marinha estão na Maré

Os 500 fuzileiros navais da Marinha, deslocados para a operação, já estão atuando no patrulhamento e em pontos estratégicos em comunidades da Maré com o objetivo de proteger pessoas e patrimônio, além de preservar a ordem pública. Foram utilizadas 12 viaturas blindadas da Marinha, sendo dois Carros Lagarta Anfíbio (CLAnf) e 10 do tipo Piranha III C, além de um helicóptero modelo Seahawk MH16. Os CLAnfs são de fabricação norte-americana, pesam 23 toneladas e têm capacidade para 25 militares armados e equipados para realizar operações anfíbias.

Nos veículos há duas metralhadoras: uma calibre .50 e outra, lançadora de granadas MK-19, de calibre 40mm. Além da capacidade de se deslocar na água, a partir dos Navios Anfíbios da Marinha, pode deslocar-se em terra com uma velocidade de até 72,4 Km/h. Tem autonomia de cerca de 483 Km em terra e de 7h em água.

Já os carros Piranha III C pesam 18,5 toneladas e transportam 13 militares armados. Ele possui autonomia de 700 Km e utiliza uma metralhadora capaz de comportar diferentes calibres. Além de ser um carro anfíbio, também trafega em terra, mesmo que todos os oito pneus estejam furados. Os integrantes do Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais, como a maioria dos paraquedistas do Exército, têm experiência nas Missões de Paz do Haiti. Eles também atuaram na ocupação dos complexos do Alemão, da Penha, de São Carlos e do Lins, e ainda nas favelas da Rocinha, do Vidigal, da Chácara do Céu, da Mangueira, Jacarezinho, Barreira do Vasco e Caju.

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terça-feira, 1 de abril de 2014

O DIA SEGUINTE



ZERO HORA 11 de abril de 2014 | N° 17750


TEXTO HUMBERTO TREZZI IMAGENS FERNANDO GOMES | RIO DE JANEIRO



OCUPAÇÃO NA MARÉ


O dia seguinte




Um dia após a ocupação do Complexo da Maré por tropas militares, as 16 favelas próximas ao aeroporto Tom Jobim (ex-Galeão) foram invadidas por um exército de garis. Eles passaram a segunda-feira fazendo capina, recolhendo detritos e entulhos e limpando bueiros e brinquedos nas praças.

A Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) do município usou, para isso, 10 caminhões basculantes, três pás mecânicas e duas caçambas. O número de garis fixos na Maré tinha caído de 130 para 70, nos dias anteriores à ocupação, por temor de tiroteios.

A Maré produz diariamente 205 toneladas de resíduos, sendo 129 lixo domiciliar, 24 lixo das ruas e 52 toneladas de entulho. O poder público também instalou papeleiras para lixo em toda parte.

Em um outro front, o governo estadual se prepara para incrementar outras medidas de cidadania. A tática é tentar conquistar corações e mentes da comunidade, até agora dominada por traficantes. Os moradores receberão, gratuitamente, carteiras de identidade e de trabalho e poderão se cadastrar para legalizar a situação das contas de água, luz e telefonia, já que muitas são irregulares.

– Devemos implementar várias dessas medidas nos próximos 15 dias – anuncia o secretário estadual de Assistência Social, Pedro Fernandes.

Tropas fizeram vistoria beco a beco, viela por viela

A segunda-feira foi de consolidação militar do território ocupado pela PM e Polícia Civil domingo, no Complexo da Maré. Tropas do Batalhão de Operações Especiais (Bope), munidas de armamento pesado que incluía metralhadoras antiaéreas russas Mini-MI, fizeram uma vistoria beco por beco, viela por viela, atrás de traficantes. Estavam preparados para emboscadas – um informe interno da PM alertava para a possibilidade de represália dos bandidos pela perda de território – mas nenhum confronto ocorreu. Os “caveiras” do Bope encontraram dois carros roubados e depenados, mas não prenderam ninguém. Já na região da Maré controlada pela facção criminal Terceiro Comando Puro (TCP), policiais do Batalhão de Choque encontraram, com ajuda de cães, drogas, munição e rádios transmissores. O material estava escondido numa casa que outrora funcionou como creche.

A novidade maior foi a do “fogo amigo”. Um fato ocorrido ontem pode ajudar a explicar por que a ocupação da Maré se deu sem que os cabeças do tráfico fossem encontrados. É que seis policiais militares foram presos ontem, acusados de ligação com o bandido Marcelo dos Santos das Dores, o Menor P, um ex-paraquedista do Exército que chefiava o tráfico de drogas em 11 das 16 favelas do Complexo da Maré.

Os policiais atuavam na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, situada no outro lado da cidade, na Zona Oeste. Eles anteriormente tinham trabalhado na Zona Norte, na região da Maré. Conforme a Polícia Federal, que realizou as prisões, os PMs avisavam os traficantes sobre a iminência de operações policiais. Os seis PMs seriam também ligados ao traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, que chefiava o crime organizado na Rocinha e está preso. Nem e Menor P são de facções diferentes (o primeiro, da Amigos dos Amigos, o segundo do TCP), mas parecem receber cobertura do mesmo grupo de policiais. Ao todo, foram sete PMs e um agente penitenciário presos em dois dias, por relações com o tráfico.