O Rio de Janeiro é o espelho do Brasil. O que ocorre no Rio de Janeiro fatalmente se transmitirá em cadeia para os outros Estados da Federação. As questões de justiça criminal e ordem pública não fogem desta regra. Portanto, é estratégico manter a atenção, estudar o cenário, analisar as experiências e observar as políticas lá realizadas, ajudando no alcance dos objetivos. A solução desta guerra envolve leis duras e um Sistema de Justiça Criminal integrado, ágil, coativo e comprometido em garantir o direito da população à segurança pública.

domingo, 29 de março de 2015

TRÁFICO RESISTE OCUPAÇÃO MILITAR NA MARÉ



O DIA 28/03/2015 23:46:21


Tráfico resiste após um ano de ocupação militar na Maré. A dois meses da substituição das Forças Armadas pela PM , comunidade faz avaliação


Francisco Edson Alves




Rio - No dia 5, a Força de Pacificação do Complexo da Maré completa um ano de ocupação. A data antecede os dois últimos meses em que tropas do Exército, Marinha e Aeronáutica ficarão por lá. Em junho, elas serão substituídas por mais de 1,4 mil policiais militares. A iminente saída dos militares — são três mil por dia — é esperada num clima misto de alívio, ansiedade e apreensão.

A presença dos soldados, segundo analistas, garantiu ações sociais jamais vistas na comunidade. Por outro lado, não conseguiu inibir a sangrenta disputa por bocas de fumo entre traficantes de duas facções criminosas: o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro.

No Complexo da Maré, o maior conglomerado de favelas do Rio, com 16 comunidades, moram mais de 130 mil pessoas. A maioria delas vive a expectativa da mudança. “Se os traficantes ignoraram os militares, com seus tanques e blindados de combate gigantes e armados com fuzis e pistolas (seriam mais de cinco mil armas), vão respeitar a PM?”, questiona o comerciante X., de 45 anos, que diz estar “cansado de presenciar” tiroteios entre quadrilhas, “mesmo com militares observando tudo a distância”.

“Vamos sentir falta. Ruas e escolas foram recuperadas, bandidos importantes foram presos e horários e altura do som dos bailes funk e de pagode, disciplinados”, pondera o motorista Y., 53.

Traumatizados e com medo de que os confrontos se intensifiquem, muitos moradores estão deixando o complexo. É o caso de Maria do Socorro Viana de Araújo, 40, que acusa soldados do Exército de terem executado seu filho, Felipe de Araújo Vieira, 23, com um tiro de pistola à queima-roupa no peito, no dia 20 de janeiro, na Vila dos Pinheiros.

Felipe é uma das 30 pessoas — incluindo um cabo do Exército — que morreram em 11 meses na Maré em confrontos ou em circunstâncias ainda não esclarecidas. Mais de cem ficaram feridas (51 militares).

Maria do Socorro garante que uma testemunha viu Felipe, que nunca teve envolvimento com o crime, sendo assassinado durante abordagem dos militares. “Ela prestou depoimento na Delegacia de Homicídios, mas ninguém foi preso. Os soldados, que não socorreram meu filho, passaram a me ameaçar na porta da minha casa. Estou indo embora daqui, onde nasci, para não morrer como meu filho”, justifica.

Embora, por questões estratégicas, o Comando Militar do Leste (CML) evite comentar o assunto, as tropas deixarão para a PM um mapeamento de acessos difíceis em todo o território, de dez quilômetros quadrados. Novos caminhos foram abertos e outros ficaram livres de barricadas do tráfico, feitas de barras de ferro, concreto e carcaças de carros.

A presença das Forças Armadas terá custado, no fim das contas, R$ 432 milhões ao governo federal, o equivalente a R$ 1,2 milhão por dia. Agora, o desafio será do governo estadual.


Críticos dizem que dinheiro foi mal usado

Educadores e representantes de entidades de Direitos Humanos, criticam a ocupação da Força de Pacificação. “Não mudou absolutamente nada. É impossível querer mudanças com atitudes de guerra. Os tiroteios na porta da minha escola continuam quase diariamente. Na semana passada, por exemplo, por três dias, os alunos tiveram que ficar abaixadas nas salas de aula com medo de balas perdidas”, argumenta Yvonne Bezerra, do Projeto Uerê, ONG que atende 470 crianças com traumas de violência na Baixa do Sapateiro.

“Os R$ 432 milhões poderiam ter sido investidos em escolas, creches, quadras de esportes e postos de saúde. Intervenções armadas só geram mais violência”, diz o advogado do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos, João Tancredo.

Para Edson Diniz, diretor da ONG Redes da Maré, há até boa intenção e esforço dos militares para uma aproximação com a comunidade. “Mas as tropas, preparadas para proteger fronteiras, são vítimas também do quadro atual. Estão como peixes fora d’água”.

CML destaca ‘boas ações’

O delegado da 21ª DP (Bonsucesso), Delmir Gouveia, elogia as tropas na Maré. “Prenderam 570 suspeitos de crimes, entre eles, líderes importantes do tráfico, como Fabiano de Jesus, o Zangado, do TCP, irmão de Marcelo das Dores, o Menor P. Com a ajuda dos militares, também prendemos outros, como Eduardo da Silva, o Avião, maior fornecedor de cocaína do Comando Vermelho, e identificamos dezenas de bandidos”, comenta.

Em nota, o Exército lamentou a morte do cabo Michel Mikami, de 21 anos, por traficantes, em novembro, e diz ter instaurado 17 inquéritos para apurar supostas condutas irregulares e abusos de soldados.

“Além de coibir a violência, o trabalho dos militares e dos órgãos envolvidos visa também criar condições para a entrada do poder público”, diz o texto, citando algumas ações realizadas, entre elas a Justiça Itinerante, a recuperação de instalações escolares, a pintura da Vila Olímpica da Maré e a liberação de vias para a mobilidade urbana, além de encontros periódicos com líderes comunitárias e ONGs.

Tiros e perna amputada

O estoquista Vitor Santiago Borges, 29, é outro que vai embora da Maré. No dia 12 de fevereiro, o carro em que estava, com quatro amigos, foi fuzilado por soldados do Exército na Favela Salsa e Merengue. O motorista não ouviu a ordem de parar numa blitz.

Baleado com tiros de fuzil 762 no tórax e na perna esquerda, Vitor, ainda hospitalizado, teve o membro amputado. Em vídeo no Facebook, ele garante que não voltará para a comunidade. “Está muito violenta”, justifica.

A vendedora M., 43, mudou-se do Parque União com o marido e três filhos ano passado. Paga agora R$ 1,9 mil de aluguel num bairro da Zona Norte. “Alugamos nosso imóvel na Maré, onde meu irmão (de 37 anos) já foi vítima de bala perdida no ombro, por R$ 800. Ele também foi embora. O complexo, por falta de investimentos sociais e da própria falta de educação de boa parte da população, é uma fábrica de bandidos”, opina.

quinta-feira, 26 de março de 2015

AGENTE SOCIAL TORTURADO CONSEGUE ESCAPAR DO MICROONDAS

O DIA 26/03/2015 13:05:27

Agente do Degase foi torturado por 16 horas em favela de Bangu. Homem que seria queimado no chamado 'microondas' conseguiu escapar. Sindicato defende porte de arma fora das unidades para a categoria

Christina Nascimento



Funcionário do Defase foi torturado no Morro do 48, em Bangu. Ele conseguiu fugir antes de ser executado Foto: Leitor O Dia

Rio - O agente do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), sequestrado por criminosos quando voltava para a casa, em Bangu, foi torturado por 16 horas, até conseguir fugir. Durante esse tempo, ele ficou amarrado numa árvore, no alto do Morro do 48, no mesmo bairro, com os braços presos com fios e a cabeça enrolada em fita adesiva. Além de levar coronhadas, chutes e socos, a vítima ainda teve que se deitar para que os bandidos passassem três vezes por cima dele de moto. Pouco antes de conseguir se desamarrar, numa distração do grupo, ele já tinha recebido a ‘sentença’: seria queimado, no chamado microondas, no início da noite.

O drama de X., que é lotado no Educandário Santo Expedito (ESE), em Bangu, começou por volta da meia-noite de terça-feira. Ele tinha deixado o plantão na unidade, onde naquele dia havia ocorrido uma rebelião, quando foi abordado por dois jovens, com pistolas, que estavam em motocicletas. O agente foi cercado em frente a um posto de gasolina, a poucos metros de casa, e foi obrigado a seguir numa das garupas. Um dos menores disse para X. que o reconheceu como sendo funcionário do Degase e que, por isso, o levaria para dentro da comunidade. O adolescente era ex-interno e tinha cumprido medida socioeducativa no ESE.

Durante o período em que ficou amarrado, X. ouviu conversas dos criminosos, por telefone, com o chefe do tráfico do morro, que pertence a facção Comando Vermelho. Os bandidos queriam autorização para matá-lo. A permissão foi dada, e o grupo decidiu que ele seria morto, às 18 horas, queimado. O agente, que trabalha há apenas um ano no sistema Degase, também ficou sabendo pelos bandidos que eles acompanhavam a rotina de alguns funcionários.

X. conseguiu escapar por volta das 16 horas, quando policiais do 14º BPM (Bangu) se preparavam para entrar na comunidade para resgatar o agente. Preocupados com a presença dos militares, os criminosos o deixaram sozinho, o que facilitou sua fuga. Ele está internado para fazer exames, mas está decidido a não voltar mais casa. Para o presidente do Sind Degase, João Luiz Pereira Rodrigues, o caso, além de extremamente grave, mostra a fragilidade na segurança dos agentes. Ele defende o porte de arma fora das unidades.


Após tortura, agente do Degase está decidido a não voltar mais para casa Foto: Leitor O Dia

“Vivemos a rotina do medo. Esse agente nasceu de novo. A realidade não permite que nossos funcionários fiquem circulando sem ter como se defender. Se ele tivesse armado, pelo menos teria como reagir. Temos diversos colegas que estão sendo assassinados todos os anos no país. Em 2013, no Rio, perdemos três colegas. É preciso tomar uma atitude. Dentro da unidade, precisamos do EPI (Equipamento de Proteção Individual), para que não ocorra como na rebelião do Santo Expedito. Naquele dia, os agentes tiveram que correr para a rua porque os menores estavam com armas improvisadas”, alertou ele.


sábado, 28 de fevereiro de 2015

O MORRO AGORA TEM VEZ

REVISTA ISTO É N° Edição: 2361 | 27.Fev.15


Pacificação de favelas reduz índices de criminalidade, leva o poder público a recuperar o controle das comunidades pobres e transforma para melhor a vida de milhões de moradores


Eliane Lobato




Durante décadas, o Rio de Janeiro defrontou-se com o enfraquecimento progressivo das instituições públicas ao mesmo tempo que o reordenamento de forças criminosas constituía um poder paralelo, ávido por ocupar o espaço deixado pelas autoridades. Nesse processo, o carioca conheceu a submissão política e a corrupção de agentes da lei, que resultaram na transformação do Rio em uma das cidades mais perigosas do Brasil. Isso, porém, está ficando para trás. O divisor de águas aconteceu em 2008, um ano após o governador Sérgio Cabral (PMDB) assumir o Estado e criar, com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, um corajoso projeto de retomada de controle das comunidades pobres. Em 19 de dezembro daquele ano foi instalada a primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), no Morro Santa Marta, em Botafogo, na zona sul. Até agora, são 38 unidades espalhadas pelas favelas cariocas. E Beltrame anuncia outra novidade: a UPP do asfalto, como são chamadas as CIPPs, sigla das Companhias Integradas de Polícia de Proximidade. A primeira foi cravada na terça-feira 24, na Tijuca. “Esse é o desfecho do programa de polícia pacificadora”, diz Beltrame. “UPPs nos morros e CIPPs embaixo, todos alinhados numa política só.”



A expectativa é de que até 2018 as CIPPs tenham se transformado em referência no País. “Vamos otimizar o efetivo para ter mais qualidade”, disse, em nota, o comandante-geral da PM, coronel Alberto Pinheiro Neto. Já o projeto das UPPs será encerrado com 44 ou 46 unidades, segundo Beltrame. Para resumir o benefício que a iniciativa levou às áreas pobres, basta dizer que o índice de homicídios dentro nas favelas com UPPs é de oito por 100 mil habitantes, abaixo até do que a ONU considera aceitável (dez homicídios por 100 mil). O secretário Beltrame diz que a consolidação desse trabalho só será possível com o que chama de UPP social, que consiste em um processo conjunto com escolas, creches e hospitais. Beltrame está exultante com a criação de uma Comissão Executiva de Monitoramento e Avaliação da Política de Pacificação (CEMAPP). A nova entidade tem a missão de planejar a ocupação social das favelas, em parceria com o governo federal, ONGs, entidades internacionais e o setor privado. “As UPPs não são só um projeto de segurança, mas uma política de Estado que traz esperança para a população”, diz o secretário.

Seria ingênuo dizer que as favelas pacificadas se tornaram paraísos imunes à ação dos criminosos. Dispostos a reaver territórios e a desmoralizar a polícia, de tempos em tempos traficantes entram em ação para disseminar a violência. Uma das táticas é dar tiros a esmo e tentar, assim, lembrar os moradores dos anos de medo e tirania. “Os criminosos querem que os moradores pensem que a UPP foi embora”, diz Beltrame. A estratégia, garante ele, não tem funcionado. “A principal facção criminosa do Rio está esfacelada, o Comando Vermelho não tem mais um comando e nas áreas ocupadas não há mais uma liderança”, diz o secretário. Trata-se, enfim, de um vitória de toda a cidade.


NAS ALTURAS
Teleférico no Complexo do Alemão, onde funcionam quatro UPPs (topo)
e o secretário Beltrame: símbolos da luta contra o tráfico

A maior ofensiva contra o tráfico de drogas foi no Complexo do Alemão, que reúne 15 favelas e recebeu quatro UPPs com a união de forças estaduais e federais, algo inédito no País. Antes da pacificação, o Alemão era estratégico para o tráfico. Ali funcionava o QG do Comando Vermelho, que controlava a circulação de moradores e impedia o acesso da polícia ao morro. Após as UPPs, o Alemão se tornou um lugar diferente. O símbolo dessa nova fase é o bondinho inaugurado em 2011. Além de atrair uma legião de turistas, ele serve como meio de transporte para os moradores. Agora todos podem desfrutar de um lugar que, depois de muitos anos, conseguiu deixar a rotina da violência para trás.

Fotos: Marcelo Regua/UOL; Fernando Frazão/Agência Brasil

sábado, 31 de janeiro de 2015

BALAS PERDIDAS?

REVISTA ISTO É N° Edição: 2357 | 30.Jan.15


Depois da bem-sucedida implantação das UPPs, a violência volta a assustar o Rio de Janeiro, com a volta do crime organizado nas áreas onde o Estado não está presente

Rogério Daflon




Não bastasse o aumento da criminalidade, e consequente insegurança, o primeiro mês do ano chega ao fim com uma estatística apavorante no Rio de Janeiro de uma vítima de bala perdida por dia. Até a sexta-feira 30, a região metropolitana contabilizou 31 pessoas atingidas – cinco delas morreram. O termo bala perdida foi criado pela imprensa carioca e adotado pela estatística oficial em 2007, a partir de um pedido do atual secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Não à toa. O ano de 2007 se mantém com o pior índice, com 279 pessoas baleadas e 21 mortas. Em 2009, após a implementação da política das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), o número de mortos foi quase três vezes menor, à semelhança do que ocorreu com outros crimes. Mas o aumento das balas perdidas em 2015, somado ao volume maior de crimes violentos e ações policias desastradas, põe em xeque a própria UPP, um projeto de sucesso na fase de implantação, e expõe a crise por que passa a segurança pública no Estado. O segundo passo das UPPs, que seria ocupar os morros com o Estado – escolas, espaços culturais, postos de saúde –, não veio e a criminalidade está se reorganizando. “A situação é delicada, porque melhorar os procedimentos da polícia comunitária é muito difícil numa situação tensa”, diz a antropóloga Alba Zaluar, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos.


INSEGURANÇA
Acima, os pais do estudante Alex Schomaker, Andrei e Mausy
- morto num assalto aos 23 anos - durante sua formatura póstuma
na segunda-feira 26. Abaixo, cariocas se protegem de tiroteio



Para Alba, a grande quantidade de balas perdidas tem relação direta com o recrudescimento dos confrontos armados entre traficantes e policiais, em áreas com UPPs como a Favela da Rocinha, na zona sul, e o Complexo do Alemão, na zona norte, e em outras partes da metrópole sem ocupação. Em entrevista à IstoÉ, o secretário José Mariano Beltrame disse que, numa crise aguda como essa, a pressão toda recai sobre a polícia, mas há outras ações a serem feitas. Dois anos após a primeira e bem-sucedida UPP do Morro Santa Marta, na zona sul, a chamada UPP social, administrada pela Prefeitura do Rio, anunciou que faria um trabalho com os jovens, a fim de evitar que eles fossem novamente cooptados pelo tráfico de drogas. “Se você perguntar para a UPP Social e até para o governo federal, eles vão dizer que fizeram um trabalho nesse sentido, mas nada que tivesse surtido o efeito desejado”, diz Beltrame. Segundo o secretário, governo do Estado e prefeitura não tiveram celeridade para implementar serviços públicos nas áreas ocupadas. “Falta velocidade dos outros setores do poder público no Rio. Quando se leva segurança para essas áreas, é para se garantir o ir e vir também do caminhão do lixo, do médico da família, da assistente social”, diz o secretário.


"Falta velocidade dos outros setores do poder público no Rio"
José Mariano Beltrame, secretário de Segurança

Os pais do estudante Alex Schomaker, assassinado aos 23 anos com quatro tiros no dia 8 de janeiro, numa tentativa de assalto em Botafogo, na zona sul do Rio, consideram que o Estado está ausente. “O Estado matou meu filho. O lugar onde ele foi morto está sempre mal iluminado, sem poda de árvores, e isso tem sido reivindicado há muito tempo. A UPP criou uma falsa ilusão de segurança no Rio”, disse a mãe, Mausy Schomaker. O casal foi à formatura do filho na segunda-feira 26, que se formaria em ciências biológicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fizeram questão de sentar nas fileiras reservadas aos formandos, pegar o certificado de conclusão de curso de Alex e ler uma carta para ele. A cerimônia, no Instituto de Biologia, se transformou em uma homenagem ao jovem, com um painel de fotos dele ao fundo. Num dos momentos mais emocionantes, todos cantaram e disseram: “Eu sou Alex”. A cientista social Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes, diz que a indignação com a violência mostra que a indiferença da sociedade está diminuindo.

Na visão do cientista político João Trajano, do Laboratório de Análise de Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o problema é que, nas UPPs, a lógica da política se sobrepõe à dos profissionais de segurança pública. “Em 2015, teremos 40 UPPs no Rio. Elas têm sido feitas de maneira intempestiva”, diz Trajano, ressaltando a hipótese de as UPPs promoverem a migração de bandidos para outras áreas da capital e da região metropolitana.




Fotos: Alexandre Cassiano/Ag. O Globo; Vítor Silva/Futura Press

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

TIROTEIO VOLTA A ASSUSTAR O RIO E BALA PERDIDA ATINGE MAIS UMA PESSOA

Policiais em operação neste domingo no Complexo do Alemão, conjunto de favelas na zona norte do Rio
O DIA 27/01/2015, 13:35:05

Tiroteio volta a assustar moradores no Complexo do Alemão . Teleférico do conjunto de favelas teve que ser paralisado

Luarlindo Ernesto


Rio - Uma intensa troca de tiros volta a assustar moradores da Fazendinha, no Complexo do Alemão, na Zona Norte, na manhã desta terça-feira. Segundo as primeiras informações, o teleférico teve que ser paralisado. Há informações, ainda não confirmadas, de que um menor teria sido atingido por disparos. O tiroteio acontece nas proximidades da base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade.

De acordo com a asessoria das Unidades de Polícia Pacificadoras, "no fim da manhã desta terça-feira policiais da UPP Nova Brasília realizavam patrulhamento no interior da comunidade quando foram recebidos a tiros por criminosos. Os agentes revidaram e os suspeitos fugiram. Até o momento, não há registro de feridos"

O policiamento está reforçado na região e equipes estão realizando buscas em toda área do complexo.

Madrugada tensa no conjunto de favelas

Na madrugada desta terça-feira, um adolescente de 16 anos foi ferido nas costas após uma intensa troca de tiros entre policiais da UPP da Fazendinha e traficantes. O jovem está internado no Hospital Estadual Getúlio Vargas (HGV), na Penha. Ele teve que ser submetido a uma cirurgia e está em observação. A vítima pode ser a 18 pessoa ferida por bala perdida nos últimos 10 dias na Região Metropolitana, segundo levantamento do DIA .

De acordo com o Comando de Polícia Pacificadora (CPP), os PMs foram recebidos a tiros por bandidos durante um patrulhamento na localidade conhecida como Inferno Verde. Após o confronto, os marginais fugiram. Pouco tempo depois, o adolescente deu entrada baleado no HGV. Em nota, a PM esclareceu que que nenhuma base da UPP foi atacada. As armas dos militares foram apreendidas pela Polícia Civil. O comando da UPP Fazendinha determinou a abertura de uma averiguação sumária. O caso está sendo analisado na 22ª DP (Penha).

No hospital, o irmão mais velho do adolescente, que preferiu não se identificar, disse que ele foi ferido depois da troca de tiros entre PMs da UPP e bandidos. Como a situação já teria acalmado, o grupo em que a vítima estava resolveu voltar para a praça onde conversava antes do confronto. Foi ouvido um barulho de um disparo de arma de fogo isolado e em seguida o menor tombou atingido nas costas.

Fiquei nervoso, não sabia o que fazer. Não deixei ele dormir, porque ele estava querendo fechar o olho", disse o irmão no HGV. Segundo ele, confrontos acontecem na Fazendinha, mas que eles ocorreram pelo menos três vezes em uma semana.

Ainda segundo o irmão, a vítima foi socorrida de carro por um morador e levada para o HGV. A Polícia Civil investiga em que circunstância o adolescente foi ferido, sua identificação e se tem antecedentes criminais. Até às 3h, não havia definição se o caso seria registrado na 22ª DP ou na 45ª DP (Alemão).

Relembre as outras vítimas

26/01

Sandra Costa dos Santos, 58 anos, ferida na cabeça quando dormia, em Bangu

25/01

Adrienne Solan do Nascimento, 21 anos, morreu baleada na Rocinha.

25/01

Lilian Leal de Moraes, 13, ferida em Costa Barros na guerra entre traficantes.

25/01

Wilian Dias, 24 anos, Marcelo Marques dos Santos, 42, Milton dos Santos Mota, 56, e Norman Maria Silva Rego, 53, feridos em Mesquita durante tiroteio.

24/01

Caio Robert Carvalho Rodrigues, 15, baleado ao visitar amigos em Niterói.

24/01

Uma mulher e um adolescente ficaram feridos em tiroteio no Juramento.

23/01

Edilton de Jesus dos Santos, 20, atingido dentro do Parque Madureira.

22/01

Lavínia Crissiullo, 3, ferida no Estácio.

22/01
William Robaiana, 35, baleado em Santa Cruz.

20/01

Márcia Costa, 44, ferida em Bangu.

18/01

Asafe Ibrahim, 9, baleado no Sesi de Honório Gurgel, morreu dias depois.

17/01

Carlos Eduardo Rodrigues de Paula, 33, atingido por tiro em Bangu.

16/01


Larissa de Carvalho, 4, morreu após ser atingida por bala perdida ao sair de restaurante em Bangu.

domingo, 25 de janeiro de 2015

INTENSO TIROTEIO ENTRE TRAFICANTES COM ARSENAIS DE GUERRA NO MORRO DO JURAMENTO

Do R7 24/1/2015 às 11h14


Mulher é baleada durante intenso tiroteio no Juramento e PM faz operação na comunidade da zona norte do Rio. Vítima foi ferida de raspão na perna e levada para UPA da região





Comunidade sofre com guerra do tráfico Rede Record

Policiais do Batalhão de Irajá (41º BPM) fazem uma operação no morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, zona norte do Rio, na manhã deste sábado (24), após um intenso tiroteio na comunidade durante a madrugada. Segundo a Polícia Militar, o COE (Comando de Operações Especiais) dá apoio à ação.

A PM também confirmou que uma mulher foi atingida por uma bala perdida, em Vaz Lobo, e socorrida na UPA da região. Ela foi ferida de raspão na perna. Em uma semana, já são oito vítimas de balas perdidas no Rio de Janeiro.

Durante a ação, policiais do Bope apreenderam 11 fuzis e diversos carregadores numa região de mata na comunidade. Houve registro de confronto.


11 fuzis e diversos carregadores foram apreendidos por policiais do Bope durante a operação Divulgação / Polícia Militar

Nas redes sociais, por volta das 8h, moradores relataram que escutaram sons de tiros, bombas e granadas.

Segundos testemunhas, na praça Vicente de Carvalho, motoristas voltaram na contramão assustados com os tiros.

Desde o último final semana, a comunidade sofre com a guerra do tráfico. De acordo com a polícia, o bando do traficante Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, tenta invadir o morro do Juramento e é responsável pelos recentes confrontos na região.

Apesar do tiroteio, o Metrô Rio informou que as linhas 1 e 2 funcionam normalmente.

De acordo com o BRT, a estação Vicente de Carvalho também está aberta.

Traficante Playboy

O traficante Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, é o chefe do tráfico de drogas do morro da Pedreira. Ele é apontado como o responsável pelo roubo de 200 motocicletas do depósito do Detro, no dia 31 de dezembro.

O traficante é um dos bandidos mais procurados do Rio. O Disque-Denúncia oferece R$ 50 mil para quem tiver informações sobre o criminoso.



Do R7

Polícia encontra corpo de chefe do tráfico de drogas após operação no Juramento, zona norte do Rio. Segundo agentes, Flavio Silva Mendonça foi localizado na UPA da região





Suspeito era procurado pelos crimes de roubo e homicídio Divulgação

A Polícia Militar confirmou a morte de um traficante após uma operação no morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, zona norte do Rio, neste sábado (24).

Em depoimento na Delegacia de Vicente de Carvalho (27ª DP), os policiais contaram que localizaram o corpo de Flavio Silva Mendonça, o "Flavinho do Juramento", na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Ricardo de Albuquerque.

Flavio era procurado pelos crimes de roubo e homicídio. O Disque Denúncia oferecia uma recompensa de R$ 5 mil por informações que levassem à captura do criminoso.

Desde o último final semana, a comunidade sofre com a guerra do tráfico. De acordo com a polícia, o bando do traficante Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, tenta invadir o morro do Juramento e é responsável pelos recentes confrontos na região.

Vítima bala perdida


A PM também confirmou que uma mulher foi atingida por uma bala perdida, em Vaz Lobo, após o intenso tiroteio entre facções rivais, no Juramento. Ela foi ferida de raspão na perna e socorrida na UPA da região. Em uma semana, já são oito vítimas de balas perdidas no Rio de Janeiro.

Apreensão

Durante a operação policial, neste sábado, o Bope apreendeu 11 fuzis e diversos carregadores numa região de mata na comunidade.

sábado, 24 de janeiro de 2015

EM CINCO DIAS, CINCO PESSOAS VÍTIMAS DE BALAS PERDIDAS

REVISTA VEJA 23/01/2015 - 10:13


Criminalidade. Em 5 dias, 5 pessoas são vítimas de balas perdidas no Rio. Menina de 3 anos foi atingida na perna nesta quinta. Desde sábado, duas crianças morreram na cidade após serem baleadas na cabeça





O garoto Asafe William de 9 anos, foi atingido por uma bala perdida enquanto estava no Sesi de Honório Gurgel, subúrbio do Rio de Janeiro (Reprodução)

Uma menina de 3 anos foi baleada na perna direita na noite desta quinta-feira, em Cidade Nova, no centro do Rio, aumentando para cinco o número de pessoas atingidas por balas perdidas na cidade desde sábado. Um homem que estava em um ponto de ônibus na Zona Oeste também foi baleado também nesta quinta.

A menina, que brincava na calçada em frente à sua casa, foi levada para o Hospital Central da Polícia Militar com uma bala alojada na perna. Ela apresentava quadro de saúde estável na manhã desta sexta. De acordo com a Polícia Civil, houve um tiroteio entre policiais e acusados de tráfico perto do local. De acordo com a delegada responsável pela investigação, as armas dos policiais que participaram da operação foram recolhidas para perícia. Moradores protestaram após a menina ter sido atingida.

Pela manhã, William Robaiana da Silva, de 35 anos, foi baleado quando esperava um ônibus na Avenida Cesário de Melo, perto da estação Cesarão do BRT. Ele buscou atendimento sozinho, embarcando em uma van, mesmo ferido. Foi internado em estado grave, com uma perfuração no fígado, e submetido a cirurgia.

No domingo, um menino de 9 anos teve o olho esquerdo perfurado por uma bala em um clube do Serviço Social da Indústria (Sesi) em Honório Gurgel, na Zona Norte. Ele morreu na quarta-feira. No sábado, uma menina de 4 anos foi baleada na cabeça ao sair de um restaurante com os pais em Bangu, na Zona Oeste. Ela morreu no domingo. Também no sábado, Carlos Eduardo Rodrigues, de 33 anos, levou um tiro quando caminhava para uma lanchonete na Vila Aliança, na Zona Oeste. Até esta quinta-feira ele permanecia internado.