O Rio de Janeiro é o espelho do Brasil. O que ocorre no Rio de Janeiro fatalmente se transmitirá em cadeia para os outros Estados da Federação. As questões de justiça criminal e ordem pública não fogem desta regra. Portanto, é estratégico manter a atenção, estudar o cenário, analisar as experiências e observar as políticas lá realizadas, ajudando no alcance dos objetivos. A solução desta guerra envolve leis duras e um Sistema de Justiça Criminal integrado, ágil, coativo e comprometido em garantir o direito da população à segurança pública.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

BALA PERDIDA EM TIROTEIO MATA MENINA DE 10 ANOS

FOLHA.COM. 05/07/2012 - 16h34

Menina é vítima de bala perdida em tiroteio entre ladrões e PMs


 
ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO

Um tiroteio entre três ladrões de carro e dois policiais militares terminou com uma menina, de dez anos, vítima de bala perdida na noite de quarta-feira (4), no Jabaquara (zona sul de São Paulo).

A garota brincava no quintal da casa de um amigo de seu pai, na rua Magdeburgo, quando um Corsa que havia acabado de ser roubado de uma analista foi encurralado por dois PMs do 3ë Batalhão.

Ao perceber que não tinham mais como escapar do cerco dos policiais, os três ladrões começaram a atirar contra os policiais militares, segundo o que eles narraram à Polícia Civil e à Corregedoria da PM.
Os PMs também disparam, mas nenhum dos ladrões foi ferido. Os três criminosos fugiram a pé e o Corsa foi recuperado.

Logo após o fim do tiroteio, os moradores da rua Magdeburgo começaram a suspeitar que a bala que atingiu a menina no abdome partiu da arma de um dos dois policiais militares. Uma pistola.40 do soldado Eric de Almeida foi apreendida pela Polícia Civil para perícia. O soldado não foi localizado pela reportagem até o momento.

A menina está internada no Hospital Municipal Arthur Ribeiro de Saboya, onde foi operada. Seu estado é considerado grave.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

CRACOLÂNDIA E ARRASTÕES NA LAPA

Além de roubos, frequentadores da Lapa convivem com tráfico e uso de drogas a céu aberto . Semana passada, o grupo teatral Tá na Rua, do ator Amir Haddad, teve sua sede na Mem de Sá invadida e seu equipamento de som roubado

Thiago Jansen
O GLOBO 3/07/12 - 22h45



Movimento intenso numa rua da Lapa no fim de semana: a venda e o consumo de drogas acontecem a céu aberto, sem repressão da PM ou da Guarda Municipal Pedro Kirilos / O Globo


RIO - Eram cerca de 22h30m da última sexta-feira quando aproximadamente dez mil pessoas se reuniam na Praça Cardeal Câmara, em frente aos Arcos da Lapa, para acompanhar o show gratuito da cantora Daniela Mercury, seguido de um espetáculo de projeções sobre o símbolo maior da região. Próximo dali, jovens de diversas idades começavam a lotar a Travessa do Mosqueira, uma entre as tantas ruas do local com depósitos de bebida e bares. “Vai pó, vai maconha?”, perguntou um garoto, menor de idade, sem qualquer inibição, quando o repórter do GLOBO chegou à esquina da Rua Joaquim Silva, a um quarteirão de distância dos policiais militares e dos guardas municipais que patrulhavam a Avenida Mem de Sá.

A situação, corriqueira, de acordo com testemunhas, ilustra o atual estado da Lapa, berço da boemia e da malandragem cariocas, local de grande circulação de turistas e onde assaltos, venda e consumo de drogas ainda são frequentes, apesar do policiamento e das obras de revitalização na região, transformada oficialmente em bairro há quase dois meses.

Arrastões são outra preocupação

Semana passada, como noticiou a coluna de Ancelmo Gois no GLOBO, o grupo teatral Tá na Rua, do ator Amir Haddad, teve sua sede na Mem de Sá invadida e seu equipamento de som roubado. Foi a segunda vez em menos de dois meses — a aparelhagem tinha sido doada pela atriz Fernanda Montenegro, sensibilizada pelo primeiro roubo, em maio. “Esses dois assaltos nos deixaram estarrecidos, nos jogaram na realidade. Lamentamos viver assim”, disse Haddad, pouco depois do segundo caso, traduzindo a insatisfação de muitos que se estabeleceram na região.

— A segurança no bairro não tem melhorado em nada. Apesar de a Mem de Sá agora estar sendo fechada à noite durante os fins de semana, muitos pivetes se misturam às pessoas e praticam assaltos. Arrastões também são frequentes. Durante o dia, é comum ver turistas sendo roubados — afirma Patrícia Santos, gerente da Pizzaria Guanabara da região.

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), a 5ª DP (Gomes Freire), delegacia da região, registrou 140 roubos e 479 furtos em maio deste ano. Em abril, os números foram semelhantes: 131 e 466, respectivamente. Se comparados com os dados do ano passado, não há grandes mudanças nos índices: 149 roubos e 427 furtos em maio, contra 187 e 512 em abril. No entanto, o número de casos pode ser ainda maior, já que muitos ainda preferem não registrar ocorrência por acharem “natural” a situação.

— A Lapa tem um problema que é a naturalização da violência. Ou seja, boa parte das pessoas que são assaltadas não presta queixa e aquelas que assaltam não se intimidam — afirma o gerente de um bar próximo aos Arcos que preferiu não ser identificado. — A Lapa está longe de ser uma área segura. Já tive clientes assaltados após sair daqui e, num caso mais grave, uma menina foi estuprada, em outubro do ano passado.

Donos de estabelecimentos comerciais da área dizem acreditar que a situação do quarteirão da Rua Joaquim Silva é uma das mais problemáticas da região. De acordo com uma das sócias da casa de shows Semente, que também preferiu não se identificar, a atual estrutura de policiamento só chega a determinadas áreas do bairro:

— Todo esse quarteirão da Joaquim Silva, subindo a ladeirazinha, é terra de ninguém. Tem um povo muito estranho por aqui, um lugar que é ponto turístico, subida para Santa Teresa e que leva à escadaria da Lapa. Existe um comércio de drogas 24 horas por aqui. Às vezes, às 15h vem gente oferecer cocaína se você estiver passando. Já fui assaltada na esquina do Semente e, há uns três sábados, houve dois arrastões aqui em frente.

Responsável pela Fundição Progresso, Perfeito Fortuna afirma que o lado oposto ao da Ladeira Santa Teresa também anda perigoso, já que, com o fechamento do tráfego por ali, próximo à Praça Monsenhor Francisco Pinto, muitos moradores de rua e assaltantes estão vivendo na área, debaixo dos Arcos.

— Na passagem dos Arcos dos Lapa, o policiamento está ótimo, mas o pequeno morro próximo à Avenida Chile está sendo feito de moradia por muitos assaltantes. Está bastante perigoso — afirma Perfeito.

Na noite da última sexta-feira, um grupo com cerca de 30 menores moradores de rua estava no início da Ladeira Santa Teresa, embaixo dos Arcos, a menos de 500 metros de uma patrulha da Guarda Municipal, de um posto da Secretaria da Ordem Pública e de alguns veículos da Secretaria de Assistência Social. Ao virar a esquina da ladeira com a Joaquim Silva, era possível encontrar menores consumindo drogas e bebidas alcoólicas a céu aberto. Na escadaria da Lapa, o consumo de drogas era ainda maior. Não havia policiamento fixo na área e, ainda que uma patrulha da PM tenha passado ao menos uma vez pelo local, nenhuma ação foi tomada para coibir o tráfico.

Mesmo na Mem de Sá, onde o policiamento era ostensivo, assaltos ocorriam, como o que sofreu Euclydes Magalhães, de 25 anos. Frequentador assíduo da região nos fins de semana, ele estava com um grupo de amigos embaixo dos Arcos, por volta das 23h30m de sexta-feira, quando teve o cordão puxado de seu pescoço por dois jovens, que fugiram. Meia hora depois, quando estava mostrando o local do roubo a um amigo, presenciou uma tentativa de assalto e, junto com outras pessoas, conseguiu imobilizar o ladrão e levá-lo até PMs.

— A região está mais complicada de uns tempos para cá, porque os ladrões, que antes se concentravam em locais específicos, agora ficam espalhados pela região — afirmou Euclydes. — Agora só volto na Lapa daqui a um mês, porque acho que posso ter ficado marcado pelos meus assaltantes.

A Polícia Civil informou que sabe da venda e do consumo de drogas na área, acrescentando que tem feito operações para reprimir o tráfico. A PM, por sua vez, disse que atua na região com quatro viaturas de dia e 12 à noite, além do policiamento montado e de 20 policiais no patrulhamento a pé — nos fins de semana, ele é reforçado. Após saber, pela equipe de reportagem, da venda de drogas na Joaquim Silva, a corporação disse que passará a deixar uma patrulha na rua.

A Secretaria municipal de Assistência Social admitiu que há uma concentração de adultos e menores de rua na Lapa que fazem uso de drogas. O órgão informou que equipes atuam diariamente na abordagem dessa população, mas que muitas pessoas levadas aos centros de tratamento os deixam por causa do vício em álcool ou drogas.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

MÉDICO DE 71 ANOS É EXECUTADO COM DIVERSOS TIROS EM ASSALTO

Médico é baleado ao reagir a tentativa de assalto na Zona Norte . Criminosos atiraram mais de dez vezes contra o carro do cardiologista de 71 anos


Paolla Serra
O GLOBO 29/06/12 - 9h59



RIO — O cardiologista Alberto Antonio Azizi, de 71 anos, e a mulher dele, de 58, foram alvos de bandidos, na manhã desta sexta-feira, no Trevo das Margaridas, no Jardim América, na Zona Norte do Rio. Os criminosos atiraram mais de dez vezes contra o Passat em que o casal estava. O médico foi baleado de raspão na cabeça. Uma das balas atingiu o banco onde estava a mulher dele, mas ela não se feriu.

Por volta das 5h40m, o casal seguia de Cordovil, na Zona Norte, para Bangu, na Zona Oeste, onde buscariam o neto para passar o dia com eles. O Passat foi interceptado por um Palio, onde havia quatro homens. O cardiologista não parou e seguiu em direção à Avenida Brasil. Os bandidos, então, atiraram.

Mesmo ferido, o médico dirigiu até o posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) da Rodovia Presidente Dutra. Ele foi levado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Depois de medicado seguiu para a 38ª DP (Brás de Pina), onde o caso foi registrado como tentativa de assalto e tentativa de homicídio.

Segundo agentes da delegacia, os bandidos integrariam uma facção da Favela Fuquim Mendes, no Jardim América. Equipes da Polícia Militar tentam localizar os suspeitos. Policiais da 38ª DP (Brás de Pina) investigam o caso.

Dados do ISP mostram queda em índices de violência

O caso acontece três dias depois de Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgar dados otimistas sobre a violência no estado. Roubos de rua tiveram redução de 11,8% nos primeiros cinco meses de 2012, quando comparado com o mesmo período de 2011. Todos os crimes que compõem o indicador apresentaram quedas: roubo a transeunte (queda de 9%), roubo de aparelho celular (menos 23,7%) e roubo em coletivo (menos 24,2%). Comparando o acumulado de janeiro a maio desse ano com o mesmo período de 2011, houve queda de 3.490 ocorrências: 26.074 registros em 2012 contra 29.564 em 2011. Segundo o ISP, o número de registros de homicídios dolosos nos cinco primeiros meses do ano é o menor desde o início da série histórica, em 1991.

No domingo, a empresária Teresa Fontaine, uma das sócias da rede de lanchonetes Casa do Alemão, de 47 anos, foi assassinada após ser surpreendida por bandidos em Duque de Caixas, na Baixada Fluminense, quando voltava de Petrópolis. Logo após o automóvel deixar um posto de gasolina, foi interceptado por dois veículos, e um dos criminosos fez os disparos. Nesta quarta-feira, policiais da 59ª DP (Duque de Caxias) encontraram uma cápsula de munição no local onde o veículo foi interceptado, na Rodovia Washington Luís.

domingo, 24 de junho de 2012

TIROTEIO EM RUA DO LEBLON

Bandidos capotaram com o EcoSport roubado. LUCIA NOVAES / O GLOBO 


Bandidos em fuga trocam tiros com a polícia em rua do Leblon. Assaltantes, que levavam uma granada, roubaram um carro, perderam o controle e capotaram na Rua Dias Ferreira. Uma mulher ficou ferida

ISABEL DE ARAÚJOLUCIA NOVAESCAROLINA OLIVEIRA CASTRORÔMULO PEREIRA. O GLOBO, 23/06/12 - 14h38 

RIO - Bandidos em fuga roubaram um carro de um casal no Leblon e trocaram tiros com a polícia em diferentes pontos na tarde deste sábado. Por volta das 14h, dois PMs em duas motocicletas tentaram abordar três homens, que também estavam em duas motos, na Rua Jardim Botânico. Os suspeitos não atenderam o chamado da polícia, atiraram na direção dos policiais e fugiram. A perseguição se estendeu por ruas do Jardim Botânico, da Gávea e do Leblon. Os três seguiram pela Rua Marquês de São Vicente, na Gávea, até a Rua do Cedro, próximo a entrada do Parque da Cidade. Lá, bateram de frente com um carro da PM.

Os bandidos deram meia volta e a perseguição se estendeu até a Rua Ministro Raul Machado, em frente ao clube do Flamengo. Ali, os três avançaram o sinal, uma das motos foi atingida por um carro e a outra escapou. A pé, dois dos suspeitos chegaram até a Rua Conde Bernadotte, no Leblon, e roubaram o carro do casal Igor Xaxa e Karla Mendes, ambos de 32 anos, que tinham acabado de sair do supermercado Pão de Açúcar.

Por fim, desgovernado, o carro atingiu uma viatura da PM e outros três veículos e capotou próximo a esquina da Rua Dias Ferreira com a General Artigas, também no Leblon. Em uma nova tentativa de fuga, eles mais uma vez trocaram tiros com a polícia, mas foram rendidos. A ação policial foi aplaudida pelas pessoas que presenciaram a cena.

Uma motorista foi levada para o Hospital Miguel Couto por causa do impacto da batida, mas sem ferimentos graves. Os dois bandidos foram levados para a 14ª DP (Leblon) e, em seguida, para o Hospital Miguel Couto. De acordo com a Polícia Civil, Marcos Simões Bengaly e Alecssandro de Santos são maiores e vão responder por roubo e tentativa de homicídio.

O caso está sendo investigado pela 14ª DP (Leblon). A dupla será autuada por roubo e tentativa de homicídio.

Segundo o estudante de Direito João Felipe Sartini, que estava no local no momento da confusão, as pessoas que presenciaram o incidente ficaram divididas entre aplausos e críticas à ação policial.

- O clima agora é de aparente tranquilidade, embora os moradores tenham ficado bastante assustados com a troca de tiros entre os policiais - disse.

No Twitter, muitas pessoas comentam o tiroteio. Há quem diga que até fuzis foram usados no conflito entre policiais e criminosos. O internauta Nando Ventura criticou a atuação da PM em seu perfil @nand0ventura: “tiroteio de fuzil agora no Leblon, na Dias Ferreira. Polícia sentou o tiro dentro do carro sem se preocupar com ninguém”, publicou, por volta das 14h30m.

Margarete D’Gutnik também comentou a confusão no microblog: “ perseguição, tiroteio, batida e capotagem na Dias Ferreira com a Gal. Artigas, no Leblon”, avisou também às 14h30m.

Em maio, assalto terminou em tiroteio em Ipanema

Um tiroteio no Edifício Galeria Boutique de Ipanema, na Rua Visconde de Pirajá, assustou clientes e comerciantes que estavam no local, no dia 29 de maio deste ano. Um assaltante que roubou uma imobiliária no terceiro andar trocou tiros com seguranças no primeiro pavimento do prédio. Os disparos atingiram portas de vidro de três lojas, uma geladeira com produtos expostos e um aquário. Ninguém ficou ferido.

Segundo o subsíndico do edifício, Edson Passos, um funcionário da imobiliária teria ido a uma agência do Banco do Brasil sacar dinheiro e foi seguido por um bandido até a empresa. Lá, foi anunciado o assalto. Ainda de acordo com Edson, o ladrão levou R$ 2.000.

Durante a fuga, outro funcionário gritou pedindo ajuda, e seguranças armados de uma casa de câmbio localizada no primeiro pavimento trocaram tiros com o bandido, que conseguiu fugir com outros três comparsas que o aguardavam em duas motos do lado de fora.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

CRIMINOSOS ATIRAM CONTRA A PM

Criminosos atiram contra PMs e policiamento é reforçado no Alemão - FOLHA.COM, 25/04/2012 - 10h01

O policiamento foi reforçado na manhã desta quarta-feira no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, após policiais militares serem atacados a tiros por traficantes, durante a madrugada, no alto do morro do Adeus. Segundo a PM, ninguém ficou ferido.

Também não houve registro de presos ou apreensões. Policiais do 22º Batalhão de Bonsucesso disseram que, por volta das 3h, realizavam ronda de rotina em um carro da PM quando foram alvejados a tiros por um grupo armado na favela.

Os policiais afirmam que não reagiram e que os tiros duraram cerca de dez minutos.

O incidente aconteceu horas antes da primeira reunião entre os comandantes das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) no conjunto de favelas, marcada para hoje.

O morro do Adeus, apesar de não ter UPP, também recebe ronda de policiais da tropa de pacificação do Alemão, além do 22º Batalhão de Bonsucesso.

De acordo com policiais, teria ocorrido uma tentativa de invasão de criminosos de uma facção rival ao morro do Adeus. O setor de inteligência da polícia afirma que a favela ainda abriga traficantes do CV (Comando Vermelho).

TIROTEIO EM FAVELA COM UPP

Uma semana após a implantação das duas primeiras UPPs no Complexo do Alemão, uma intensa troca de tiros assustou moradores, na noite de segunda-feira, na favela Nova Brasília. Foi o primeiro confronto na comunidade após a passagem do controle para a PM.

O comandante da unidade, capitão Márcio Ferreira Rodrigues, disse que ninguém ficou ferido. Segundo ele, quatro policiais realizavam ronda de rotina quando receberam uma informação sobre um grupo armado vendendo drogas em um beco da favela.

"Os criminosos perceberam a ação [policial] e dois deles atiraram contra os policiais, que revidaram. Em seguida, a dupla conseguiu fugir", afirmou. Durante a fuga, os criminosos deixaram cair uma granada com os dizeres "morte UPP", munições de fuzis, além de nove sacolés de cocaína. Nenhum dos criminosos foi preso ou identificado.

OPERAÇÃO DEIXA QUASE CINCO MIL ALUNOS SEM AULA

Operação no Morro do Chapadão deixa 4.737 alunos sem aula. Nove unidades estão fechadas, sendo seis escolas e três creches - O Globo - 26/04/12 - 11h12

RIO - Pelo menos 4.737 alunos da Zona Norte do Rio estão sem aula na manhã desta quinta-feira, devido à uma operação da Polícia Civil no Morro do Chapadão, em Costa Barros. Segundo a Secretaria municipal de Educação, nove unidades estão fechadas, sendo seis escolas e três creches.

A ação da polícia teve início às 6h e conta com cerca de 60 agentes de delegacias da Capital e de especializadas. Policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) dão apoio à ação, que conta ainda com um helicóptero Águia e um blindado.

A operação tem como objetivo verificar informações sobre o tráfico de drogas na região, a partir de um inquérito instaurado pela 21ª DP (Bonsucesso). De acordo com a polícia, ainda não houve confronto na região.

A GUERRA DE NITERÓI

Acuados pelas UPPs no Rio, bandidos atravessam a ponte, aterrorizam a cidade vizinha e o governo arma ofensiva para enfrentá-los. Wilson Aquino - REVISTA ISTO É N° Edição: 2215, 22.Abr.12 - 11:51




Ligada à cidade do Rio de Janeiro por uma ponte de 13,29 quilômetros sobre o mar, Niterói sempre conseguiu combinar as vantagens das cidades pequenas com as facilidades de estar bem próxima a uma metrópole. Dona da maior renda per capita do País, R$ 2.031, com 30% dos moradores na classe A, também detém o terceiro melhor índice de qualidade de vida do Brasil, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

O cotidiano de seus 500 mil habitantes, porém, não é mais tranquilo como no passado. Somente na primeira quinzena do mês, cinco pessoas foram baleadas. Um médico, um universitário, uma dona de casa, um policial militar fora de serviço e um fiseoterapeuta. Os quatro primeiros morreram, o último corre o risco de ficar cego. A violência que se abate sobre os niteroienses tem a ver com a queda da criminalidade na cidade do Rio.

A instalação das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) em favelas cariocas expulsou os traficantes, que se refugiaram no município vizinho e, agora, atacam sua população. O governo estadual atentou para a situação e promete uma ofensiva à altura.



“Antes, a gente fechava o bar quando o último freguês pedia a conta. Atualmente, estamos pedindo para os clientes irem embora porque o medo nos obriga a fechar mais cedo”, lamenta Carlos Manhães, 50 anos, dono de um bar no Ingá, área nobre de Niterói, que, em 23 anos de funcionamento, nunca tinha sido assaltado. Em fevereiro, o estabelecimento sofreu dois assaltos por homens armados. De seis meses para cá, verificou-se o aumento na incidência de assaltos ao comércio, às residências e aos pedestres na cidade.

“A gente percebe que os bandidos são ‘estrangeiros’ por causa da forma gratuita com que as vítimas são machucadas, mesmo sem esboçar reação”, diz o teólogo Antonio Carlos Costa, coordenador da Organização Não Governamental Rio de Paz e morador de Niterói.

A polícia detectou que traficantes cariocas do Morro da Mangueira e da favela da Maré se instalaram em favelas do município. Na sexta-feira 13, PMs evitaram a invasão do Morro do Palácio, no Ingá, por parte de bandidos da comunidade Mandela, do Rio.



Para a antropóloga Ana Paula de Miranda, coordenadora do grupo de estudos da violência da Universidade Federal Fluminense (UFF), no entanto, a migração é apenas parte de um problema maior.

“Talvez explique o acirramento dos atos violentos, que são antigos. Não vejo policiamento em Niterói há muito tempo”, afirma. A antropóloga ressalta que a onda atual teve início justamente após o assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto do ano passado.

“Esse crime foi um marco e revelou toda a fragilidade da cidade”, afirma.

Alunos, professores e funcionários da UFF estão entre os primeiros a perceber essa vulnerabilidade. O grande número de assaltos que eles sofreram na rua General Andrade Neves, via de acesso à universidade, acabou por rebatizar o local como “Rua do Perdeu”.

É que, na gíria de marginais das favelas do Rio, essa é a senha do assalto.

“Eles apontam a arma para a vítima e dizem ‘perdeu, perdeu’”, explica uma aluna da universidade que prefere não ter o nome divulgado.

Para evitar que alunos e funcionários transitem pela perigosa rua, o reitor Roberto Salles comprou três ônibus para transportar o pessoal entre a instituição e um terminal de barcas.



Acuada, a população tem reagido por meio de manifestações públicas. Este ano já foram quatro, a última no sábado 21, na Praia de Icaraí, organizada por universitários que fundaram o movimento Niterói Quer Paz.

“Não somos contra a pacificação do Rio, mas queremos um plano de segurança para Niterói também”, explicou o estudante Raphael Costa, 17 anos.

“A população cresceu e o número de policiais diminuiu”, diz Costa, referindo-se ao fato de que na década de 80 havia 1,2 mil PMs na cidade e hoje são cerca de 700.

O secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, reconheceu que o município pode estar sendo invadido por criminosos cariocas e anunciou medidas de emergência para conter a violência.



A principal delas é a instalação de duas Companhias de Polícia, cada uma com 100 homens, em duas favelas de Niterói: Cavalão, na zona sul, e Estado, no centro. O policiamento motorizado também foi reforçado. Durante a inauguração de duas UPPs no Complexo do Alemão, na quarta-feira 18, o governador fluminense, Sérgio Cabral (PMDB), acenou com a hipótese de levar o projeto de pacificação para Niterói antes do previsto. “Se as medidas emergenciais não resolverem, nós vamos para a UPP (em Niterói)”, afirmou. É preciso agir para impedir que a escalada da violência manche os bons indicadores sociais e econômicos de Niterói.