O Rio de Janeiro é o espelho do Brasil. O que ocorre no Rio de Janeiro fatalmente se transmitirá em cadeia para os outros Estados da Federação. As questões de justiça criminal e ordem pública não fogem desta regra. Portanto, é estratégico manter a atenção, estudar o cenário, analisar as experiências e observar as políticas lá realizadas, ajudando no alcance dos objetivos. A solução desta guerra envolve leis duras e um Sistema de Justiça Criminal integrado, ágil, coativo e comprometido em garantir o direito da população à segurança pública.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

NA MARÉ, A PRIMEIRA MORTE EM ENFRENTAMENTO COM AS FFAA

ZERO HORA 14 de abril de 2014 | N° 17763


APÓS OCUPAÇÃO. Maré tem primeira morte. Segundo moradores de complexo na zona norte do Rio, rapaz de 18 anos foi confundido com bandido



Ocupado pelas Forças Armadas há uma semana, o Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, registrou uma morte no sábado. Segundo militares, um traficante resistente à investida do Exército e da Marinha reagiu a uma abordagem e foi morto na favela Vila dos Pinheiros, uma das 15 do conjunto que estão ocupadas. Já os moradores afirmam que o rapaz era funcionário de um lava-jato que foi confundido com um bandido.

O homem baleado foi identificado como Jeferson Rodrigues da Silva, 18 anos, conhecido como Parazinho. Os militares informaram que chegaram a chamar equipes de primeiros socorros, mas o rapaz não resistiu aos ferimentos.

Os moradores protestaram contra a ação, fechando a Linha Amarela por duas vezes. Eles sustentam que os militares “plantaram” uma arma ao lado do corpo para justificar a morte e tentaram incendiar um banco de automóvel na via, mas foram coibidos pela Polícia Militar.

Na sexta-feira de manhã, um menor suspeito de atuar junto ao tráfico foi ferido na perna com um tiro de fuzil, disparado por militares da Força de Pacificação no Conjunto Esperança, outra comunidade da Maré. Segundo os militares, o menor atirou neles, que revidaram.

Mesmo após a morte de sábado, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, defendeu os resultados alcançados ao fim da primeira semana de ocupação policial nas favelas do complexo da Maré. Também descartou a possibilidade de aumentar o número de policiais e de militares para controlar a situação na região.

– Se for preciso reforçar, vamos reforçar. Mas não é o caso. A ocupação começou há apenas uma semana, em um local antes comandado por duas facções do tráfico, além de milicianos. Não é fácil. Não é trivial – disse Pezão, que esteve na manhã de ontem na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa.

De acordo com o Ministério da Defesa, a Força de Pacificação atuará até 31 de julho em uma área de aproximadamente 10 quilômetros quadrados no Complexo da Maré. A ação é comandada pelo general de brigada Roberto Escoto, comandante da Infantaria Paraquedista, uma unidade de emprego estratégico do Exército.

No primeiro fim de semana de ação, oito pessoas foram detidas, três menores apreendidos, e armas e drogas foram localizadas. A comunidade da Maré fica localizada em um ponto estratégico da cidade, na rota do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, entre a Avenida Brasil e a Linha Vermelha.

Antes de pacificação, local era controlado por facções

Desde a entrada das forças de segurança, houve uma série de ataques aos militares espalhados pela região, antes controlada por facções de traficantes e milicianos.

sábado, 12 de abril de 2014

SAQUES DE DEPREDAÇÕES TÊM TRAFICANTES COMO PATRONOS


Bandidos estariam infiltrados em manifestações na periferia do Rio

O GLOBO
Atualizado:12/04/14 - 12h30


Após desocupação de área da Oi, pessoas saqueiam loja Pablo Jacob / Agência O Globo


RIO - A reação violenta de moradores das favelas do Rato Molhado e do Jacarezinho, atirando pedras e paus na polícia, depredando agência bancária, saqueando lojas e incendiando ônibus não foi espontânea. Trocas de informações entre agentes de segurança dos governos federal e estadual revelam que traficantes estão agindo infiltrados em manifestações na periferia do Rio, especialmente quando envolve a presença de forças policiais, como a que marcou ontem o desfecho da ação de reintegração de posse do terreno da Oi, no Engenho Novo.

Interceptações de conversas de criminosos mostram que eles estão seguindo sob orientação do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que comandou o tráfico nas favelas dos complexos da Penha e do Alemão. Mesmo cumprindo pena em presídio federal de segurança máxima, o bandido passou a coordenar, há três meses, uma reação da criminalidade contra operações policiais de qualquer tipo. Numa espécie de vingança contra o avanço das unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em regiões antes dominadas por sua quadrilha.

O antropólogo Paulo Storani, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM e pesquisador da Universidade Candido Mendes, disse que existe um novo cenário na periferia do Rio e que o tráfico de drogas tem participação ativa. Segundo ele, ordens foram dadas para as depredações acontecerem ontem.

— Os ataques aconteceram de forma articulada em diversos ambientes, revelando grande capacidade de enfrentar a polícia. Uma ação organizada para transmitir sensação de insegurança. Nesse caso, não tenho dúvidas de que houve direta ou indiretamente uma participação do narcotráfico nos registros de depredações — afirmou Storani.

O pesquisador lembrou ainda que, no caso específico da ocupação do terreno da Oi, tudo leva a crer, pela forma rápida como as pessoas chegaram ao local, que ocorreu um planejamento preliminar.

— Não foi uma ação espontânea. Houve articulação. O projeto de ocupação de território pela polícia forçou no início um recuo do tráfico, mas agora ele mostra ter encontrado uma forma de mobilização organizada — disse o antropólogo.

O tenente-coronel da reserva da PM Milton Corrêa da Costa acredita que houve uma ação determinada e orquestrada por traficantes de favelas próximas:

— O momento de tensão foi aproveitado por criminosos para desafiar e atacar a polícia a tiros e destruir o patrimônio público e privado, com até mesmo agências bancárias sendo depredadas. O Brasil caminha a passos largos para um clima de permanente tensão social.

Palavra de especialista: Roberto Kant de Lima, antropólogo da Universidade Federal Fluminense (UFF)

“Desalojado de seus espaços, o tráfico ficou incomodado com as UPPs, assim como a polícia, pois os padrões de relacionamento teriam que se transformar naqueles espaços onde o poderio ostensivo das armas não fosse mais a única linguagem capaz de impor autoridade. Será necessário, para a continuidade das atividades ilegais, encontrar outras formas de sociabilidade. Esse é o desafio que, para ser bem-sucedido, deverá desconstruir preconceitos antigos e arraigados entre todos os atores, propiciando a melhor convivência possível de todos. Além de ser tarefa muito difícil e demorada, isso não é um processo cumulativo linear e contínuo, enfrentando altos e baixos no seu desenvolvimento”




MULHER E PM FICAM FERIDOS DURANTE ATAQUE A CARRO DA PM



Mulher fica ferida durante ataque de traficantes a carro da PM na Vila Cruzeiro. Policial também foi atingido, mas bala ficou presa no colete

LEONARDO BARROS
O GLOBO
Publicado:12/04/14 - 8h38



RIO - Uma mulher ficou ferida durante mais um ataque de traficantes, desta vez a um carro da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, na Zona Norte, no fim da noite de sexta-feira. De acordo com a PM, os bandidos estavam na laje de uma casa na na Favela da Merendiba. Um policial também foi atingido, mas ele não se feriu porque a bala ficou presa no colete. A vítima, identificada como Lana Soares, de 45 anos, levou um tiro na perna. Ela foi levada para Hospital Getúlio Vargas, também na Penha, e liberada em seguida. A ocorrência foi registrada na 22ªDP (Penha).

A região dos complexos da Penha e do Alemão vem sofrendo com uma série de ataques de bandidos nas últimas semanas. Nesta quinta-feira, um tiroteio provocou a paralisação do teleférico do Complexo do Alemão. O confronto entre policiais e bandidos aconteceu na Rua 2. De acordo com a SuperVia, a operação do equipamento ficou suspensa por medida de segurança por cerca de uma hora. Também na quinta-feira, um policial da UPP do Alemão foi atingido por uma pedra durante um protesto, em um galpão na Avenida Itaoca, na altura da Estrada do Itararé. A manifestação foi contra um pedido de reintegração de posse.

No dia 31 de março, também no Alemão, o soldado Gustavo Cordeiro, de 28 anos, foi atingido por um tiro no nariz durante um confronto com traficantes. No mesmo tiroteio, um outro agente, identificado apenas como Moura, foi atingido no braço e liberado após ser atendido na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da região.


UM BRASIL QUE EXISTE NA MARÉ



O GLOBO, Panorama Carioca, 12/04/2014


Aydano André Motta 


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Aquele mundo caótico que se estende a perder de vista, à direita de quem passa pela Linha Vermelha em direção à Zona Sul, está, desde domingo, ocupado pelo Exército, grife de sossego convocada quando a temperatura da segurança sobe além do que os cariocas entendem como aceitável. Com o projeto das UPPs patinando aqui, ali e acolá, o maior complexo de favelas da cidade — 16 comunidades populares, 38 mil domicílios, 130 mil moradores na rabeira do Índice de Desenvolvimento Humano, em condições etíopes de saneamento básico, segurança, respeito, cidadania — serve de moldura à procissão de blindados e homens fardados (que enfrentaram reações esparsas de traficantes e milicianos ao longo da semana).

A primeira impressão não pode ser outra — a de um território subjugado pelo crime, com uma população que referenda a mais repulsiva característica brasileira, a desigualdade. Mas outras mazelas, igualmente nossas, espreitam a Maré. Quer ver?

A edição daquele mês do principal jornal comunitários do Complexo circulava normalmente, distribuída de graça em casas e biroscas. Os moradores aguardavam o produto, para verem impressas ali algumas de suas muitas carências e de suas poucas conquistas (umas e outras ignoradas pelo mundo que passa e nem liga pelas vias expressas à sua margem). Uma reportagem em especial descrevia o sucesso de alguns alunos que conseguiram vagas em faculdades graças ao curso pré-vestibular mantido numa das favelas por uma ONG. Ao longo do texto, o serviço estava identificado pela sigla como era conhecido entre os jovens: CPV.

(Só vai estranhar a falta de nomes e outras informações mais específicas quem não sabe como a banda ainda toca no Rio de Janeiro.)

Alguns dias depois da distribuição do jornal, um adolescente bateu na ONG com um recado: o dono da boca de fumo estava chamando o responsável pelo jornal para uma conversa. Naquele lugar de leis próprias, tal ordem jamais deixaria de ser cumprida, e lá foi o jovem estudante de Comunicação ao encontro do traficante. Encontrou o bandido, de idade semelhante à dele, guardado por cúmplices armados, com um fuzil pendurado no ombro, a face furiosa — e o jornal na mão:

— Que p... é essa de CPV? Aqui é outra facção!

No primeiro momento, o interlocutor não entendeu, mas até se permitiu sorrir, quando afinal decifrou a reclamação. Fez menção de apontar a revista para explicar o contexto da sigla, mas o bandido, a agressividade em espiral, não permitiu:

— Não vou ler nada! Não leio! Não quero saber! Se falar de outra facção, é vala! — ordenou o traficante, expulsando o editor em seguida, para que seu ponto de comércio voltasse a seu funcionamento habitual.

A determinação, claro, foi cumprida, materializando, em pleno estado de direito, a censura de uma publicação pelo poder armado (para ratificar, aliás, uma premiada série de reportagens do GLOBO, de autoria dos craques da Editoria Rio, que, em 2007, documentou a ausência de liberdade e de direitos individuais nas comunidades populares da cidade). Exatamente como acontecia na Brasília dos anos de chumbo, onde produtores de conteúdo ouviam os desígnios dos mandachuvas da repressão. Na capital, ao menos, não corria esgoto a céu aberto.

Na Maré, tudo fica mais dramático pela (des)arrumação territorial. Facções inimigas e, porque nada é tão ruim que não possa piorar, milícias retalharam as favelas, afastando parentes, amigos, namorados. Alguns daqueles milhares de pobres cariocas repetem, com requintes sangrentos, as histórias das famílias vítimas do Muro de Berlim ou da divisão da Coreia, isoladas arbitrariamente pelos senhores da guerra.

Tomara que tenha começado a caminhada daqueles brasileiros na direção da cidadania plena. Como todos os outros, eles merecem.



O reino do ‘comigo não tá’

Como estamos os cariocas todos no mesmo barco da violência, espanta a falta de sensibilidade do Barrashopping com um cidadão vítima de sequestro-relâmpago no estacionamento do centro de consumo gigante. Ao longo do processo de indenização — encerrado com o shopping sentenciado a pagar R$ 50 mil, como deu no Ancelmo —, os advogados da empresa acusaram a vítima (dupla, no caso) de ter “fugido” para dentro do espaço privado, tentando escapar dos bandidos.

Não adiantou — o veredito do STJ, educativo, determinou que o shopping é, sim, responsável pelas ocorrências no estacionamento. Não dá para mandar o “não tenho nada com isso”.

Óbvio. Mas nesta terra que não é para principiantes, precisa alguém (importante) lembrar.



Miau, miau. Deu (também) no Ancelmo: a Light flagrou um gato no bloco 4 do Downtown. E um sócio do Devassa de Ipanema foi condenado pelo mesmo flagrante delito de roubo de energia. Então, é aquilo: tem que prender os bandidos. Mas antes, defina bandido.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/um-brasil-que-existe-na-mare-12175610#ixzz2ygbr88Ky
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PRIMEIRA MORTE EM CONFRONTO COM O EXÉRCITO APÓS A OCUPAÇÃO



Maré registra primeira morte em confronto com o Exército após ocupação, e moradores protestam. Grupo chegou a fechar a Linha Vermelha, na altura da Linha Amarela, mas trânsito já foi liberado

O GLOBO
Atualizado:12/04/14 - 12h11

PMs patrulham a Avenida Brasil após manifestação de moradores da Vila do João, no Complexo da Maré Gabriel de Paiva


RIO - No dia em que a ocupação do Complexo da Maré pelas Forças Armadas completa uma semana, foi registrada na manhã deste sábado, pela primeira vez, uma morte em confronto envolvendo militares que atuam na comunidade. Um homem de 20 anos, ainda não identificado, foi atingido por três disparos, na Vila dos Pinheiros, por volta de 8h. Segundo o Exército, a vítima teria reagido a tiros a uma abordagem. Já os moradores da região afirmam que o rapaz era funcionário de um lava-jato. Vários protestos já foram realizados durante a manhã, com pelo menos três tentativas de fechamento de vias do entorno como a Linha Vermelha, a Avenida Brasil e a Linha Amarela.

De acordo com o Exército, foram encontrados com a vítima um radiocomunicador e três cartuchos de pistola. Também segundo a corporação, um outro homem envolvido no confronto conseguiu fugir. Já os manifestantes dizem que a vítima, que era conhecida como “Feio”, ele chegava para trabalhar, e após ver um homem correndo na rua, teria se assustado e também correu.

Ele não era bandido. A ação do Exército aqui está horrível. Eles não deixam mais a gente sair na rua — reclamou a dona de casa Nessia Santos, de 42 anos.

A primeira manifestação aconteceu na Avenida Brasil e foi controlada pela polícia. Os moradores, então, seguiram para dentro da Vila dos Pinheiros, na Rua Bento Ribeiro Dantas, na esquina com a Rua do Meio, onde continuaram a reivindicar. Em outras duas ocasiões, os manifestantes tentaram interdições de vias usando paus e pedras.



sexta-feira, 11 de abril de 2014

REPÓRTER DA GLOBO É DETIDO POR FOTOGRAFAR AÇÃO POLICIAL


Repórter do GLOBO é detido por fotografar ação da polícia na desocupação da Favela da Oi. Ele foi filmado por um policial após ser imobilizado. O jornalista foi levado para a 25ª DP (Rocinha), sendo liberada em seguida. Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo condena prisão

O GLOBO
Atualizado:11/04/14 - 13h12

Policial aponta arma para beco no entorno da Favela da Oi Pablo Jacob / Agência O Globo


RIO - O repórter do jornal O GLOBO Bruno Amorim foi detido pela Polícia Militar por fotografar a operação de desocupação da Favela da Oi, no Engenho Novo. Um PM arrancou os óculos de Bruno, deu-lhe uma chave de braço e o acusou de incitar a violência. Após ser imobilizado, ele foi filmado pelo mesmo policial, que dizia: "Estou filmando um repórter da Globo que estava jogando pedras. Vocês mostram a nossa cara, agora estou mostrando a sua". O policial estava sem identificação na farda.

- Na hora em que fui preso, policiais estavam brigando com os manifestantes - afirmou Bruno.

Bruno teve o seu aparelho celular apreendido por mais de uma hora e não conseguiu se comunicar com a redação até as 9h20. Jornalistas de outros veículos começaram a ligar para suas chefias para informar a prisão. O repórter foi levado para a 25ª DP (Rocha), sendo liberado em seguida. O caso não foi registrado pela polícia. Ao ser detido, Bruno foi acusado de desacato, incitação à violência e resistência à prisão. Desde o início da ação, na manhã desta sexta-feira, os policiais ameaçaram prender repórteres e cinegrafistas que faziam a cobertura da reintegração de posse.

Na madrugada desta sexta-feira, a polícia ameaçou dar voz de prisão a outro repórter do GLOBO, Leonardo Barros, que estava no local acompanhando a movimentação dos PMs. Os PMs mandaram Leonardo correr, caso contrário seria preso. Ele se negou. Então ordenaram que se afastasse ou seria preso por resistência e desacato. Os militares não estavam deixando os profissionais da imprensa registrarem a confusão. Ainda na madrugada, antes de iniciar a desocupação, repórteres de emissoras de TV também foram ameaçados.

Durante a confusão, um grupo de pessoas que saiu do prédio depredou carros da TV Globo, SBT e Record, estacionados perto de um posto de gasolina.

Abraji, Abert e sindicato condenam prisão

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e o Sindicato dos Jornalistas do Rio condenaram a prisão do repórter do GLOBO.

Segundo a nota da Abraji, "ao prender Bruno Amorim e ameaçar com prisão outros repórteres, a PM do Rio presta um desserviço. Ao depredar automóveis dos meios de comunicação, manifestantes se unem à polícia no ataque ao direito à informação de toda a sociedade". A nota da associação também cita a ameaça feita por policiais militares ao repórter Leonardo Barros.

Já a Abert afirmou que "é extremamente preocupante o uso de métodos violentos empregados tanto pela Polícia Militar como por cidadãos civis, com o objetivo de impedir o trabalho jornalístico e privar a sociedade do acesso à informação".

"Espera-se das autoridades de Segurança do Estado a apuração dos abusos cometidos", cobrou o presidente da Abert, Daniel Pimentel Slaviero.

Já o texto do sindicato diz que a prisão de Bruno "tratou-se da mais violenta ação conjunta da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro de censura e repressão de jornalistas".

FAVELA É DESOCUPADA APÓS CONFRONTOS, SAQUES, PRISÕES E FERIDOS



Favela da Oi é desocupada após confrontos, saques, prisões e feridos. PM e bombeiros negam que reintegração de posse tenha deixado mortos. Prédio, caminhões, ônibus e carro da polícia foram incendiados. Trechos de ruas do entorno estão interditados

ANA CLÁUDIA COSTA
BRUNO AMORIM
LEONARDO BARROS
O GLOBO
Atualizado:11/04/14 - 13h58

Invasor é retirado por policiais militares de terreno da Oi Fernando Quevedo / O Globo


RIO - Cerca de três horas após a desocupação do terreno da companhia telefônica Oi, no Engenho Novo, na Zona Norte, Bombeiros voltaram a combater dois novos focos de incêndio na área, onde houve ação de reintegração de posse, na manhã desta sexta-feira. Manifestaram atearam fogo em entulhos nas proximidades do prédio da Oi.

O trabalho de desocupação realizado pela Polícia Militar, que teve início por volta das 5h e durou cerca de cinco horas, foi marcado por muita confusão e confrontos. Estabelecimentos comerciais da região foram saqueados e veículos depredados e incendiados. A área foi invadida no dia 31 de março por cerca de 5 mil pessoas. Por volta das 6h50m, foram atirados objetos em direção aos policiais, dando início ao tumulto.

Foram feitos bloqueios em ruas do entorno. Um grupo de 21 pessoas foi detido por saquear um supermercado da rede Campeão. Para dispersar a multidão, a polícia jogou bombas de gás lacrimogêneo de um helicóptero na altura do Viaduto do Jacaré.

PMs lançaram bombas de efeito moral, spray de pimenta e gás lacrimogêneo. Houve disparo de balas de borracha e os invasores revidaram jogando pedras. Três policiais ficaram feridos. Um dos PMs e uma moradora ficaram desacordados no tumulto. Alguns invasores passaram mal devido ao spray de pimenta. O policial ferido foi retirado do local em uma viatura. Três crianças, uma com seis meses de idade, também foram socorridas, uma com ferimento na perna e as outras por terem inalado fumaça. Não há informação sobre o estado de saúde dos feridos.

Houve um incêndio que atingiu todo andar de um dos prédios invadidos. Bombeiros de sete quartéis conseguiram controlar o fogo no edifício, mas há focos de incêndio em vários pontos da região. Um carro da Polícia Militar, três ônibus, um micro-ônibus e dois caminhões também foram incendiados. Pelo menos três ônibus da PM e três veículos de emissoras de TV foram atacados (TV Globo, SBT e Record). O repórter do jornal O GLOBO Bruno Amorim foi preso pela Polícia Militar por fotografar a operação de desocupação da Favela da Telerj.

A maior parte dos invasores já foi retirada do terreno. Um grupo de 150 pessoas que está no terreno perto dos fundos está sendo removido por funcionários da prefeitura e levado para um portão.

Cerca de 1.500 policiais do 2º BPM (Botafogo), 3º BPM (Méier), 22º BPM (Maré), dos batalhões de Operações Especiais (Bope), de Choque (BPChoq), Grupamento Aéreo e Marítimo (GAM) e de Ações com Cães (BAC), além de policiais de várias Unidade de Polícia Pacificadora participam da operação. Estão na área cerca de 50 viaturas da polícia. Um helicóptero da PM e outro dos bombeiros sobrevoam a região. Uma retroescavadeira está sendo usada para derrubar os barracos, e cinco caminhões da Comlurb carregam os entulhos no terreno do prédio.

A desocupação do espaço foi discutida em uma reunião na tarde de terça-feira na 6ª Vara Cível do Fórum do Méier. A juíza Maria Aparecida Silveira de Abreu, que concedeu a liminar à Oi na ocasião, ficou de estabelecer a data da desocupação depois que a Polícia Militar fez um planejamento para a retirada das famílias do local. Na reunião, o advogado Humberto Cairo, presidente da 55ª subseção da OAB (Méier), sugeriu que o representantes do estado e do município oferecessem aluguel social para o grupo que ocupa o imóvel até um solução definitiva para o caso. No entanto, não houve acordo sobre essa questão.

Por volta das 5h30m, um oficial de Justiça do Fórum do Méier chegou ao local com o mandado de reintegração de posse. Pelas ruas do Engenho Novo, os invasores que foram expulsos tentavam salvar os pertences: roupas em sacos plásticos, colchões, televisões e até ventiladores.

Interdição em uma das principais ruas

A operação da polícia provoca a interdição de algumas vias na região, inclusive em um trecho da Rua Sousa Barros, uma das principais do bairro. O fechamento das vias começou por volta das 5h, complicando o trânsito.

O prefeito Eduardo Paes defendeu na quarta-feira a reintegração de posse do terreno. Ele afirmou que não conhece “nenhuma Favela da Telerj”.

— Eu não conheço favela nenhuma da Telerj e, sim, uma invasão com todas as características que uma invasão profissional pode ter. É um movimento organizado, com pessoas que estão ali loteando, demarcando. Pobre que é pobre, que precisa de casa, não fica demarcando, não aparece com madeirites marcando número. Tem que fazer a reintegração de posse.


Terreno da Oi: após ataque de bandidos, polícia se prepara para entrar na Favela Rato Molhado
Ação dos criminosos complica ainda mais a situação na região, que desde cedo, está em clima de confronto devido à reintegração de posse


ANA CLÁUDIA COSTA
NATANAEL DAMASCENO 
O GLOBO
Atualizado:11/04/14 - 13h08

Mulher foi ferida nas costas por uma bomba de efeito moral lançada pela PM Agência O Globo


RIO - Bandidos da Favela Rato Molhado, que fica ao lado do terreno da Oi, no Engenho Novo, onde ocorreu a reintegração de posse nesta sexta-feira, atiram em direção ao imóvel, agora ocupado pela Polícia Militar. A ação dos criminosos complica ainda mais a situação na região, que desde cedo, está em clima de confronto. Homens do 3º BPM (Méier) se preparam para entrar na comunidade. Policiais do Batalhão do Batalhão de Choque (BPChoq) interditam as ruas no entorno da favela, e homens da Guarda Municipal fazem um cordão de isolamento para evitar que moradores voltem a protestar nas ruas. Bombas de efeito moral também foram lançadas pela PM.

Um grupo de pessoas da Favela Rato Molhado está jogando coquetéis molotov feitos de garrafas de cerveja em direção à polícia na Rua Dois de Maio. Uma moradora foi ferida nas costas com uma bomba de efeito moral lançada pela PM. Uma outra mulher teve o dedo ferido.

Após a reintegração de posse do terreno da Oi, houve tumulto em vários pontos do bairro. Vinte e uma pessoas foram presas por saques a dois supermercados. Para dispensar a multidão, um helicóptero da Polícia Militar lançou bombas de gás lacrimogêneo.