O Rio de Janeiro é o espelho do Brasil. O que ocorre no Rio de Janeiro fatalmente se transmitirá em cadeia para os outros Estados da Federação. As questões de justiça criminal e ordem pública não fogem desta regra. Portanto, é estratégico manter a atenção, estudar o cenário, analisar as experiências e observar as políticas lá realizadas, ajudando no alcance dos objetivos. A solução desta guerra envolve leis duras e um Sistema de Justiça Criminal integrado, ágil, coativo e comprometido em garantir o direito da população à segurança pública.

domingo, 26 de outubro de 2014

ELEITORES FICAM SEM TRANSPORTE APÓS MORTES E ÔNIBUS INCENDIADOS NO RJ

DO G1 26/10/2014 12h28


Confronto entre policiais e traficantes deixou quatro mortos em Cabo Frio. Dois ônibus foram incendiados; três fuzis e drogas foram apreendidos.


Heitor Moreira Do G1 Região dos Lagos



Após morte de traficantes, ônibus particular foi incendiado no bairro Guarani (Foto: Heitor Moreira/G1)

Quem precisou do transporte público para votar em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, foi pego de surpresa com a falta de ônibus na cidade. Motoristas da empresa Salineira, a única que presta serviço no município, resolveram tirar os coletivos de circulação após ataques a ônibus na madrugada e na manhã deste domingo (26). Dois coletivos foram incendiados, um às 5h30 da madrugada e outro às 7h30, após quatro traficantes morrerem durante confronto com policiais na Favela do Lixo, na comunidade Manoel Corrêa. Linhas intermunicipais, que atendem a municípios vizinhos da Região dos Lagos, também não estão circulando e alguns usuários desistiram após horas de espera no ponto.

"Eu estou aqui há a mais de três horas. Trabalho em Arraial do Cabo e até agora nada de ônibus e nem tenho como votar", disse um passageiro que não quis se identificar.


Coletivo foi incendiado por volta das 7h30 da
manhã (Foto: Heitor Moreira/G1)

A empresa Salineira explicou que os rodoviários ficaram com medo e decidiram voltar à garagem como medida de segurança. De acordo com o comandante do 25º Batalhão de Polícia Militar, tenente coronel Ruy França, uma denúncia anônima informou que um baile funk estava acontecendo na Favela do Lixo. Homens estariam armados com fuzis e coletes balísticos. Ainda segundo a denúncia, várias pessoas estavam consumindo drogas no local.

Após a informação, o comando da PM decidiu montar uma operação. Cerca de 20 policiais foram em direção à comunidade. O comandante informou ainda que assim que chegaram, traficantes os receberam com vários tiros. A polícia revidou e começou uma intensa troca de tiros.


Três fuzis, pistolas e drogas foram apreendidos
com traficantes (Foto: Eduander Silva/Arquivo)

Quatro traficantes foram mortos, sendo um deles considerado como chefe do tráfico de drogas no local. Foram apreendidos três fuzis, duas pistolas, um colete balístico, carregadores de fuzil e pistola, cápsulas de cocaína, um rádio transmissor e diversos celulares.

O policiamento foi reforçado na cidade. O material apreendido foi levado para a delegacia em Cabo Frio. Os corpos dos quatro traficantes foram encaminhados para o Instituto Médico Legal do município.

Troca de tiros terminou em uma grande área aberta próxima as dunas (Foto: Eduander Silva/Arquivo pessoal)

Dois ônibus foram incendiados

Por volta das 5h30 deste domingo (26), um ônibus que fazia a linha Cabo Frio x Armação dos Búziosfoi incendiado no terminal da principal praça do bairro São Cristovão, um dos mais movimentados da cidade. A polícia acredita que o incêndio foi uma retaliação pela morte dos quatro traficantes.

Às 7h30, um outro ônibus foi incendidado no bairro Guarani, localidade vizinha. Com placa de Cabo Frio, o veículo era particular e estava estacionado ao lado de uma garagem utilizada para guardar ônibus de empresas particulares. De acordo com testemunhas, o coletivo incendiado fazia excursões de igrejas na região.


Ônibus que fazia a linha Cabo Frio x Búzios foi
incendiado as 5h30 (Foto: Eduander Silva/Arquivo)

Funcionários têm medo, diz empresa

A assessoria da Salineira informou que apoia a decisão dos rodoviários que, assustados, decidiram parar de circular com os ônibus. A empresa disse ainda que chegou a garantir o transporte de algumas urnas para as seções eleitorais, com ônibus escoltados pela Polícia Militar.

Até as 11h deste domingo, diretores da empresa estavam reunidos com os rodoviários e aguardam uma posição do 25ºBPM para que os ônibus voltem a circular normalmente, garantindo a segurança dos funcionários e usuários do transporte coletivo.

domingo, 28 de setembro de 2014

UPP: NÃO ACHO A POLÍTICA UMA GUERRA


Luiz Fernando Pezão: governador é candidato a reeleição pelo PMDB
Luiz Fernando Pezão: governador é candidato a reeleição pelo PMDB Foto: Simone Marinho / O Globo

‘Não acho a política uma guerra’, diz Pezão

Guilherme Amado

Apoiado por Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão (PMDB) assumiu o cargo em abril. Mas, por ter sido o braço direito de seu antecessor, cabe a ele defender cada gesto do ex-governador. Em entrevista ao EXTRA, foi aplicado. Assinou embaixo do valor gasto no Maracanã, referendou a polêmica composição do conselho da agência reguladora dos transportes e disse que as UPPs estão no rumo certo. Mas não apontou nenhuma proposta concreta para melhorar a transparência pública, medida fundamental para combater a corrupção.

O senhor foi secretário do governo Rosinha. Não é incoerente que, agora, o senhor critique ela e o marido?
Respeito os dois. Tive parcerias. Vim para o governo da Rosinha, fui secretário durante dois meses em 2006 para tentar ajudar na governabilidade, no relacionamento com os prefeitos. Fui presidente da associação de prefeitos, e sempre foi uma prática minha cuidar dos movimentos municipalistas. Eu critico as políticas públicas que deram errado, que não tinham a minha visão.

Por que não se insurgiu na época e deixou, então, o governo?
Saí com dois meses e fui ser candidato a vice-governador com o Sérgio Cabral.

Mas o senhor saiu para ser candidato com o apoio deles.
Tive o apoio, como o Sérgio também teve do PMDB. Mas vim pelos meus méritos.

Lindberg Farias disse que o senhor seria um governador manipulado por Cabral, Jorge Picciani e Eduardo Cunha.
Lamento. Lindberg foi um senador apoiado por nós, por esse grupo que ele critica hoje.

Caso ele não vá para o segundo turno, pedirá seu apoio?
Do Lindberg, não. Vou conversar com o PT. Converso com os partidos. Eu não acho a política uma guerra.

Em agosto, foram registrados oito mil roubos de rua. São 11 por hora no estado. Como diminuir isso?
Temos que discutir o Código Penal. Lamento que os meus adversários não tenham feito isso no Congresso. Chegam agora cheios de propostas, dois senadores e um deputado federal. A gente tem prendido... batemos recordes de prisões em agosto, na história do ISP, mais de três mil prisões. Só que está aí o tráfico, recrutando cada vez mais menores, gente que tem ficha limpa, para assaltos.

Mas, se aumentam as prisões e a taxa de roubos, a solução não seria outra?
Vamos colocar até o fim do ano mais 1.600 PMs nos batalhões. Abri concurso para mais seis mil. Vou ajudar as cidades a equipar centros de comando e controle próprios, o que tem gerado resultados, e melhorar a integração com as guardas municipais.

Temos PMs de UPPs corruptos e que estupram. No que os policiais das UPPs se diferem do restante da PM?
Eles têm uma formação diferente. A gente está mudando a cultura da Polícia Militar, que teve sua história preparada para a guerra. Não podemos julgar dez mil policiais que estão em UPPs hoje por causa de 50 ou cem que se desviaram. Vamos fazer a academia das UPPs.

A academia das UPPs é prometida desde 2011. O que faz o eleitor acreditar agora que ela realmente sairá do papel?
O governo é um carro em movimento, ainda há uma série de ações que a gente tem que fazer. Mas vamos fazer.

A UPP não precisava ser consolidada antes de avançar?
Acredito que a gente está no caminho certo. A gente enfrentou as dificuldades.

O Rio tem R$ 4,2 bilhões de orçamento em Saúde durante todo o ano. Considerando que só o Maracanã custou R$ 1,2 bilhão, o que houve? Pouco para a Saúde ou muito para o Maracanã?
O estádio foi sede da Copa do Mundo, vai servir para as Olimpíadas, tem a maior taxa de utilização no Brasil. A gente fez o investimento na Saúde. Em quatro anos são quase R$ 16 bi. O Maracanã merecia isso.

As UPAs passam por problemas semelhantes à toda a rede pública, como falta de médicos e longas esperas. Como reverter isso?
Contratar médicos e botar a gestão sob organização social (OS). Estamos fazendo as duas coisas. As OSs facilitam a contratação de especialistas, e os médicos que faltam podem ser demitidos. Quero criar UPAs específicas, uma só de pediatria, por exemplo. Eu vou fazer os municípios terem consórcio de saúde e terem atenção básica à saúde. Vou fazer um programa forte. Eu fiz e vou fazer. Outra parceria que estamos fazendo é reabrir a Santa Casa.

Cabral indicou como conselheiro da agência reguladora dos trens e do metrô Arthur Vieira Bastos, ex-tesoureiro do PMDB. Ele hoje fiscaliza empresas que doaram para ele no PMDB. Vai mexer na composição da Agetransp?
Não. Não vou mudar porque os conselheiros foram escolhidos, os seus nomes o governador escolhe e submete à Assembleia Legislativa. Eles foram aprovados.

Mas quem escolheu foi o ex-governador Cabral.
Ele escolheu, submeteu à Assembleia. O Arthur tem competência. Todos os processos do estado passavam pela mão dele. Seguimos a lei. Nunca houve tanta multa.

O senhor prometeu pôr o Rio em primeiro lugar no ranking nacional do Índice de Educação Básica (Ideb), que avalia a qualidade do ensino. Como?
Vou continuar a investir na Educação, valorizar o professor, valorizar a rede de apoio. Construir novas escolas. Botar ensino médio com ensino profissionalizante. Quero também investir em mais centros de vocação tecnológica e na Faetec.

O valor das multas não é baixo? A multa para o caos de janeiro, quando o sistema de trens parou, foi de R$ 868 mil.
Não sei o valor de multa. Isso, os órgãos de fiscalização submetem e eu aprovo, e eu só sanciono. Eu sei que a gente segue estritamente a lei. A Agetransp é um órgão que está cada vez mais formando mais seus técnicos, melhorando para fiscalizar cada vez mais os transportes concedidos.

O senhor tem alguma proposta concreta para melhorar a transparência?
Não. Sou a favor de continuar a melhorar, a colocar todos esses instrumentos à disposição da população pra nos cobrar e nos fiscalizar cada vez mais.

De 2011 a 2013, o governo do Rio de Janeiro gastou R$ 831 milhões em publicidade. Por que tanto?
A gente vê no que o estado se comunicar se comunicar. Uma operação da Lei Seca, campanhas na Saúde, principalmente da dengue. Eu acho que é um gasto razoável para um governo que tem um orçamento de R$ 84 bilhões , como o deste ano. Nós não estamos nada diferente. Eu procurei até ver esses dias, eu estava vendo que o governo da Bahia gasta até mais do que o Rio.

Nem sempre o dinheiro é para campanhas de interesse público. O ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes e o subsecretário de Comunicação Social Ricardo Cota foram condenados por usar dinheiro da Saúde em propaganda.
O dinheiro foi usado pra campanha de saúde, e houve uma falha na defesa, a gente recorreu, e eu tenho certeza que serão comprovados os gastos. Houve uma falha na defesa, mas os gastos foram feitos em campanhas de saúde.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/brasil/eleicoes-2014/nao-acho-politica-uma-guerra-diz-pezao-14069274.html#ixzz3Ece9wlre

sábado, 20 de setembro de 2014

MANGUEIRA VAI REABRIR QUADRA APÓS FIM DE SEMANA DE CONFRONTOS

JORNAL EXTRA 19/09/14 10:17



Quadra foi fechada no último sábado 14/09/2014 Foto: Fábio Guimarães / Extra


Igor Ricardo


Depois de ter cancelado a disputa de samba no último fim de semana por causa da guerra do tráfico, a Mangueira enviou comunicado afirmando que neste sábado ocorrerá normalmente a festa. A regra permanece a mesma da que foi adiada, com nove sambas se apresentando, em que três serão cortados pelos jurados. Na manhã desta sexta-feira, funcionários da agremiação realizaram trabalho de lavagem do espaço.

- Estão lavando e preparando toda a quadra para a noite de amanhã (sábado). A equipe trabalha forte para deixar tudo em seu lugar. Estamos afinando os detalhes e preparando uma belíssima noite de samba - afirmou Junior Schal, diretor de carnaval da Mangueira.


Funcionários preparam quadra da Mangueira para festa neste sábado Foto: Junior Schall

No último sábado, a festa foi cancelada por causa da guerra de traficantes no Morro. A decisão de cancelar o evento foi tomada pelo presidente da escola de samba, Chiquinho da Mangueira.

- Achei prudente não continuar diante do problema no alto do morro. Foi uma decisão minha para preservar a todos - afirmou Chiquinho, no último domingo, que frisou: - Esse clima não tem atrapalhado em nada os nossos ensaios.


 Mangueira afirmou que vai reabrir espaço neste sábado Foto: Picasa / Fernando Azevedo / Divulgação

Na ocasião, por volta das 20h, policiais da UPP da localidade trocaram tiros com traficantes na região conhecida como Candelária, que fica na parte baixa da comunidade, levando tensão a moradores e frequentadores. Durante a tarde de sábado, uma feijoada ocorreu normalmente na quadra da Verde e rosa.


Disputa na Mangueira após morte de Tuchinha


Mangueira cancelou a festa por causa de problema de segurança pública Foto: Reprodução Facebook

Moradores relatam que os confrontos na região se intensificaram após a morte do ex-traficante Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha. Ex-chefe do tráfico na Mangueira nas décadas de 1980 e 1990, Tuchinha foi assassinado no dia 2 deste mês, a tiros e golpes de faca. Ele foi surpreendido por dois homens numa moto, na Rua da Prata, um dos acessos à comunidade, quando esperava seu carro, um Land Rover Discovery avaliado em R$ 110 mil, ser lavado.

Desde 2011 Tuchinha trabalhava de carteira assinada na ONG AfroReggae. Sua função era incentivar jovens a deixar o mundo do crime, por meio de palestras motivacionais. A Divisão de Homicídios investiga a morte do ex-traficante.

Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/mangueira-vai-reabrir-quadra-apos-fim-de-semana-de-confrontos-13983670.html#ixzz3Drq9CWyU

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

MORRE COMANDANTE DA UPP DO ALEMÃO BALEADO COM CONFRONTO COM BANDIDOS

JORNAL EXTRA , 11/09/14 23:39


O comandante foi baelado durante um confronto com bandidos


Extra

A violência em Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) fez nesta quinta-feira a sua primeira vítima entre oficiais da PM: o capitão Uanderson Manoel da Silva, de 34 anos, comandante da UPP Nova Brasília, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, morreu após ser atingido por um tiro no peito. O confronto foi na localidade conhecida como Largo do Vivi e começou por volta de 17h30, durando aproximadamente 30 minutos.

O policial foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Complexo do Alemão e, em seguida, para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha. Segundo a direção da unidade de saúde, o comandante foi levado para o centro cirúrgico, onde passou por uma cirurgia no tórax, mas não resistiu aos ferimentos.

O policial foi levado para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiu Foto: Rafael Moraes / Extra



O capitão Uanderson Manoel da Silva, de 34 anos Foto: Foto do leitor / Via WhatsApp



Um áudio gravado por um PM, que circulou por redes sociais de policiais e foi enviado ao WhatsApp do EXTRA (21 99644-1263 e 21 99809-9952), relata a situação tensa na Nova Brasília no momento em que o capitão foi baleado. “O mundo está se acabando em bala”, diz o autor do áudio. A informação de que outros PMs também teriam ficado feridos não se confirmou, assim como a de que o tiro teria partido de um fuzil.

O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foi convocado para reforçar a segurança no conjunto de favelas e auxiliar na busca pelos atiradores.

De acordo com a nota enviada pela Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), Uanderson estava há 11 anos na Polícia Militar. Antes de assumir o comando da UPP Nova Brasília, há três meses, ele trabalhou nos seguintes batalhões: 14º BPM (Bangu), 15º BPM (Caxias) e 41º BPM (Irajá).

O policiamento foi reforçado no Complexo do Alemão Foto: Rafael Moraes / Extra


Veja a íntegra da nota enviada pela CPP:

“Por volta das 17h30 desta quinta-feira (11/9), policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Nova Brasília, no Complexo do Alemão, encontraram com bandidos armados na localidade conhecida como Largo da Vivi. Houve um confronto e o comandante da UPP, capitão Uanderson Manoel da Silva, de 34 anos, foi atingido. Ele foi socorrido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alemão e transferido para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. O oficial não resistiu aos ferimentos. O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) faz buscas na região na tentativa de localizar os atiradores.

O capitão Uanderson estava há 11 anos na Polícia Militar. Ele trabalhou no 14º BPM (Bangu), 15º BPM (Caxias) e 41º BPM (Irajá). Ele comandava a UPP Nova Brasília há 3 meses. O PM era casado e tinha uma filha. Ainda não há informações sobre o enterro do policial”.


Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/morre-comandante-de-upp-baleado-no-alemao-13908444.html#ixzz3D7Neeei3


JORNAL EXTRA 12/09/14 11:23

Polícia prende suspeito de ter participado da morte de comandante de UPP no Alemão




Cassiano da Silva Harris é suspeito de ter participado do confronto que matou comandante Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo


Igor Ricardo

Policiais da 22ª DP (Penha) prenderam, na madrugada desta sexta-feira, Cassiano da Silva Harris, de 20 anos, um dos suspeitos de ter participado do confronto que terminou com a morte do comandante da UPP Nova Brasília, no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Cassiano foi preso na Vila Cruzeiro, no Complexo do Penha. Ele já teve o pedido de prisão temporária de 30 dias aceito pela Justiça do Rio. De acordo com o delegado-assistente Carlos Eduardo Rangel, Cassiano teria arremessado um artefato explosivo contra uma viatura da PM.


- Ele foi reconhecido pelos agentes dessa viatura. Por causa de um defeito no cordão de detonação, o artefato não explodiu. Já identificamos os suspeitos desse ataque que vitimou o capitão Uanderson. Estamos na rua atrás de outros envolvidos - garantiu Carlos Eduardo Rangel.

Cassiano vai responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico e homícidio simples. Na decisão assinada pelo juiz Vinicius Marcondes de Araujo, da Vara do Plantão Judicial, Cassiano é identificado como um dos principais homens de resistência ao processo de pacificação na região. Sendo sua prisão necessária para “continuidade das investigações sobre o fato e sobre a associação ao tráfico”.


Na manhã desta sexta-feira, a esposa do capitão Uanderson Manoel da Silva, de 34 anos, esteve no Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio, para a liberação do corpo do marido. Em entrevista para à Rádio Globo, Bianca Neves Ferreira da Silva, de 30 anos, contou que trabalhava na mesma unidade de polícia pacificadora do marido. Ela é secretária dos coronéis da UPP e conhecia Uanderson há 11 anos.

"Nós nos conhecemos na academia de polícia. Eu ainda estou sem chão, não consegui dar a notícia para a nossa filha", revelou Bianca para a Rádio Globo.



Bianca Neves esteve no IML na manhã desta sexta-feira Foto: Rafael Moraes / Extra



Morte de capitão

O comandante da UPP Nova Brasília morreu após ser atingido por um tiro no peito. O confronto foi na localidade conhecida como Largo do Vivi e começou por volta de 17h30, durando aproximadamente 30 minutos. O policial foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Complexo do Alemão e, em seguida, para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha. Segundo a direção da unidade de saúde, o comandante foi levado para o centro cirúrgico, onde passou por uma cirurgia no tórax, mas não resistiu aos ferimentos.



Movimentação policial na porta do Hospital Getúlio Vargas, na Penha 11/09/2014 Foto: Rafael Moraes / Extra


De acordo com a nota enviada pela Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), Uanderson estava há 11 anos na Polícia Militar. Antes de assumir o comando da UPP Nova Brasília, há três meses, ele trabalhou nos seguintes batalhões: 14º BPM (Bangu), 15º BPM (Caxias) e 41º BPM (Irajá).

O policiamento na região do Complexo do Alemão segue reforçado nesta manhã. O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) faz operação para reforçar a segurança no conjunto de favelas e auxiliar na busca pelos suspeitos do crime.


Policiamento reforçado no Alemão no dia seguinte após a morte do comandante da UPP Nova Brasilia Foto: Fabiano Rocha / Extra

domingo, 31 de agosto de 2014

GARANTO QUE EM ÁREAS COM UPP PODE FAZER CAMPANHA

REVISTA ISTO É N° Edição: 2336 


por Eliane Lobato


ENTREVISTA


José Mariano Beltrame - "Garanto que em áreas com UPPs pode fazer campanha"

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro diz não haver provas de que milicianos ou traficantes impeçam os candidatos de irem às favelas e afirma que só continua no cargo se Pezão for eleito governador



COOPTADO
"O menor, hoje, é mais usado pelo aparato criminoso do que antes", diz ele


O sotaque gaúcho de José Mariano Beltrame, 57 anos, nascido em Santa Maria (RS), é, aparentemente, o único impedimento para que ele seja confundido com um carioca. Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro há quase sete anos, ele faz caminhadas pela cidade, incluindo subúrbio e favelas, comemora tomando chope com amigos e a mulher, mãe de um de seus três filhos, em bares populares e adota o estilo informal para se vestir. No trabalho, Beltrame criou um divisor de águas na vida dos cariocas: o projeto Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), que teve início em dezembro de 2008, quando foi instalada a primeira unidade no Morro Dona Marta, em Botafogo, no governo Sérgio Cabral (PMDB). Faltam apenas duas para alcançar a meta de 40.



"Antes, 'amarildos' eram mortos, mas não ficávamos sabendo.
Hoje, tem investigação, punição. A polícia elucidou esse crime"



As UPPs são aprovadas pela maioria dos moradores do Rio, incluindo os que vivem em favelas – 73,6% disseram, em pesquisas, que as áreas ainda “têm problemas, mas são a melhor coisa que já aconteceu na Segurança Pública do Rio”. Os bastidores desse projeto estão esmiuçados na biografia “Todo Dia É Segunda-feira”, que ele lançou recentemente pela editora Sextante. Beltrame diz não se opor à decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tropas federais da Força Nacional para garantir a segurança nas eleiçoes no Rio. A base do pedido foi, justamente, um documento elaborado pela Secretaria de Segurança Pública.



"A polícia lida com constrangimento com o crack porque se estiver
consumindo é crime; se não estiver, não é. O policial não pode
ficar esperando o cara acender o cachimbo!"



ISTOÉ - Candidatos estão sendo impedidos de fazer campanha em favelas por traficantes ou milicianos?

JOSÉ MARIANO BELTRAME - Não temos nenhum registro oficializado, formalizado, só denúncia anônima. Temos gente em vários lugares tentando levantar essas informações, mas, enquanto não tivermos provas contundentes de que isso está de fato acontecendo, eu, como profissional de inteligência, não posso pedir forças nacionais para atuar no Rio de Janeiro. Não tenho e nunca tive nenhum tipo de escrúpulo de pedir esse tipo de ajuda. Pelo contrário, acho que o Rio é pioneiro nisso.

ISTOÉ - Mas a Secretaria de Segurança Pública entregou um relatório ao desembargador eleitoral Fábio Uchôa no qual diz que em 41 comunidades o tráfico ou a milícia decidem sobre a realização de campanhas.

JOSÉ MARIANO BELTRAME - Mandei esse relatório em caráter reservado exatamente porque está em fase de levantamento, de apuração. Não vou dizer o conteúdo deste relatório porque sou um profissional de inteligência. É assim que a polícia trabalha: transformando uma informação recebida em uma prova. Mas não há provas ainda. Não adianta tapar o sol com a peneira e dizer que vai cobrir todo e qualquer lugar do Rio onde tenha crime, 24 horas por dia, sete dias por semana. O que eu garanto é que em áreas com UPPs pode fazer campanha, não tem problema, basta o candidato comunicar ao Comando (da polícia) que eu tenho certeza que fará.

ISTOÉ - E onde não tem UPP?

JOSÉ MARIANO BELTRAME - Onde não tem é porque nunca teve, sei lá o que faziam antes. Se pagavam, se combinavam, que tipo de moeda de troca. Como é que faziam campanha na Cidade de Deus (favela da zona oeste)? Na (favela) Mangueira (zona central)? Hoje, nesses lugares, que têm UPPs, eu garanto que eles podem fazer. Agora, no Chapadão (favela da Pavuna, zona norte) nunca puderam. O modus operandi que a gente levantou é o seguinte: tudo, em área de crime, entra via associação dos moradores. Seja milícia, seja tráfico, tudo entra através de alguns integrantes dessas associações. Não posso dizer que são todos que integram nem que são todas as associações. Por simpatia ou dinheiro, fazem algum tipo de acordo para permitir ou inviabilizar.

ISTOÉ - A quem interessa dizer que não se pode fazer campanha em favelas se nenhum candidato registrou isso?

JOSÉ MARIANO BELTRAME - Em primeiro lugar, há pessoas que são contrárias ao que foi feito pelo Estado dentro dessas áreas, como (a facção criminosa) Comando Vermelho, a milícia e todos os criminosos que perderam poder com a chegada das UPPs. Tiramos o controle territorial deles, houve perda financeira muito grande. Eles procuram desmoralizar ou desestabilizar o projeto de várias formas.

ISTOÉ - Quase seis anos depois da primeira UPP, como avalia a experiência, levando em conta episódios como o do Amarildo (de Souza, pedreiro torturado e morto na UPP da favela da Rocinha, em 2013)?

JOSÉ MARIANO BELTRAME - Antigamente, “amarildos” eram mortos, mas não ficávamos sabendo. Hoje, tem investigação, punição. A polícia trabalhou na favela da Rocinha (zona sul) e elucidou esse crime, como se elucida no asfalto. Os policiais foram afastados, estão todos presos, o processo está em fase de alegações finais e eu acredito, sem dúvida nenhuma, na expulsão de todos. Eu sempre disse que vocês nunca iriam ouvir da minha boca que “nós vencemos”. Porque segurança pública é um jogo que não permite vencer. Minha avaliação sobre as UPPs é muito boa. Se lembrarmos como essas áreas eram, vemos uma evolução fantástica. A taxa de retorno nas escolas aumentou sensivelmente, da mesmo forma que o nível de aproveitamento dos alunos. O valor dos imóveis no entorno desses lugares cresceu e, dentro dessas áreas, há desenvolvimento microeconômico.Temos problemas ainda? Sim, temos. Não tenho a pretensão de mudar isso a médio prazo porque são medidas estruturantes que, por isso, não dão resultado a curto prazo. E digo mais: tem de ir aos poucos mudando a própria polícia, que tem de entrar e se capacitar cada vez mais, melhorar mais. 

ISTOÉ - Qual é o objetivo prioritário das UPPs?

JOSÉ MARIANO BELTRAME - Não é acabar com o tráfico de drogas, como muitos pensam. Até porque prevalece a velha lógica: enquanto houver vício (consumidor), haverá renda e, em consequência, mercado. O objetivo da UPP é salvar vidas. O que a gente quer é que o chefe de família possa ir e voltar do trabalho, que as pessoas não sejam mais impedidas de entrar na própria casa por ordem de criminosos, etc. Quando fizemos a UPP, nossa preocupação era salvar vidas. Morriam, anualmente, 42 pessoas por 100 mil habitantes, hoje são 26. Está bom? Não, não está bom. Mas está muito melhor. Em UPP, esse é um dado fantástico, o nível de homicídio é 8,9 por 100 mil, abaixo do que a ONU estabelece. No Dona Marta não tem homicídio há três anos.

ISTOÉ - O crack é, hoje, a pior droga do País?

JOSÉ MARIANO BELTRAME - Sem dúvida, e vejo um futuro bastante pessimista para o Brasil em relação ao crack. É uma droga barata, com R$ 1 ou R$ 2 você adquire. Hoje, temos uma legião de pessoas que vivem como verdadeiros zumbis. Sabe por que eles andam sempre em grupos? Porque a dependência dessa droga é diferente, a fissura, como dizem, se repete de uma maneira muito rápida, duas ou três horas depois. Então, o dependente precisa estar perto de quem possa ter a droga, do “ponto de venda”. Diferentemente do viciado em cocaína, que compra sua droga e vai consumir em casa, nas coberturas. Acho que hoje a polícia lida com isso com um constrangimento muito grande porque se estiver consumindo é crime; se não estiver, não é crime. O policial não pode ficar ali parado esperando o cara acender o cachimbo!

ISTOÉ - Alguns candidatos ao governo do Rio já manifestaram interesse em trabalhar com o sr., se forem eleitos. Pretende continuar?

JOSÉ MARIANO BELTRAME - Eu só posso continuar com o (o Luiz Fernando) Pezão (governador atual e também candidato pelo PMDB). Tudo o que foi feito teve um avalista, um apoiador inconteste. Quem assinou o custo, alto, foi o governo Sérgio Cabral (de quem Pezão era vice). Eu tenho que acreditar em quem começou isso e me deu carta branca. São valores muito fortes. Então, meu compromisso é com o Pezão. Se não for ele o eleito, vou tirar férias e, depois, cuidar da minha vida.

ISTOÉ - O sr. levou o candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) para visitar uma UPP. Significa apoio?

JOSÉ MARIANO BELTRAME - O que eu fiz com Aécio Neves já fiz com autoridades nacionais, internacionais, e faço com a presidenta Dilma (Rousseff), se ela quiser, até porque ela é parceira nisso, ou com a Marina (Silva, candidata do PSB) também, se ela achar interessante. Fiquei muito honrado quando um candidato, no caso, o Aécio, quis conhecer uma UPP. Sinto, inclusive, que é minha obrigação mostrar, falar sobre segurança pública, que as pessoas pensam que é sinônimo de polícia, no Brasil, e isso é um erro enorme.

ISTOÉ - O que é então?

JOSÉ MARIANO BELTRAME - Envolve uma cadeia de instituições, como o Judiciário, o legislador, a prefeitura. Existe, por exemplo, a Lei 12.403 do Código de Processo Penal (2011), que não permite prender alguém cujo crime tenha pena menor do que quatro anos. Então, quando roubarem o cordão, a bolsa, o celular de alguém, não chamem a polícia porque ela nada poderá fazer, já que esses crimes têm penas inferiores. Receptação (de carro, joias, etc.) também não dá cadeia porque a pena é de três anos. O policial hoje é um cara constrangido porque sabe que vai ficar quatro horas numa delegacia para fazer a autuação do roubo e, no final, todos sairão juntos – criminoso, vítima, policial. A sociedade sabe dessa lei? Foi consultada? Aprovou? Na Rocinha, 85% dos infratores levados para a delegacia saem junto com os policiais. No centro do Rio, 40% dos delitos são cometidos por menores de idade, e nós temos uma lei que tem 20 anos e estabelece que menor não vai preso.

ISTOÉ - O sr. defende que menores sejam encarcerados?

JOSÉ MARIANO BELTRAME - Não, mas acho que quem cometeu um crime deve sofrer uma ação exemplar do Estado, correspondente ao ato que cometeu. O menor, hoje, é mais usado pelo aparato criminoso do que antes. Quero que as pessoas saibam disso, que existem leis que são assim e que, se elas quiserem modificar, precisam se movimentar.

sábado, 23 de agosto de 2014

AUMENTA O NÚMERO DE HOMICÍDIOS NO RIO



ISP: número de homicídios sobe 22,8% em julho, em relação ao mesmo mês em 2013. Roubos a pedestres tiveram aumento de 123% em Copacabana, no mês da final da Copa do Mundo

O GLOBO 22/08/2014



RIO - O número de homicídios dolosos (aqueles em que os autores têm a intenção de matar) cresceu 22,8% no estado em julho, se comparado com o mesmo mês do ano passado, revelou um levantamento dos índices de criminalidade divulgado ontem pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). A quantidade de registros subiu de 302 para 371. No município do Rio, o aumento foi de 20,7%, passando de 77 para 93.

Em nota, o comando da Polícia Militar enfatizou que “apesar de ser maior que o do mesmo mês em 2013, o número de homicídios dolosos foi o menor do ano e mostra tendência de queda”. Além disso, a PM afirmou que “segue acreditando na eficácia das estratégias de segurança implementadas”.

De acordo com o ISP, os registros de roubos a transeuntes tiveram um aumento de 45,7%, passando de 4.964 casos em julho de 2013 para 7.235 no mês passado. O número mais recente corresponde a uma média de 241 assaltos por dia, ou dez por hora. No município do Rio, a estatística desse tipo de crime subiu 47,5% no período, indo de 2.368 para 3.495 registros, representando 116 casos por dia ou 4,85 por hora.

Em Copacabana, onde foi realizada a Fifa Fan Fest durante a Copa do Mundo, o número de registros de roubos a pedestres cresceu 123%. Foram 85 casos registrados nas duas delegacias do bairro em julho deste ano, contra 38 em 2013.

Nas delegacias da área do Maracanã, a 19ª DP (Tijuca) e 20ª DP (Vila Isabel), também houve aumento no número de roubos a transeuntes: 110%. Foram 147 em julho (uma média de 4,9 casos por dia) contra 70 no mesmo mês do ano passado. Em outras três delegacias que receberam vítimas de assaltos praticados perto do estádio, a quantidade de registros subiu 41%, passando de 153 para 216 casos (7,2 por dia). Somente na 17ª DP (São Cristóvão), foram feitos 89 registros. Na 18ª DP (Praça da Bandeira), 83; e na 6ª DP (Cidade Nova), 44.

As delegacias do Leblon (14ª DP) e da Gávea (15ª DP) registraram um aumento de 118% no número de roubos a transeuntes, subindo de 38 casos em julho do ano passado para 83 no mesmo mês deste ano.

Os chamados roubos de rua, que abrangem assaltos a pedestres e passageiros de ônibus, além de furtos de celulares, subiram 42,4% no estado, passando de 5.857 para 8.483 registros, o que representa uma média de 282,76 casos por dia. Somente o número de roubos de celulares aumentou 39,1% (470 registros em julho, contra 654 ocorridos no mês passado).


A quantidade de veículos roubados no estado subiu 11%: passou de 2.242 em julho de 2013 para 2.488 no mês passado.

Segundo o levantamento do ISP, o crime que registrou o maior aumento percentual de casos foi o roubo de carga: 72,7%. Houve 442 casos, contra 256 em julho de 2013.

A chamada letalidade violenta, que inclui homicídio, latrocínio, auto de resistência e lesão seguida de morte, aumentou 27,4% no estado. Em julho de 2013, foram registrados 350 casos. No mês passado, 446 (uma média de 14,86 por dia).



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segunda-feira, 21 de julho de 2014

ALEMÃO REGISTRA NOVA TROCA DE TIROS


Mesmo com policiamento reforçado, Alemão registra nova troca de tiros. De acordo com a Coordenadoria da Polícia Pacificadora, o confronto entre PMs e bandidos aconteceu na região da UPP do Alemão

POR TAÍS MENDES / WALESKA BORGES
O GLOBO  21/07/2014 14:21


Crianças observam o contêiner da UPP que foi incendiado no Alemão - Márcia Foletto / Agência O Globo

RIO - Apesar do policiamento reforçado, uma nova troca de tiros foi registrada. De acordo com a Coordenadoria da Polícia Pacificadora, o confronto entre PMs e bandidos aconteceu na região da UPP do Alemão, na localidade conhecida com o Avenida Central. Dois criminosos foram detidos e levados para 22ª DP (Penha). Não há informações de feridos. De acordo com a secretaria estadual de Educação, duas escolas na região foram fechadas e 550 alunos estão sem aula. As aulas foram suspensas no Colégio Estadual Jornalista Tim Lopes (350 alunos no turno da tarde) e CAIC Theóphilo de Souza Pinto (200 alunos). Mais cedo, a secretaria municipal de Eduacação informou que as 35 escolas que funcionam no complexo de favelas estão funcionando.

Na noite domingo, traficantes atacaram a sede da UPP do Alemão, na Rua Canitá. Eles provocaram um incêndio no contêiner e um policial militar ficou ferido. Um carro da PM e uma motocicleta também pegaram fogo. O ato teria sido uma represália à morte de Matheus Alexandre da Silva, de 18 anos, atingido por disparos na tarde de domingo, durante tiroteio entre policiais e traficantes.

Na manhã desta segunda-feira, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) e o Batalhão de Choque foram acionados para reforçar a segurança na comunidade e realizar buscas por suspeitos de terem cometido o ataque. A PM isolou uma faixa em frente ao contêiner da unidade e está revistando motociclistas. Um caminhão que estava fazendo descarga em um supermercado também foi orientado a sair do local.

Dois policiais militares que estavam dentro do contêiner na Rua Canita, atacada por bandidos, contaram que os traficantes dispararam cerca de 130 tiros contra a unidade. Um dos disparos atingiu o relógio de luz, o que provocou o incêndio no módulo e no carro da PM que estava estacionado ao lado da unidade. A moto de um vizinho também foi atingida no tanque de combustível e acabou destruída pelo fogo. Nas fachadas e portões de casas ao lado da UPP há muitas marcas de tiros. O carro da PM incendiado permanece no local.

Segundo os policiais, os tiroteio durou cerca de dez minutos. Os PMs que estavam dentro da unidade conseguiram se abrigar e não foram feridos. Já o soldado Cordeiro, que saiu de dentro do contêiner, acabou baleado na cintura. Ele chegou a ser levado para Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, e depois transferido para o Hospital Central da Polícia Militar, no Centro.transferido para o Hospital Central da Polícia Militar, no Centro. A energia já foi restabelecida na Favela Nova Brasília. Por volta das 11h30m, o clima era de aparente tranquilidade na região, e o comércio funcionava normalmente.

MORRE SUPEITO DE TRÁFICO PRESO NO DOMINGO

A Secretaria municipal de Saúde confirmou a morte do suspeito de envolvimento com tráfico de drogas Diogo Wellington Costas, o Bebezão, de 28 anos, baleado na barriga no sábado, durante uma troca de tiros no Complexo do Alemão. Ele passou por uma cirurgia, mas não resistiu.

Bebezão foi preso quando participava de uma festa na comunidade. Ele portava armas e, ao perceber a presença de policiais no local, tentou fugir junto com outro suspeito em uma moto. Eles fizeram disparos contra os PMs. Houve confronto, e Bebezão foi ferido na barriga. Ele ainda conseguiu fugir, mas foi capturado logo depois.

TELEFÉRICO PARADO DESDE QUINTA-FEIRA
Carro da UPP do Alemão incendiado por criminosos - Foto de leitor

O Teleférico do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, amanheceu fechado nesta segunda-feira. De acordo com a SuperVia, técnicos seguem com inspeção nos equipamentos em função de problemas de segurança pública. Desde a quinta-feira, o teleférico estava fechado após um outro tiroteio que aconteceu na comunidade.

Segundo a concessionária, o procedimento é adotado para garantir a segurança dos passageiros e a eficiência operacional do sistema. Não há previsão para que a operação seja retomada.



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