O Rio de Janeiro é o espelho do Brasil. O que ocorre no Rio de Janeiro fatalmente se transmitirá em cadeia para os outros Estados da Federação. As questões de justiça criminal e ordem pública não fogem desta regra. Portanto, é estratégico manter a atenção, estudar o cenário, analisar as experiências e observar as políticas lá realizadas, ajudando no alcance dos objetivos. A solução desta guerra envolve leis duras e um Sistema de Justiça Criminal integrado, ágil, coativo e comprometido em garantir o direito da população à segurança pública.

sábado, 31 de março de 2012

ARQUITETA MORRE ATINGIDA POR TIROS


Mulher é baleada, bate com o carro e morre no Alto da Boavista. Polícia acredita que ela pode ter sofrido uma tentativa de assalto. O Globo. 31/03/12 - 11h05

RIO - A arquiteta Renata da Trindade Mendonça, de 29 anos, morreu na madrugada deste sábado, por volta das 3h, ao ser atingida por tiros no Alto da Boavista. Depois de ser baleada, ela ainda conseguiu dirigir alguns metros, mas bateu com o veículo na altura da curva do S. Renata ainda foi levada por bombeiros do Batalhão Florestal para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra, mas não resistiu aos ferimentos.

Policiais do 6º BPM (Tijuca) contaram que foram informados sobre uma colisão no local e, ao chegarem, perceberam que Renata, que dirigia um Fox preto, tinha sido baleada. A polícia acredita que ela pode ter sido vítima de uma tentativa de assalto. A Divisão de Homicídios (DH) vai investigar o caso. Na manhã de sábado, ao chegar à delegacia, o tio de Renata, Walter Trindade, disse que ela foi surpreendida por um tiroteio. Ele afirmou que Renata voltava da Barra da Tijuca para a casa, no Grajaú.

RECRUTAS DA PM FARÃO ESTÁGIO NA ROCINHA


Recrutas da PM farão estágio na Rocinha até chegada de UPP. A medida vai possibilitar reforço no policiamento comunitário, agilidade no combate ao crime e uma maior sensação de segurança para os moradores. Antônio Werneck e Duilo Victor. 30/03/12 - 23h32


RIO - Até a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), ainda sem data marcada, a Rocinha será o primeiro campo de instrução por onde todos os recrutas da Polícia Militar passarão, numa espécie de estágio obrigatório, revelou na sexta-feira ao GLOBO o comando da corporação. A medida vai possibilitar reforço no policiamento comunitário, agilidade no combate ao crime e uma maior sensação de segurança para os moradores. Pelo planejamento, a Rocinha ganhará o status de Área de Estágio Prático-Operacional para todos os PMs formados pelo Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap). Na prática, isso significa que a favela terá seu efetivo dobrado até sexta-feira, de 350 para 700 PMs.

A Rocinha é uma das maiores favelas do Rio, com 70 mil habitantes e uma população flutuante que aumenta nos feriados. A comunidade se estende pelos bairros da Gávea e de São Conrado, dois dos mais altos IPTUs da cidade. Nos complexos da Penha e do Alemão, também com cerca de 70 mil habitantes, hoje atuam 750 PMs e 1.800 militares do Exército.

Na Rocinha, os recrutas serão comandados pelo major Edson Santos, oriundo do Bope e escolhido esta semana para ser o coordenador-geral da ocupação. Terão apoio do Bope e do Batalhão de Choque.

— O policiamento está sendo reforçado na Rocinha, além de implantarmos uma dinâmica diferenciada, com superposição de patrulhas, principalmente no alto da favela, na localidade da Cachopa. Não vamos perder essa guerra. Se for necessário, aumentaremos o policiamento — garantiu o coronel Frederico Caldas, coordenador-geral de Comunicação da PM.

A PM informou que o "grande desafio é dar visibilidade ao policiamento, proporcionando sensação de segurança e aumentando a capacidade de prevenção de crimes, inclusive na região em torno das comunidades". No dia 23 passado, a favela já havia recebido o reforço de 130 PMs recém-formados, atualmente lotados na Coordenadoria de Polícia Pacificadora. Na quinta-feira, outros 40 PMs se juntaram à tropa. Para a Polícia Militar, "a missão de acabar com o domínio territorial do fuzil foi cumprida". A corporação diz ainda que "a venda de drogas é uma triste realidade que se repete nas maiores cidades do mundo, causando um grande problema de saúde pública".

Lucros explicariam disputas do tráfico

Desde o início do ano, a Rocinha é palco de uma disputa travada por dois grupos de traficantes. A luta, que já deixou sete mortos, é pelos mais lucrativos pontos de venda de drogas do estado. Os negócios rendem aos bandidos cerca de R$ 1 milhão por mês, segundo revelou o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, ao ser preso em novembro, às vésperas da ocupação. Fontes da PF e da Polícia Civil revelaram que os bandidos estariam armados até com fuzis, mas a PM nega categoricamente que tenha essa informação. Último dos grandes redutos do tráfico no Rio recuperado pelo Estado para receber uma UPP, a Rocinha é a primeira a ter resistência violenta do tráfico.

Para especialistas, o processo de pacificação na favela esbarra em dois obstáculos que a tornam diferente das outras comunidades. Ex-secretário nacional de Segurança Pública, o coronel José Vicente da Silva Filho lembra que a Rocinha sempre foi a mais lucrativa favela para a venda de drogas. A coordenadora do Núcleo de Pesquisas das Violências, da Uerj, a antropóloga Alba Zaluar, ressalta que, diferentemente das outras comunidades ocupadas, o principal chefe do tráfico — Nem — foi preso nos primeiros dias de operação. A chance de ainda obter lucros com o tráfico, mesmo com a pacificação, e os acertos de contas que se seguiram à ausência de Nem ajudam a explicar os assassinatos ocorridos nas últimas semanas, segundo especialistas.

José Vicente disse que esperava, com as ocupações do Alemão e da Rocinha, que os traficantes fizessem uma espécie de acordo tácito para não chamar a atenção da polícia com ações armadas. Mas não foi isso o que ocorreu:

— A Rocinha é o filé mignon da droga no Rio, fica no coração da Zona Sul, é de mais fácil acesso que o Complexo do Alemão. As disputas que ocorrem na Rocinha são fruto do vácuo de poder deixado pelo antigo chefe.

Alba destacou que, mesmo com essa aparente resistência do tráfico, os bandidos terão que modificar seus métodos:

— Na Rocinha, o Nem foi preso. Abriu chance para que outras pessoas se interessassem (pelo tráfico na favela). A localização da Rocinha a faz um lugar lucrativo para o tráfico. Isso (o processo de pacificação) vai levar tempo. A organização do tráfico vai ter que se adaptar. Parece que querem o mesmo tipo de controle armado de território que havia antes, mas isso vai ter que acabar.

— Há um ajuste de contas pela herança deixada pelo Nem. O que se pode assegurar é que o tráfico não será nos moldes de antes, com bocas de fumo, como se via. Não vai haver mais poder com fuzil — disse o sociólogo Ignácio Cano, professor da Uerj .

Além da PM, a Polícia Civil também trabalha para acabar com a resistência do tráfico na Rocinha. A Divisão de Homicídios identificou dois homens suspeitos de envolvimento no assassinato do líder comunitário Vanderlan Oliveira, o Feijão, ocorrido segunda-feira: Thiago Martins Cafieiro, o FM, e Wellington Cipriano, o Vasquinho. A DH também conseguiu mandados de prisão contra cinco homens acusados de um quádruplo homicídio na favela, no início do ano: Zeus Pereira Vasconcelos, o Peteleco, de 30 anos; Alberto Luiz Justiniano Deodato, o Zork, de 30; Inácio Castro Silva, o Canelão, de 32; Leandro Soares dos Santos, o Carequinha, de 31; e André Fernandes de Paulo, o Cupim, de 21.

As disputas na Rocinha começaram este ano, depois que traficantes da mesma facção criminosa expulsa dos complexos do Alemão e da Penha pelas forças de segurança tomaram a parte alta da favela de São Conrado. O grupo, segundo policiais federais, seria formado por 50 homens, chefiados por Canelão, expulso da favela em 2008 por Nem. Com a prisão do traficante, que controlou a favela por seis anos, a venda de drogas passou a ser gerida por seu "gerente", Amaro Pereira da Silva, o Neto.

A disputa teve reflexos também numa importante base do tráfico da Rocinha no asfalto: a Cruzada São Sebastião, conjunto habitacional no Leblon. Três pessoas foram baleadas ali nos últimos 34 dias. No dia 26 de fevereiro, um homem levou dois tiros após ser perseguido. No dia 20 passado, o bandido voltou e baleou outro homem, que havia ajudado a socorrer a primeira vítima. Além disso, uma bala perdida atingiu o pé de um funcionário de uma companhia telefônica. O delegado Gilberto Ribeiro, titular da 14 DP (Leblon), diz que o autor das tentativas de homicídios é traficante da Rocinha. O motivo dos crimes ainda é desconhecido:

— Os crimes já foram esclarecidos e o autor, identificado. Sabemos que o atirador é da Rocinha e, pelas minhas informações, a primeira vítima já teve ligação com o tráfico.

MÉDICO É MORTO A TIROS EM TENTATIVA DE ASSALTO

Médico é morto a tiros em tentativa de assalto em Icaraí. De acordo com testemunhas, ele saía de carro quando foi abordado por dois homens em uma moto. O Globo. 31/03/12 - 11h20


RIO - O médico Carlos Vieira de Carvalho Sobrinho, de 65 anos, foi morto a tiros na manhã deste sábado durante uma tentativa de assalto, quando entrava de carro na garagem de sua casa, na Rua Comandante Miguelote Viana, em Icaraí, Niterói, próximo ao Morro do Cavalão. De acordo com testemunhas, ele foi abordado por dois homens numa motocicleta. Os policiais disseram que o médico foi baleado ao tentar reagir. Os bandidos fugiram com o carro da vítima, um Cerato.

Nos últimos meses, Niterói tem experimentado uma onda de violência. A Polícia Militar investiga o deslocamento de traficantes do Morro da Mangueira, no Rio, que foi ocupada por uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), para comunidades do município, como Morro do Preventório, em Charitas, e do Complexo da Maré e de Senador Camará para o Morro do Cavalão, no Centro de Niterói. Pelo menos 30 bandidos já estariam agindo na cidade, praticando assaltos com reféns, arrastões e roubos.

quarta-feira, 28 de março de 2012

TRANSIÇÃO MILITAR NO COMPLEXO DO ALEMÃO


Começa no Rio nova etapa de pacificação de favelas. Bope ocupou áreas do Complexo do Alemão, numa ação que prepara a saída do Exército do local - ZERO HORA 28/03/2012

A Polícia Militar do Rio de Janeiro iniciou ontem uma varredura em duas comunidades do Complexo do Alemão, na Zona Norte, para a instalação das primeiras Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no local. A operação representa a preparação para a retirada do Exército da comunidade. Os militares estão na região desde novembro de 2010, mas até junho os cerca de 2 mil homens serão substituídos por PMs, numa transição gradual.

Os 750 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque vão permanecer nas favelas Nova Brasília e Fazendinha por 10 dias. Nesse intervalo serão instaladas as duas primeiras UPPs no complexo, que compreende 13 favelas. Os PMs não encontraram resistências ao entrar na área. Três homens foram presos, um deles suspeito de ser o atual líder do tráfico na região. Foram apreendidas armas e drogas, além de produtos falsificados.

A transição no Alemão ocorre no momento em que se tenta administrar uma crise na Rocinha, com a volta da disputa pelo tráfico. Ontem, a PM anunciou novo aumento do efetivo responsável pelo policiamento na comunidade, na zona sul da cidade, ocupada desde novembro passado. Mais 40 policiais foram enviados para a favela, que já havia recebido 130 na última sexta-feira. Agora já são 350 os PMs em ação na Rocinha, que ainda não tem data para receber UPP.

A comunidade foi palco de crimes e confrontos nos últimos dias, quando nove pessoas foram assassinadas, entre elas um líder comunitário suspeito de envolvimento com o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem.

O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, defendeu a ocupação:

– Não podemos dizer que em quatro meses vamos trazer a paz total para essa comunidade nem para o Rio de Janeiro. Se tiver que colocar mais policiais, nós vamos colocar. A população pode acreditar que nessas comunidades onde já estamos não vai haver nenhum tipo de recuo, porque a ocupação é absolutamente necessária.

Segundo Beltrame, os crimes na Rocinha foram praticados por criminosos prejudicados pela ocupação policial.

O governador Sérgio Cabral (PMDB) emitiu nota. Segundo ele, a polícia está enfrentando um “tumor que estava matando o Rio de Janeiro”.

SUA SEGURANÇA | Humberto Trezzi. Mais do que na hora

A PM do Rio começou ontem a fazer a varredura final nas favelas Nova Brasília e Fazendinha para implantar as primeiras Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no chamado Complexo do Alemão, composto de 13 comunidades. Já era mais do que hora disso acontecer.

O Alemão, como é chamado pelos moradores, era o maior QG do crime organizado no Rio. As comunidades do complexo eram as que reuniam mais bandidos armados. E isso ficou escancarado após a fuga de centenas de criminosos com fuzis nas mãos, mostrada ao vivo pelas TVs, em novembro de 2010. Tomados aqueles morros, o Exército permaneceu lá, inclusive com tropas gaúchas. Até certa forma, uma decisão controversa, porque as Forças Armadas não conhecem bem os criminosos. É até possível que tenham conseguido se reorganizar, como está acontecendo na Rocinha, que já tem uma UPP e, apesar disso, enfrenta uma guerra de quadrilhas pelo controle do tráfico.

terça-feira, 27 de março de 2012

UPP SE INSTALA NO COMPLEXO DO ALEMÃO

Bope apreende grande quantidade de drogas no Complexo do Alemão. Cerca de 750 PMs participam da implantação de UPPs em Nova Brasília e Fazendinha. Ana Claudia Costa E Athos Moura - O GLOBO, 27/03/12 - 12h11

RIO - Policiais do Bope que participam da operação de implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Complexo do Alemão, apreenderam, na manhã desta terça-feira, grande quantidade de cocaína, maconha e crack, na localidade conhecida como Aurora, na Favela Nova Brasília. O volume ainda não foi divulgado pela polícia. Cerca de 750 agentes participam da operação, que ocorre também na comunidade Fazendinha. Além do Bope, estão presentes o Batalhão de Choque, a Companhia de Cães e o Grupamento Aéreo Marítmo (GAM), além de 300 policiais recém-formados que já vão compor as novas UPPS. Os policiais substituem os militares do Exército nessas localidades.

Mais cedo, durante a ação de varredura em Nova Brasília e Fazendinha, equipes do Bope prenderam um homem foragido da Justiça. Simultaneamente, policiais do 12º BPM prenderam em Niterói um homem com uma metralhadora, uma pistola e quantidade de maconha. Segundo informações da PM, ele atuava no Alemão e fugiu para o Morro do Palácio, no Centro de Niterói. O comandante geral da PM, o coronel Erir Costa Filho, disse que as equipes dos outros batalhões da PM estão de prontidão para atuar em favelas cujos bandidos são da mesma facção dos traficantes do Alemão.

Segundo Costa Filho, assim que houver informação de movimentação de bandidos, esses batalhões atuarão em suas áreas. As bases das UPPs já estão sendo construídas ao lado das estações Fazendinha e Itararé, em Nova Brasília. Enquanto não ficam prontas, elas vão funcionar temporariamente em contêineres nesses locais.

Dois centros de controle instalados

A PM já instalou dois centros de controle nas duas comunidades. As novas unidades vão funcionar provisoriamente dentro de contêineres posicionados ao lado das estações dos teleférico e já foram vistoriadas pelo comandante da PM. As unidades fazem parte do processo de instalação da UPP. As sedes permanentes ainda estão em obra. O coronel apresentou também o comandante da UPP da Nova Brasília, o major Edson Raimundo dos Santos. Falta ainda nomear o capitão da UPP da Fazendinha.

Desde as 4h, o Bope está na favela Nova Brasília, enquanto o Choque ocupa o Morro da Fazendinha. A ação policial, segundo a PM, é o protocolo a ser cumprido conforme o decreto para implantação da UPP. Simultaneamente, os policiais que farão parte destas UPPs participam também desde as 4h do patrulhamento no entorno dessas comunidades. A ação do Bope na região deve durar uma semana. Em seguida, os policiais vão ocupar aos poucos as outras favelas do Complexo do Alemão para implantação de novas UPPs.

Rumores nas comunidades dão conta que as escolas estão fechadas, mas os professores estão nas salas de aulas aguardando os alunos. O comércio funciona normalmente, e os moradores saem para trabalhar com tranquilidade. Os moradores são revistados, e a documentação de motoqueiros é cobrada. Três helicópteros da Polícia Militar fazem uma ronda. A PM divulgou uma nota informando que a ouvidoria das polícias e a corregedoria da corporação acompanham a operação. A Defensoria Pública também está na comunidade.

A Polícia Militar pede que moradores façam denúncias através do Disque Denúncia para que traficantes e armas sejam localizados. A intenção é encontrar os que que ainda estejam atuando na área. Segundo o serviço de inteligência da PM, traficantes do segundo e terceiro escalões que ficaram nas duas comunidades são hoje os responsáveis pela venda de drogas na região.

Clima de expectativa ontem

Na segunda-feira já era possível notar a retirada gradativa dos militares da Força de Pacificação do Alemão. No interior das favelas, só eram vistos homens do Exército perto das estações do teleférico. Nas ruas, o clima era de expectativa entre moradores. Muitos temem a saída do Exército.

— Tenho medo de que isso aqui fique como era antes. Hoje existe tráfico, sim, mas de forma mais velada, sem armas nas ruas — disse uma comerciante.

Segundo dados levantados pelo serviço de inteligência da PM, até armas grandes já entraram na região, principalmente no Complexo da Penha. No Alemão, há pistolas, e o tráfico atende basicamente ao consumo interno.

Segundo o relações-públicas da Força de Pacificação, tenente-coronel Fernando Fantazzini, toda a tropa que está ocupando o Complexo do Alemão sairá para dar lugar aos homens do Bope. Ele informou que os 900 militares do Exército, que ocupam a região em sistema de escala, serão distribuídos entre a Serra da Misericórdia e favelas do Complexo da Penha, principalmente a Vila Cruzeiro.

quinta-feira, 22 de março de 2012

TRÁFICO USA MENORES PARA SE ARMAR


Policiais apreendem adolescentes tentando entrar na Fazendinha com pistola. ATHOS MOURA. O GLOBO, 22/03/12 - 7h37

RIO - A Força de Pacificação que atua nos complexos do Alemão e da Penha apreendeu, na noite desta quarta-feira, duas crianças, uma delas deficiente mental, tentando entrar na localidade da Fazendinha com uma pistola americana 9mm. Segundo o Exército, essa foi a sétima arma apreendida com um menor em um mês e meio, desde que começou a operação Check-Point, na qual tropas atuam em todas as entradas das comunidades evitando a entrada de armas e drogas na região até que a Polícia Militar comece a atuar na área. Durante a semana, armas caseiras utilizadas por menores de idade também foram apreendidas. Segundo os próprios soldados que realizaram a apreensão, um menino de 12 anos e um de 15, que é deficiente mental, caminhavam por uma das entradas da Fazendinha, no Alemão, carregando uma sacola plástica utilizada em supermercados. Um dos militares desconfiou do volume e pediu ao garoto que abrisse a sacola. Ao descobrirem a arma, os dois menores foram conduzidos à sede da Força de Pacificação, onde há um destacamento da 22ª DP (Penha).

De acordo com o chefe da comunicação social da Força de Pacificação, tenente-coronel Fernando Fantazzini, o tráfico está usando menores de idade para atuar contra as tropas. Na última semana, foram apreendidas armas caseiras. Os explosivos, que segundo os militares já foram utilizados pelos traficantes diversas vezes, são feitos com garrafas d’água. Dentro, os bandidos colocam pólvora e diversas giletes comuns utilizadas em barbeadores.

- Esse tipo de mecanismo é mais letal que algumas granadas que são utilizadas pelas tropas. A letalidade é tão grande que esse tipo de arma, nesse molde, é proibida pela Convenção de Genebra de ser utilizada em guerras convencionais – relatou o coronel Fernando.

Outro armamento feito pelos traficantes são adaptações de jorrões. Os traficantes abrem o fogo de artifício e incluem mais pólvora, bolas de gude, pregos e giletes. Os militares contam que essas armas são usadas apenas por crianças e são jogadas de cima de lajes. Ainda de acordo com o Exército, a maior parte das apreensões tem sido feita na Vila Cruzeiro, porém, já foram recolhidos armamentos caseiros no Complexo do Alemão.

Na última sexta-feira, O GLOBO veiculou um vídeo cedido pelo Exército mostrando a hostilidade de crianças e adolescentes à ação da Força de Pacificação, que desde o fim de janeiro teve sua atuação modificada quando 1.800 militares da 11ª Brigada de Infantaria Leve, de Campinas (SP), e da 6ª Divisão de Exército de Porto Alegre (RS) assumiram o patrulhamento da região. O patrulhamento a pé nos becos e vielas de áreas mapeadas como pontos de venda de drogas foram intensificados.

As imagens mostram os jovens desafiando as tropas. Como numa brincadeira de gato e rato, crianças usam as mãos para formar as iniciais de uma facção criminosa, e fogem quando os militares avançam em sua direção. Em casos mais extremos, jovens pulam entre as lajes para atirar garrafas, pedras e até lançar rojões. Segundo o serviço de inteligência do Exército, bandidos dão ordens a moradores para que provoquem os soldados que patrulham a região.

quarta-feira, 21 de março de 2012

ARRASTÃO NA GÁVEA

Dois homens em uma moto fazem arrastão na Gávea. Vítimas foram abordadas na Avenida Borges de Medeiros, em frente à sede do Flamengo. WALESKA BORGES, O GLOBO, 21/03/12 - 11h31


RIO - Dois homens em uma moto fizeram um arrastão na Avenida Borges de Medeiros, na Gávea, em frente à sede do Flamengo, no início da manhã desta quarta-feira. Pelo menos quatro mulheres já procuraram a 14ª DP (Leblon) relatando que foram assaltadas. Três delas estavam em frente ao clube, e a quarta vítima estava parada num sinal da Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema, em frente ao clube Dama de Ferro.

A estudante Fernanda Silva, de 22 anos, contou que os bandidos pegaram sua bolsa com documentos por um espaço aberto na janela.

— Achei um injustiça, é um absurdo. Foi muito fácil para eles. Na hora, não havia nenhuma viatura da polícia à vista no local.

A médica colombiana Blanca Marins, de 38 anos, também teve o vidro do carona quebrado pelo cotovelo de um dos assaltantes. Ela contou que os bandidos pediram a sua bolsa.

O acessório estava debaixo da perna da vítima, no lado do motorista, e mesmo assim foi arrancada pelos ladrões. Ela estava com R$ 1.500 para pagar a prestação de seu carro, um Honda Fit. Blanca disse que se surpreendeu porque é acostumada a trabalhar em favelas com o veículo e nunca foi assaltada:

— Dá muito medo. A angústia foi grande. Estou chocada — disse ela, reclamando da falta de policiamento na região.

Outra vítimas, Adriana Leonardi, de 43 anos, relatou que dois homens que usavam uma moto aproveitaram um engarrafamento para quebrar o vidro do seu carro e de pelo menos outros oito veículos. Os bandidos levaram sua bolsa e celular e fugiram em seguida.

No fim de fevereiro, um assalto na Avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa, acabou em mal-entendido no diálogo entre uma operadora do 190 (telefone de emergência da PM) e a testemunha. Em entrevista à BandNews FM, a enfermeira Sheila da Cruz acusou a atendente do serviço de perder tempo solicitando informações em excesso como precondição para enviar uma viatura ao local. A Secretaria de Segurança, que coordena o teleatendimento nos 19 municípios da Região Metropolitana, por sua vez, alega que a funcionária adotou o procedimento padrão e que a enfermeira estava nervosa ao ligar para o serviço.

Já em agosto do ano passado, um grupo de 11 bandidos, a maioria menor de idade, foi preso após fazer um arrastão na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio.

O bando começou o arrastão na altura do Quiosque Palaphita Kitsch e seguiu até a escola de remo do clube do Botafogo, próximo à Fonte da Saudade. Os bandidos, que seriam do Morro da Mangueira, foram detidos e levados para a 14ª DP (Leblon).Em novembro de 2010, depois de dois arrastões assustarem moradores da Rua Faro, no Jardim Botânico, a Polícia Militar colocou quatro motocicletas do Grupamento Tático de Motociclistas da PM (GTM) para fazer rondas no Jardim Botânico e na Gávea.