O Rio de Janeiro é o espelho do Brasil. O que ocorre no Rio de Janeiro fatalmente se transmitirá em cadeia para os outros Estados da Federação. As questões de justiça criminal e ordem pública não fogem desta regra. Portanto, é estratégico manter a atenção, estudar o cenário, analisar as experiências e observar as políticas lá realizadas, ajudando no alcance dos objetivos. A solução desta guerra envolve leis duras e um Sistema de Justiça Criminal integrado, ágil, coativo e comprometido em garantir o direito da população à segurança pública.

segunda-feira, 24 de março de 2014

TROPAS FEDERAIS PELO TEMPO NECESSÁRIO

O Estado de S. Paulo 24 de março de 2014 | 13h 05

Complexo da Maré receberá reforço de tropas federais no Rio. Após onda de ataques a UPPs, conjunto de favelas na zona norte foi definido como prioridade pelo governo pelo número de moradores e localização

Marcelo Godoy e Clarissa Thomé


O complexo da Maré, na zona norte do Rio, será ocupado por tropas federais. A data ainda não está definida, mas a comunidade será ocupada pelas Forças Armadas, que contarão com o apoio das Polícias Federal, Rodoviária Federal, Militar e Civil. O anúncio foi feito pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) e pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Cardozo não revelou o efetivo e as armas que serão usados. "Essas coisas não se dizem previamente", disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ele também não revelou o prazo de duração da operação. "Ele será pelo prazo necessário", disse o ministro.



Wilton Júnior/Estadão
Cabral e o chefe do Estado Maior durante reunião no Centro Integrado de Comando e Controle, no Rio

A parceria é conhecida formalmente como Garantia de Lei e da Ordem (GLO), operação militar em área previamente estabelecida e com prazo delimitado. "Delimitaremos a área de circunscrição ao governo federal. Ela foi apresentada ao ministro da Justiça e ao general José Carlos De Nardi, chefe do Estado Maior das Forças Armadas", afirmou Cabral. "É um passo decisivo para política de avanço da segurança pública. É uma área estratégica do Rio de Janeiro, do ponto de vista de ir e vir, porque lá passam as linhas Vermelha e Amarela, a Avenida Brasil, está próxima do aeroporto internacional", explicou.

Segundo Cabral, a operação foi preparada pela Secretaria da Segurança Pública. O tamanho do conjunto de favelas e a força dos bandidos na região foram levados em conta para escolha. "Há presença do tráfico em uma comunidade com mais de cem mil habitantes, onde você tem tráfico, armas, e drogas e ações criminosas em vários bairros do Rio de Janeiro com refúgio dos bandidos na Maré. A população não quer mais ver criminosos circulando na comunidade como se aquele fosse território dele.", disse Cabral.

O ministro Cardozo, por sua vez, disse que a orientação da presidente Dilma Rousseff foi dar apoio ao Rio no combate à criminalidade. Ele classificou a operação como "prioritária e importante". "Do ponto de vista estratégico e tático de enfrentamento do crime organizado, essa é uma questão fundamental", disse.

FORÇAS ARMADAS OCUPARÃO A MARÉ

Do G1 Rio, 24/03/2014 14h02

Após ataques, Forças Armadas ocuparão a Maré, afirma Cabral. Segundo o governador, será instaurada a Garantia da Lei e da Ordem. Decreto presidencial vai autorizar atuação das Forças Armadas.

Daniel Silveira e Alba Valeria Mendonça





O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou, no início da tarde desta segunda-feira (24), que já foi aprovado pelo Governo federal pedido feito pelo estado para a instauração da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Conjunto de Favelas da Maré, na Zona Norte do Rio. Com a GLO, militares assumem a segurança pública e podem atuar como polícia nas ruas. Para entrar em vigor, a medida depende de publicação de decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff.


Conjunto de Favelas da Maré


A decisão de ocupar o Conjunto de Favelas daMaré aconteceu após uma série de ataques a Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) na semana passada. Formada por 16 comunidades, a Maré está localizada em um ponto estratégico da cidade: próximo ao Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, na Ilha do Governador, e às três mais importantes vias expressas da cidade - Linha Vermelha, Linha Amarela e Avenida Brasil -, como frisou o governador.

"Esse é um passo decisivo na nossa política de avanço na segurança. Trata-se de uma área estratégica para o Rio visto que lá passam a Linha Vermelha, a Linha Amarela e a Avenida Brasil, uma área sensível com moradores ansiosos para receber as forças de segurança", disse Cabral sem dar detalhes sobre a operação como a data da entrada das forças federais, o efetivo que será empregado e o papel de cada órgão no plano de ocupação traçado.

Ação por tempo indeterminado

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que equipes técnicas das polícias Federal, Rodoviária Federal, da Força Nacional de Segurança e das Forças Armadas permaneciam reunidas por volta de 13h para acertar detalhes do planejamento da ação. De acordo com o ministro, a ocupação da região será por tempo indeterminado.

"[A ocupação vai durar] o quanto for necessário para o cumprimento dessa primeira etapa. Os prazos são sempre ajustados conforme a necessidade. A primeira etapa é a ocupação do espaço territorial para que o terreno para a pacificação seja criado. A presença do Estado no Complexo da Maré veio para não mais terminar, a exemplo daquilo que houve em outras comunidades do Rio de Janeiro", afirmou Cardozo, acrescentando que a ação não vai atrapalhar o planejamento de segurança para a Copa do Mundo: "Nós temos um plano para a Copa do Mundo muito bem desenvolvido e muito bem preparado", finalizou.

Reunião

A reunião começou às 11h15 desta segunda com a presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no Centro da cidade, para planejar as ações das forças federais após os ataques a policiais e bases da PM em comunidades pacificadas.

Na sexta-feira (21), a presidente Dilma Rousseff já havia respondido positivamente ao pedido de ajuda de Cabral para que as tropas federais atuem na cidade.

Ocupação por forças estaduais

As polícias Civil e Militar mantêm a ocupação em quatro favelas do Subúrbio desde sexta à noite por tempo indeterminado.

No Conjunto de Favelas da Maré, são duas as comunidades ocupadas: Nova Holanda e Parque União. A tropa do Batalhão de Operações Especiais (Bope) fez apreensões de drogas e armas.

No Morro do Chapadão, em Costa Barros, a equipe do Batalhão de Choque precisou usar uma retroescavadeira para destruir barricadas montadas pelo tráfico. Um homem foi preso e um menor, apreendido. Além disso, sete motos e oito carros roubados foram recuperados. No alto da comunidade, uma base móvel foi montada pela polícia. De lá, é feito o monitoramento de dez câmeras que vigiam os principais acessos ao morro.

A polícia também permanece no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. No local, não houve prisões nem apreensões.

No sábado (22), em uma operação na Favela Pára Pedro, em Colégio, também no Subúrbio, dois homens morreram em um confronto. Segundo o comando da PM, eles eram criminosos. Quatro pessoas foram detidas e uma delas ficou ferida na troca de tiros.

Ataques

As ocupações de comunidades pelas polícias estaduais começaram 24 horas após ataques a Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). O objetivo é preparar o terreno para a chegada de forças federais.

No atentado mais violento, no Conjunto de Favelas de Manguinhos, na Zona Norte, na noite de quinta-feira (20), cinco postos da UPP e dois carros da PM foram incendiados. O comandante da unidade, capitão Gabriel Toledo, foi baleado. Ele permanece internado no Hospital Central da Polícia Militar (HCPM). Outro policial levou uma pedrada na cabeça, mas passa bem.

Na ocasião, a base da UPP no Morro Camarista Méier, no Conjunto de Favelas do Lins, também foi alvo dos criminosos.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA -  Envolvendo as Forças Armadas nada é indeterminado e permanente, ainda mais em situações onde a função NÃO é competência das forças armadas e elas estão lá em caráter de emergência e de apoio à uma unidade federativa.

PACIFICAÇÃO EM XEQUE


ZERO HORA 24 de março de 2014 | N° 17742

ANDRÉ MAGS*


À espera das tropas federais. Especialistas afirmam que bandidos saíram de morros e se uniram para atacar UPPs e manchar imagem do Rio antes da Copa


Lançadas como salvação das favelas tomadas pelo crime em 2008, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) estão sendo rediscutidas no Rio de Janeiro. Os recentes ataques de criminosos contra as UPPs lançaram a dúvida se elas deixaram de cumprir o papel para o qual foram criadas – promover a aproximação entre a polícia e as comunidades –, em um levante de tal proporção que a Força Nacional de Segurança Pública deve ser enviada à cidade.

Apresidente Dilma Rousseff já sinalizou que deve liberar o envio das tropas às favelas cariocas, e o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), apresentou o pedido para que isso ocorra até o fim deste ano. A questão deve ser definida hoje, às 10h, em uma reunião entre Cabral, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, o secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, e a cúpula da polícia. Na reunião, Beltrame apresentará um relatório sobre os ataques às UPPs e a articulação de criminosos que dominam o tráfico.

No pedido para Dilma, Cabral deve admitir que as forças estaduais são insuficientes para patrulhar e garantir a segurança em determinadas áreas da Capital. Somente depois da apresentação desse documento, a autorização será concedida. O envio das tropas – que não tem data para ocorrer–, porém, é criticado por especialistas. Um destes críticos é o sociólogo e doutor em ciências jurídicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF) Daniel Misse, que foi coordenador-geral do Programa UPP Social/Territórios da Paz. Para ele, já há policiais demais nas favelas, em uma proporção de 50 moradores para um PM.

– Será que mais policiamento traria uma solução? Não deveríamos procurar outras soluções? – questiona.

Há duas versões sobre o que acontece com as UPPs, uma do governo estadual e outra das favelas, diz Misse. A primeira diz que há um movimento de vingança dos traficantes expulsos dos morros. Eles formaram bondes e atacam as UPPs, inclusive para manchar o nome do Rio para a Copa do Mundo. A segunda versão é de que os ataques têm origem no ano passado (leia quadro), após tumulto e tiroteio na remoção em um prédio ocupado irregularmente em Manguinhos.

*Com agências


“O projeto precisa ser repensado”, diz especialista


Ignacio Cano, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Lav-Uerj), afirma que sempre houve ataques contra as UPPs, agora eles estão mais intensos e concentrados em algumas regiões. Ele acredita que há uma crise no modelo, que precisava ter passado por uma reavaliação programada, mas isso nunca ocorreu.

Cano cita alguns problemas internos, como um consenso entre policiais de que trabalhar nas UPPs é um serviço de PM de “segunda divisão”. Outro fator é a localização das UPPs, que não ficam nas áreas com maiores índices de violência, como a Zona Oeste e a Baixada, e sim para garantir a segurança em pontos turísticos como a orla, a Zona Sul, o Centro e as proximidades de aeroportos.

– Sem dúvida, há uma situação de crise. O projeto precisa ser reavaliado e repensado. Há uma falta de investimento na melhoria das relações entre a comunidade e a polícia, que ainda são bastante tensas.

Para Marcos Rolim, jornalista, mestre em sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em segurança, o sistema de UPPs é positivo. Porém argumenta que o problema é a polícia fluminense, repleta de servidores corruptos e envolvidos em milícias tão letais às comunidades dos morros como os traficantes.

– A polícia tradicional do Rio é muito corrupta, muito violenta, cheia de vícios. Tentaram separar esses policiais das UPPs e estabelecer essa secção. Só que essa tentativa fracassa porque esses policiais acabam entrando em contato com o resto da polícia. E, a partir daí, acabam fazendo o que os outros policiais sabem fazer, que é prender pessoas, bater, torturar.

Rolim afirma que o programa das UPPs começou bem, com a contratação de recrutas, e não de integrantes antigos da corporação.

Só que, ao longo do tempo, houve uma aproximação entre os recrutas e os PMs corruptos. O especialista ainda opina que o modelo de UPP não é sustentável com essa polícia. Uma saída seria a desmilitarização da corporação.


HISTÓRICO DE CONFLITOS

- As primeiras UPPs foram instaladas em 2008 no Rio, e logo traficantes dos morros se rebelaram contra a iniciativa.

- Em 25 de novembro de 2010, correram o mundo as cenas de traficantes armados fugindo do Complexo do Alemão, transmitidas por redes de TV, uma operação para permitir a retomada da região e colocação de UPPs.

- Em março do ano passado, moradores foram fortemente reprimidos pela PM logo após terem sido removidos do prédio que ocupavam em Manguinhos.

- Em 14 de julho de 2013, o ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, 43 anos, despareceu após ter sido levado por policiais à UPP da Rocinha, em uma ação contra o tráfico de drogas. Investigações revelaram que ele foi torturado e morto nas dependências da UPP.

- Em 16 de março deste ano, imagens de um cinegrafista amador mostram Cláudia Silva Ferreira sendo arrastada por 350 metros por um carro da PM no Morro da Congonha, no subúrbio do Rio. Ela foi morta por tiros em meio a uma ação desastrada da PM na favela.

- Ainda nesse mês, ataques em série contra as UPPs resultaram nas mortes de pelo menos três policiais. Desde 2012, são 11 PMs mortos em áreas de UPPs.

domingo, 23 de março de 2014

COMANDANTE DE UPP É FERIDO EM ATAQUE

VEJA ONLINE 20/03/2014 - 20:06


Rio de Janeiro. Comandante de UPP é ferido em ataque de traficantes

Unidade do Complexo de Manguinhos foi alvo de tiros, que atingiram ainda outros dois agentes. Um quarto PM acabou ferido com pedradas na cabeça


Contêineres da UPP de Manguinhos foram incendiados (Atualizado às 22h20)

Criminosos de áreas ocupadas por uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio entraram em confronto com policiais mais uma vez, nesta quinta-feira. O comandante da UPP de Manguinhos, capitão Gabriel Toledo, foi baleado durante um tiroteio. Atingido na coxa direita, ele foi levado ao Hospital Geral de Bonsucesso e, depois, transferido para o Hospital da Polícia Militar, para ser submetido a uma cirurgia. Pelo menos outros dois agentes ficaram feridos nesse ataque.

Os contêineres da UPP de Manguinhos foram incendiados e ficaram completamente destruídos. Em seguida, parte do complexo, composto por 13 favelas, ficou sem energia elétrica. Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, tudo começou quando agentes foram até um prédio abandonado que havia sido invadido com a intenção de cumprir uma ordem de desocupação. Ao chegarem, foram atacados pelos ocupantes, que lançaram pedras contra os policiais, ferindo um deles na cabeça - foram quatro no total.

A confusão se ampliou e traficantes teriam aproveitado para atacar os policiais e a sede da UPP. Houve troca de tiros, e o capitão mais dois PMs acabaram baleados nesse confronto. O Batalhão de Choque foi acionado para reforçar a segurança no local e o carro blindado do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) também subiu o morro. Por conta do tumulto e da troca de tiros, a circulação de trens da Supervia pela favela chegou a ser interrompida.

A Secretaria de Segurança do Estado informou, no fim da noite, um novo embate com bandidos em outras duas UPPs: Camarista Méier, localizada no Complexo do Lins, e a unidade do Complexo do Alemão, ambas também na Zona Norte da capital.

Governo - Desde o fim do ano passado, regiões consideradas pacificadas têm sido alvo de traficantes, especialmente o Complexo do Alemão e a favela da Rocinha. Na semana passada, quando um soldado era enterrado após outro ataque de bandidos, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame classificou os ataques a policiais como uma forma de “terrorismo contra o Estado”.

Logo após o novo episódio, o governador Sérgio Cabral emitiu nota condenando os ataques às UPPs: "Essa é mais uma tentativa da marginalidade de enfraquecer a política vitoriosa da pacificação, que retomou territórios historicamente ocupados pela bandidagem para o controle do Poder Público", disse, reiterando o "firme compromisso assumido com a população do Rio de Janeiro de não sair, em hipótese alguma, desses locais ocupados".

ORDEM DE ATAQUE PARTIU DOS PRESÍDIOS

VEJA ONLINE 21/03/2014 - 13:08


Rio de Janeiro. Ordem de ataque às UPPs partiu de presídio, diz Beltrame


Ao menos quatro unidades foram alvos de tiros - em Manguinhos, contêineres ainda foram incendiados. No confronto com bandidos, quatro PMs se feriram



Policiamento reforçado após o comandante da UPP de Manguinhos, Gabriel Toledo, ser baleado e a sede da unidade incendiada na noite da quinta-feira (20), no Rio de Janeiro (Ale Silva/Futura Press)

Os ataques a quatro Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Rio de Janeiro, na noite de quinta-feira, foram ordenados por traficantes de dentro de um presídio. A informação é do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. "Eu posso dizer isso a vocês: nós temos isso confirmado. E o que nós fazer é um plano para proteger, sem dúvida, a cidade de mais esta crise", declarou, nesta sexta, pouco antes de viajar a Brasília, ao lado do governador Sérgio Cabral. Em uma reunião com a presidente Dilma Rousseff, eles pediram o apoio das Forças Federais nas áreas consideradas pacificadas.

Na quinta, quatro UPPs foram alvos de criminosos. O caso mais grave ocorreu no Complexo de Manguinhos, onde bandidos atiraram contra os contêineres, e depois atearam fogo. O comandante da unidade, capitão Gabriel Toledo, foi baleado na coxa direita e precisou ser submetido a uma cirurgia. Ele está internado no Hospital da Polícia Militar e seu quadro é considerado estável. Outros três agentes ficaram feridos - dois por tiros e um a pedradas. As outras bases atacadas ficam nos complexos do Lins (Camarista Méier) e do Alemão e em Benfica (Parque Arará), todas na Zona Norte da capital.

A segurança foi reforçada em todos os pontos críticos nesta sexta, segundo o coronel Frederico Caldas, comandante das UPPs. "Dobramos o efetivo. Podemos dizer que a situação já é de tranquilidade, mas o Bope e o Batalhão de Choque vão permanecer nessas áreas enquanto for necessário", declarou, em entrevista ao RJTV, da Globo. Parte da favela de Manguinhos continua sem luz - o incêndio atingiu um poste de energia elétrica. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, quatro escolas, duas creches e um espaço infantil estão fechados no complexo, deixando quase 4.000 estudantes sem aula.

Governo - Logo após os ataques coordenados, o governador Sérgio Cabral emitiu nota condenando os ataques às UPPs: "Essa é mais uma tentativa da marginalidade de enfraquecer a política vitoriosa da pacificação, que retomou territórios historicamente ocupados pela bandidagem para o controle do Poder Público", disse, reiterando o "firme compromisso assumido com a população do Rio de Janeiro de não sair, em hipótese alguma, desses locais ocupados".


OPERAÇÃO COORDENADA PARA ESTANCAR ATAQUES

Tarja Rio de Janeiro
VEJA ONLINE - 22/03/2014 - 13:03


RIO DE JANEIRO - Polícia do Rio faz operação coordenada para estancar ataques em favelas


Entre a madrugada de sexta-feira e a manhã deste sábado, tropas da PM, incluindo o Bope, ocuparam Conjunto de Favelas da Maré e fizeram apreensões nos morros do Juramento, Chapadão, e Comunidade Para-Pedro; policiais da UPP do Arará apreenderam 20 litros de material inflamável


Bope e outros policiais militares ocupam o Conjunto de Favelas da Maré, na Zona Norte do Rio (Maurício Fidalgo/Futura Press)

Uma ação coordenada da Polícia Militar resultou em operações em diversas favelas do Rio de Janeiro entre a noite de sexta-feira e a manhã deste sábado. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM ocupa, desde a noite passada, as ruas do Parque União e de Nova Holanda, no Conjunto de Favelas da Maré, zona Norte do Rio. A tropa já havia executado uma operação no Conjunto de Favelas do Alemão no último sábado. Segundo a assessoria de comunicação da PM, ainda não há registros de conflitos e prisões, mas foram apreendidos no local sete quilos de maconha prensada e três de cocaína, um fuzil AK 47, dois carregadores de pistola e uma granada. A operação não tem previsão para terminar.

A tropa de elite da PM atua com 120 homens e tem o apoio do Grupamento Aéreo Militar (GAM) do Comando de Operações Especiais (COE). Ainda de acordo com informações da assessoria, o objetivo é fazer uma "varredura" na área. A operação transcorre depois de uma série de ataques a bases de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) na quinta-feira, que resultaram no apelo do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), ao governo federal para o envio de tropas do Estado para conter os confrontos. A decisão foi tomada após reunião na sexta-feira entre o governador, a presidente Dilma Rousseff, os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Aloizio Mercadante (Casa Civil) e a cúpula de segurança pública do Rio, no Palácio do Planalto, em Brasília.

A PM afirmou ainda que o Batalhão de Choque está na Comunidade do Chapadão, próxima do bairro de Costa Barros, e apreendeu, até o momento, três motos roubadas, 100 cápsulas de cocaína e 300 trouxinhas de maconha. Um homem foi preso e encaminhado para a Delegacia de Polícia da área. No Morro do Juramento, a polícia informou que, até o momento, não houve apreensões.

Também na noite de sexta, o Batalhão de Choque realizou uma operação na Comunidade Para-Pedro, em Colégio, na zona Norte do Rio. Houve confronto com traficantes e troca de tiros. Segundo a polícia, dois homens foram atingidos e morreram, três foram detidos e um menor foi apreendido. Entre as apreensões estavam um fuzis, pistolas, uma metralhadora, três granadas de uso exclusivo das Forças Armadas, 25 cápsulas de cocaína, dois tabletes de maconha, celulares e munições para as armas.

Já na manhã deste sábado, um patrulhamento feito por volta das 9h30 na UPP do Arará/Mandela apreendeu um tonel contendo cerca de 20 litros de gasolina misturada com diesel. O material inflamável estava dentro de uma cisterna na localidade conhecida como “Mandela 3” ou “Predinhos” e foi encaminhado para 21ª DP, em Bonsucesso.

Ataques — Na noite de quinta-feira, quatro UPPs foram alvos de criminosos. Em Manguinhos, onde a ação foi mais grave, os bandidos atiraram e atearam fogo em contêineres e balearam o comandante da unidade, o capitão Gabriel Toledo. Outros três policiais ficaram feridos. A ordem do ataque, de acordo com secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, partiu de dentro de um presídio.

Plano de ação — Na próxima segunda-feira, o ministro da Justiça vai ao Rio de Janeiro para definir um plano de ação no Estado. Alegando questões de segurança, José Eduardo Cardozo não informou quais tropas federais vão ao Estado e nem a quantidade do efetivo destacado para auxiliar a polícia carioca. “Nossos órgãos de inteligência estão integrados fazendo as análises necessárias. Tudo está sendo acompanhado para que as medidas corretas sejam tomadas no seu tempo necessário”, disse Cardozo. Segundo ele, o reforço federal já estará disponível neste fim de semana, caso seja necessário.

De acordo com Cabral, o Rio conta com um efetivo de 9.400 policiais atuando nas favelas pacificadas. “Creio que só São Paulo e Belo Horizonte tenham efetivo maior nas capitais. É evidente que quando se amplia o volume de presença com bases, o risco de ataques é enorme. Mas é uma demonstração da fragilidade do crime organizado”, disse o governador. Ele afirmou que, após a pacificação, houve uma redução de 65% nos homicídios nas favelas.


Mundial – A três meses da Copa do Mundo, o governo federal afirma ter um “excelente” plano de segurança para enfrentar problemas durante os jogos e que casos como os do Rio não prejudicarão o esquema já discutido com os governos estaduais. “Isso tem a ver com uma situação imediata que estamos vivendo. Nós estamos muito seguros que teremos uma Copa com excelente padrão de segurança”, disse Cardozo.

sábado, 22 de março de 2014

CRIME EM MADUREIRA EXPÕE BATALHÃO COM HISTÓRICO DE VIOLÊNCIA


Crime de Madureira expõe batalhão da polícia com histórico de violência. Dois dos três acusados acumulam autos de resistência, assim como PMs condenados pela chacina de Vigário Geral, em 1993

GUSTAVO GOULART
O GLOBOPublicado:22/03/14 - 7h00

Os PMs envolvidos no caso de Cláudia Ferreira: eles são do 9º BPM, conhecido pela truculência, e já foram soltos pela Justiça Marcelo Carnaval / Agência O Globo (19-3-2014)


RIO — Os três policiais militares envolvidos no caso da auxiliar de serviços gerais Cláudia da Silva Ferreira — que, depois de baleada, caiu da caçamba do carro da polícia e foi arrastada pelo asfalto por 350 metros — são lotados no 9º BPM (Rocha Miranda), unidade já conhecida no Rio por um histórico de violência. Eram do mesmo batalhão os policiais que ficaram conhecidos como Cavalos Corredores, condenados pela chacina de Vigário Geral, em que 21 pessoas — oito delas evangélicos de uma mesma família — foram executadas em 1993.

Na época do massacre na favela da Zona Norte, um levantamento revelou que os PMs do batalhão acumulavam uma grande quantidade de autos de resistência (mortes em confrontos). Os subtenentes Rodney Miguel Archanjo e Adir Serrano Machado, acusados no caso da auxiliar de serviços gerais, também estão envolvidos em processos semelhantes: cada um responde, respectivamente, por três e 13 autos de resistência. O terceiro acusado, o sargento Alex Sandro da Silva Alves, não está envolvido em autos decorrentes de mortes em confronto.

O problema do envolvimento de PMs em vários autos de resistência, revelado pela chacina de Vigário Geral, gerou uma grande investigação sobre o assunto na época, logo depois do crime. Comandante do 9º BPM à época, o coronel da reserva Emir Larangeira, que foi inocentado da acusação de ter criado o grupo Cavalos Corredores, tem sua explicação para a fama de truculência dos policiais do 9º BPM.

— Posso explicar por que o 9º é o mais agressivo. Na minha época, era o recordista de mortes de PMs em serviço. Quem morre mais mata mais também — diz Larangeira.

O 9º BPM, que chegou a ser responsável por uma área de 83 favelas, foi desmembrado em 2010. Hoje tem responsabilidade sobre 17 bairros.